novamente? Será que vai me ligar? Espero bem que sim.
- Aff... que pensamento era aquele? Eles nem tinham se
dado bem. Ela não estava interessada, apesar do seu
corpo dizer o oposto.
Foi a feira como de costume. Lá ela conhecia todos os
feirantes, porque todo final de semana lá estava ela
fazendo compras de verduras, frutas e tudo mais que
fosse necessário para ter uma alimentação saudável, ela
sabia que não tinha mais idade para exageros, por isso
era bem comedida com sua alimentação. Enquanto
caminhava pela feira o seu celular tocou. Era um número
que ela não conhecia, mas atendeu assim mesmo.
- Bom dia!?
- Bom dia! Sabe quem está falando?
- Não. Quem é?
- Adivinha.
- Olha, se você não se identificar, vou desligar.
- Credo, quanta seriedade... E o Paulo. Anna ficou sem
ação.
- Você ainda está aí?
- Claro, que surpresa! Como você esta?
- Bem! Não pensou que pedi seu telefone apenas por
pedir né?
- Não. Claro que não.
- Então? Pensei em nos encontrarmos mais tarde para
um passeio no Bosque da barra. O que você acha? Anna
ficou atônita, não sabia o que falar.
- Anna?
- Claro, a que horas?
- Às 15 horas passo na sua casa para te pegar. Tudo
bem? Ela ainda estava muito surpresa, por isso demorou
a responder.
- Ok. Até logo!
- Até logo! Durante um tempo ficou ali. Parada no meio
da feira. Tentava assimilar aquele telefonema. Não é que
ele também ficou interessado. Ela sorri e vai embora. Ela
não sabia porque, mas ficou feliz com aquele telefonema.
Anna voltou da feira cheia de sacolas, colocou tudo em
cima da mesa e ficou a pensar: "O que era aquilo? " Eles
nem tinham se dado bem. Bom ela iria sair com ele para
ver no que dava. Colocou tudo no lugar
Preparou o
almoço com muita ansiedade seu coração estava
acelerado. Porque ela estava assim? As 13 horas
começou a se arrumar. Não tinha ideia do que vestir.
Olhou para seu armário e não encontrava nada que a
agradasse. Até, que se deparou com um conjuntinho de
blazer e short e uma blusinha transparente branca.
Apesar de ser uma coroa, ainda tinha um corpo esbelto e
quase tudo lhe caia muito bem. Já passava das duas e
meia quando Paulo chegou. Ele apertou a campainha, ela
logo veio atender.
- Quem e?
- E o Paulo, já está pronta?
- Você está adiantado. Entra. Ela abriu a porta e ele
entrou sorrindo. Aquele sorriso. Os dentes brancos, os
lábios carnudos e rosados. "Aquela boca foi feita para ser
beijada". Meu DEUS, que pensamento e esse? Se
contenha Anna.
- Me desculpa chegar adiantado, estava
ansioso pelo nosso encontro, afinal ontem pareceu ter
ficado um mal-entendido no ar.
- Não tem problema, estou terminando. Senta aí. Paulo
ficou encantado com aquela bela mulher, arrumada,
discreta e perfumada. Também ele não sabia dizer o que
estava sentido. Ele era um homem que nunca deu muita
importância a relacionamentos. Desde, que a sua esposa
faleceu não encontrara ninguém que o
interessasse, mas aquela mulher era diferente. Quando
ela voltou a sala, já estava pronta.
- Podemos ir?
- Podemos sim. No caminho os dois estavam em silêncio.
Olhavam pelo canto dos olhos certamente para tentar
entender porque eles estavam tão tímidos. É ela que
quebra o silêncio.
- Então? O que você faz mesmo?
- Sou advogado.
- Em que área?
- Criminalista. Mas se precisar outras áreas também.
- Então se eu matar alguém posso contar com você?
Disse sorrindo. Seu sorriso era iluminado, tinha uma
boca bonita, pensou ele.
- Você não seria capaz disso. Parece-me ser uma boa
pessoa.
- E sou mesmo. Você parece ser bom em julgar.
