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Cristal
img img Cristal img Capítulo 2 No Orfanato
2 Capítulo
Capítulo 6 Iniciação img
Capítulo 7 Primeira semana img
Capítulo 8 Novo amigo img
Capítulo 9 Uma ideia img
Capítulo 10 Fuga img
Capítulo 11 Reencontro img
Capítulo 12 Um chamado img
Capítulo 13 Solidão img
Capítulo 14 Novas férias img
Capítulo 15 Tudo estranho img
Capítulo 16 Boa companhia img
Capítulo 17 Surpresas noturnas img
Capítulo 18 A casa de pedra img
Capítulo 19 Realização img
Capítulo 20 Confusão img
Capítulo 21 Fuga img
Capítulo 22 Reencontro img
Capítulo 23 Esclarecimentos img
Capítulo 24 Um novo lugar para chamar de lar img
Capítulo 25 Êxito img
Capítulo 26 Declaração img
Capítulo 27 Planos e ação img
Capítulo 28 Partida img
Capítulo 29 Visitas noturnas img
Capítulo 30 Regresso img
Capítulo 31 Frio img
Capítulo 32 A volta das flores img
Capítulo 33 Despedidas img
Capítulo 34 Tempo livre e preocupação img
Capítulo 35 Terror img
Capítulo 36 Desesperança img
Capítulo 37 Tensão img
Capítulo 38 Nascimento img
Capítulo 39 Um ato rebelde img
Capítulo 40 Novas aliadas img
Capítulo 41 Esperança img
Capítulo 42 Reencontro img
Capítulo 43 O que aconteceu img
Capítulo 44 Na escuridão das árvores img
Capítulo 45 Feridos img
Capítulo 46 Nova moradia img
Capítulo 47 Recuperação img
Capítulo 48 Mágoa img
Capítulo 49 Perguntas difíceis img
Capítulo 50 Novos planos img
Capítulo 51 Olhos abertos img
Capítulo 52 Frio e chuva img
Capítulo 53 Culpa img
Capítulo 54 Confissões img
Capítulo 55 Uma surpresa img
Capítulo 56 Novidades img
Capítulo 57 Separação img
Capítulo 58 No túnel img
Capítulo 59 Vamos embora img
Capítulo 60 Grito img
Capítulo 61 União e força img
Capítulo 62 Fim e começo img
Capítulo 63 Epílogo img
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Capítulo 2 No Orfanato

Quatorze anos depois...

Cristal acordou com o som de alguém pulando e, abrindo os olhos, constatou que era uma das crianças menores que estava em cima de uma outra cama perto dali. A menininha sorria para ela. A garota gemeu e virou para o outro lado, torcendo para dormir mais no único dia que podia.

- Ei... – Cristal quis ignorar aquela voz – Ei, Cristal. – mas seria impossível. Como sempre.

- O que foi? – ela sentou-se na cama olhando para o garoto na porta.

- Levanta daí, vamos. – o garoto insistiu parado na porta. Seus cabelos pretos estavam penteados e ele já estava trocado.

- Está bem. – Cristal concordou, irritada, levantando. Como sempre, também.

Ela atravessou entre as camas vazias e entrou no banheiro, que também estava vazio àquela hora porque todas as meninas já tinham levantado há bastante tempo. Cristal se trocou e depois olhou no espelho, tentando arrumar seu espesso cabelo enrolado que sempre acabava cheio de nós depois de dormir. Ela se mexia muito a noite toda, mudando de posição, e a quantidade de nós formados no dia seguinte indicavam o quanto a noite havia sido agitada.

Saiu do banheiro e encontrou o garoto ainda no mesmo lugar, mas a menininha que pulava na cama já tinha ido embora.

- Só um instante. – ela disse, arrumando a cama antes de sair.

- Você precisa dormir tanto no único dia que temos livre? – o garoto disse, irritado, quando finalmente os dois saíram para longe do dormitório feminino. Quando é que ele iria se acostumar com essa tradição?

- Mas é bem por isso, Simas. – Cristal sorriu para ele.

Os dois andaram lado a lado pela escadaria até o andar inferior, em direção ao refeitório. As velhas mesas de madeira estavam quase todas vazias, e as poucas ocupadas eram por funcionários do orfanato que sempre comiam depois das crianças.

- Cristal. – a voz da Srta. Olive, a responsável pelo refeitório, era dura, mas ao mesmo tempo aconchegante. – Outra vez dormindo até tarde?

- Dia livre! – Cristal ergueu as mãos em sinal de paz – Mas espero que ainda tenha café da manhã. – seus olhos eram suplicantes.

- Creio que sim. – Srta. Olive sorriu e apontou uma mesa – Vou ver o que posso arranjar.

Cristal se sentou com Simas bem na sua frente e bocejou. Gostava de dormir até tarde no único dia livre que possuíam, e dormiria mais se o amigo deixasse, mas ele nunca deixava.

- Olha o que eu fiz para você. – Simas passou uma folha com um desenho perfeito do rosto de Cristal.

- Nossa! – ela exclamou – Você está ficando cada vez melhor nisso. – Simas sorriu, corando ligeiramente.

Nesse momento srta. Olive trouxe o café da manhã: leite, café preto e pães. Depois de colocá-los na mesa, voltou a afastar-se. Cristal começou a comer em silêncio, estava completamente faminta.