- Trabalho a muito com pessoas de todos os tipos:
Pessoas boas, outras ruins, umas nem tanto, enfim o ser
humano e poço de reações e emoções.
- Você e solteiro, casado?
- Viúvo.
- Oh! Me desculpe.
- Não se preocupe, já faz muito tempo.
- Não quis se casar de novo?
- Não encontrei ainda ninguém que valesse a pena,
minha esposa elevou muito o nível de mulheres que
poderiam me interessar. Assim não conheci ninguém que
se igualasse a ela.
- Tem filhos?
- Não e você?
- Sou divorciada, tenho dois filhos adultos, um é casado o
outro solteiro, moro sozinha, eles vêm de vez quando me
ver, mas não é sempre. Acho que deixei de ser útil,
então... Eles chegam ao bosque da barra e continuam
conversando como se conhecesse um ao outro a muito
tempo. Paulo fica maravilhado com a inteligência de
Anna e ela adora como ele explica as coisas para ela. Ele
pensa que ela poderia ser muito mais que uma operária.
Não que ser uma operaria seja algo ruim, mas ela parece
ter estudado muito. O tempo passa sem que eles
percebam e logo já e noite, ele vai levá-la em casa, ela
se sente como uma adolescente,
Na porta ela pergunta?
- Quer entrar?
Ele responde como se esperasse o convite.
- Posso?
- Claro, vamos tomar um café com torradas. Eles entram
e ela vai preparar o café, ele se senta na cadeira em
volta da mesa e fica observando ela se movimentar na
cozinha. A casa não é grande: Sala, cozinha, quarto e
banheiro. Mas é aconchegante e cheirosa, ele gosta de
estar ali. Apesar de a casa dele ser bem diferente, ele se
sente bem. Acolhido!
O café fica pronto e as torradas também, ela o serve e
eles comem em silêncio. Anna o olhava por baixo sem
saber o que dizer. Terminaram e foram para a sala de tv.
Ele se sentia em casa, só ela estava um pouco
desconfortável. Desde, que se separou nunca levara
ninguém na sua casa. Ele foi o primeiro a quebrar o
silencio.
- Gostei muito do nosso passeio. Podemos
repetir.
- Claro! Quando quiser, também gostei muito.
Ele olha no relógio e já passa das 22 horas e resolve ir
embora.
- Bom, a conversa ta boa, mas tenho que ir,
tenho uma audiência logo cedo.
- Eu também pego cedo no batente, foi um prazer de
verdade.
- Eu ligo para marcamos de sair novamente. Tchau! Ele
se vira e diz:
- Tem uma coisa que estou querendo desde
que nos encontramos!
- É? O que é? Ele se aproxima e a beija longa e
carinhosamente. Ela sentiu seu corpo desfalecer, ficou
quente e não teve como disfarçar o quanto estava
gostando daquele beijo, seu rosto estava em brasa. Ele
percebeu e sorriu veladamente. Ele foi embora deixando
ela ardendo de desejo por ele. Como era possível?
Reacender desejos a tanto tempo esquecido? Demorou
muito para dormir. Pensamentos pecaminosos passavam
por sua cabeça, esses pensamentos não a deixava
dormir. Foi preciso tomar um banho frio. Quando
conseguiu pegar no sono já era quase de manhã.
Como todos os dias, levantou, tomou seu banho, pôs o
uniforme, fez seu café e saiu. O ônibus da empresa como
sempre passou as 7:30 horas. Sua amiga estava lá,
sentada na última poltrona. - Bom dia! Amiga!
- Bom dia! Como foi o seu final de semana? Perguntou
Anna toda animada.
- Melhor impossível. Passei o final de semana todo com o
Miguel. Ai amiga, acho que estou me apaixonando.
- Mulher! Foi o quê? O terceiro encontro? Está muito
cedo para isso, tem que o conhecer melhor.
- Você e suas desconfianças, tem que se entregar, não
estamos mais na idade de ficar se privando das coisas ou
dos desejos. Se quer vai lá e faz.
- Não pode ser assim, olha o tanto de feminicídio. Temos
que nos cuidar!
- Eu não sou assim, me entrego quando estou gostando.
Acho até que vou chamá-lo para dormir lá em casa, só
dormir, vou dizer-lhe que não quero morar junto,
mas quero que fiquemos mais íntimos...KKK
- Você e louca mesmo! Então me encontrei de novo com
o Paulo ontem.
- Serioooooo? Conte-me tudo, não me esconda nada.
Quero até os detalhes mais sortidos.
- Fomos passear lá no bosque da barra. Ele e um homem
muito interessante.
- Não te falei, o Miguel me disse que ele e muito
reservado. Lembrei logo de você.
- Ele ficou de me ligar de novo, vamos ver. Elas chegam
a fábrica as 7:55 horas, batem o ponto e vão para seus
afazeres. A manhã corre como todos os dias sem
grandes acontecimentos. O alarme da fábrica toca
sinalizando que já e hora do almoço, as amigas almoçam
juntas. Durante o horário de almoço seu celular toca, era
Paulo.
- Olá! Está tudo bem?
- Tudo bem e você?
- Pensando muito em você, gostei muito do beijo. Anna
sente seu rosto queimar. Mas não deixou que ele
percebesse que ela estava tendo uma atitude de
adolescente, ela agradece a DEUS não ser uma chamada
de vídeo.
- Eu também gostei muito, já fazia bastante
tempo que não me sentia assim.
- Assim, como?
- Você sabe. Não me faça responder. Morro de vergonha,
já não tenho idade para esses arroubos.
- Quero ti, ver de novo. Marca o dia e a hora. Vou ficar
esperando ansioso.
- Pode ser quarta-feira. Jantar lá em casa.
- Para mim, está ótimo. Quer que eu leve algo?
- Só se quiser beber algo. Eu não sou de beber.
- Está bom, vou levar um vinho. Até lá.
- Até lá. Beijos! Oh! Me desculpe, acho que não temos
intimidade para isso ainda né?
- Não tem importância, vamos chegar lá. Ela desliga e diz
para a amiga: - Era o Paulo.
- Mentira! A coisa ta ficando seria hein? Quem diria?
...kkkk
- Séria demais. O dia passa que Anna nem vê. Fica as
voltas com seus pensamentos no jantar de
quarta-feira. Ela fica pensando nas coisas que podem
acontecer. "Será que vamos fazer amor? ". Que
pensamento e esse? Fica vermelha. Mas admite para si
mesma que pode acontecer. Tinha tanto tempo que ela
não se relacionava com ninguém que pensava ter
esquecido como é. Melhor ficar preparada diz para si
mesma. Vou me depilar, fazer as unhas. Acho que vou
num salão de beleza e fazer tudo que for necessário, não
quero passar vergonha. Na terça-feira é como todos dias,
se arruma, faz seu café e sai. As 7:55 chega a empresa e
vai direto falar com seu chefe. - Bom dia! Pedro.
- Bom dia! Posso ajudá-la? Pedro era um homem de meia
idade, era bondoso e tentava ajudar a todos.
- Só vim avisar que amanhã não vou poder vir trabalhar,
tenho algumas coisas para fazer e gostaria de ser
liberada.
- Precisa de ajuda?
- Não. São problemas corriqueiros mesmo. Ela não quis
entrar em detalhes.
- Você sabe que é uma funcionária exemplar, então não
vou impedir. Você pode faltar que eu ti abono.
- Muito obrigada! Pedro... fico feliz em fazer o meu
trabalho a contento. Ela vai para os seus afazeres, Divina
por vezes passa por ela e com uma cara muito
cínica e brincando diz: "Amanhã tem"... A hora do almoço
chega e elas vão conversar. Anna está muito ansiosa e
pergunta a amiga o que ela deve fazer para o jantar?
- Amiga, qualquer coisa que fizer vai ser bom, você e
ótima na cozinha. Não faz nada muito pesado, para
não atrapalhar. Kkkk
- Você não presta, acho que vou fazer um estrogonofe o
que acha?
- Boa... E simples e rápido.
- E de sobremesa acho que torta de maça.
- Hummmm... delicia!
- E isso. Já tenho o cardápio do jantar.