- Em breve vou poder sair do orfanato sem supervisão. – Simas disse alegremente.

Em breve, ele completaria dezesseis anos e teria o direito de sair sozinho depois de todas as suas tarefas estarem realizadas, e precisaria retornar até as dezenove horas.

- Gostaria de poder ir também. – resmungou Cristal – Mas isso está longe de acontecer.

- Um pouco. – lamentou-se Simas.

Cristal havia completado quatorze anos há pouco tempo, o que significava que levaria praticamente mais dois anos para que também tivesse liberdade de circular sem acompanhante. O grande desejo das crianças do orfanato costumava ser esse, explorar coisas sem adultos em cima o tempo todo.

Depois do café, eles saíram pelas portas que levava para o grande jardim dos fundos. A maioria das crianças menores estava brincando ali em pequenos grupos. As maiores, que podiam sair, aproveitavam o dia de folga fora.

Cristal e Simas circularam o orfanato, andando lentamente, até que chegaram ao imenso portão da frente. Pararam ali, entre as grossas grades de ferro, e ficaram olhando para a rua. As pessoas passavam do lado de fora sem olhar muito para o casarão que era o orfanato, e isso não espantava nem Cristal e nem Simas, que haviam crescido ali e estavam habituados a serem meio invisíveis.

- Olha. – sussurrou Simas como se falasse um segredo – São elas.

Cristal olhou através das grades para onde ele apontava e viu uma mulher com uma menina mais nova.

Ambas vestiam um comprido vestido que ia até os pés, o da mulher era branco e o da menina, que devia ter pelo menos uns cinco anos a mais que Cristal, era amarelo.

- O que tem elas? – perguntou, sem entender.

- São duas Damas. – explicou Simas – Elas moram nos limites do povoado, não sei bem o que fazem, mas protegem eu acho.

- O que isso quer dizer? – Cristal estudou com os olhos as duas silhuetas que se moviam em silêncio pela rua. As pessoas acenavam com a cabeça em sinal de respeito quando passavam, mas mantinham certo distanciamento.

- Você não conhece? – Simas parecia perplexo – Damas são uma espécie de protetoras, dizem que elas tomam uma aprendiz para si. – especulou enquanto as duas figuras estavam entrando em uma loja – Eu soube que elas costumavam viver misturadas com a gente, mas então houveram muitas pessoas que quiseram fazer parte.

- O que aconteceu? – Cristal olhou para Simas, mas o garoto ainda tentava espiar.

- Elas se exilaram para os limites do povoado e passaram a aceitar apenas herdeiras. – ele concluiu.

- São só mulheres? – Cristal perguntou franzindo a testa. Como teriam herdeiras?

- Claro que não. – Simas riu, aparentemente pensando a mesma coisa – Os homens são chamados de Senhores. E antes que me pergunte, eu não sei o papel de cada um deles. – na verdade tudo que ele sabia era obtido através de pedaços de conversas que ouvia dos garotos mais velhos, antes que o percebessem por perto e mandassem sair.

Cristal suspirou e então observou, novamente, as duas figuras que agora saiam da loja. Elas carregavam uma sacola e andavam em absoluto silêncio do outro lado da rua. Foi então que a mulher mais velha ergueu o olhar e pareceu avistar Cristal. Cristal deu um passo para trás, saindo de perto das grades de ferro, surpresa.

- Ela me olhou? – perguntou perplexa.

- Pareceu. – Simas respondeu, igualmente espantado.

Os dois andaram para longe do portão e sentaram num banco gasto de madeira.

- Mas para onde elas se exilaram? – Cristal perguntou pensando nos vestidos longos das duas mulheres.

- Acho que ninguém sabe. – Simas respondeu olhando para o rosto de Cristal, mas ela não percebeu. Estava pensando sobre as coisas que ele acabara de falar e se perguntando o motivo de nunca ter ouvido falar disso.

O resto do dia foi se passando da forma como costumavam se passar os dias livres no orfanato, mas dessa vez Cristal parecia mais distante do que o de costume. Muitas vezes Simas percebeu que ela não estava ouvindo o que ele falava, mas não teve coragem de reclamar com a amiga.

Quando começou a escurecer, os moradores mais velhos começaram a voltar e se reunir no refeitório para o jantar. Cristal e Simas se sentaram juntos numa mesa no canto, como faziam há anos.

Enquanto a comida era servida, a diretora Adeline andava por entre as mesas conferindo se todos estavam presentes. Seu olhar era sempre sério e penetrante. Cristal se perguntou, como sempre fazia quando a via conferir, o que aconteceria se algum deles algum dia não respeitasse o toque de recolher.

- Não vejo a hora de poder passar algumas horas fora. – comentou Simas, ainda animado com a ideia.

- Eu também não veria. – suspirou Cristal, pensando nos dois anos que ainda faltavam.

Depois do jantar, as crianças começaram a se retirar para os dormitórios aos poucos. Quase os últimos a sair, Cristal e Simas andaram lentamente pelas escadas.

- Então vejo você amanhã. – disse Cristal indo para seu lado dos dormitórios.

- Até amanhã. – Simas respondeu, hesitando parado no topo da escada, observando enquanto ela se afastava.

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