Anna acorda assustada, não estava em sua cama, ela olha para o lado e vê Paulo dormindo tranquilamente ela o chama baixinho.
- Paulo, acorda... preciso ir trabalhar. Você vai me levar? Tenho que passar em casa para me trocar. Ele responde baixinho.
- Mas hoje e domingo!
Anna sorri e se deita novamente. Paulo a abraça e pega no sono outra vez.
Eles levantam as 10:00 horas e vão para a piscina. O domingo passa que eles nem sentem. Gostam muito da companhia um do outro. Eles almoçam e vão descansar durante a tarde. Antes, porém se amam mais uma vez e dormem para recuperar suas forças. Ele vai levá-la em casa já a noite. Na casa de Anna ela reclama:
- Não lavei meu uniforme, agora e que são elas.
- Não tem problema eu te levo para trabalhar amanhã. Posso dormir aqui?
Ela sorri. Adora a ideia. Ela lava o uniforme e põe para secar. Eles acordam atrasados sendo preciso se desenrolar logo. Ainda dá tempo de tomarem um café. Ficam se olhando, como quem diz: A noite passada foi muito movimentada. Durante o percurso até a fábrica ele pergunta se vão se ver mais tarde.
- Então? Posso passar mais tarde para ti, ver. Já estou com saudades.
- Vou esperar ansiosamente, a que horas vem? Preparo o jantar?
- Não, você vai estar cansada, não quero perder tempo. Eu levo algo para nós comermos.
Eles chegam a fábrica e se despedem com beijo apaixonado. Ela desce do carro e se dirige a portaria da fábrica, mostra seu crachá e entra. Paulo fica olhando até ela sumir. Durante esse tempo ele pensa em como está gostando de Anna, ele nunca se sentira assim por mulher nenhuma desde que sua esposa faleceu. O amor que viveu com sua esposa foi algo apaixonante, eles eram muito unidos, porém depois de 7 anos de casados ela ficou doente. Durante um exame de rotina foi diagnosticada com câncer de útero. Depois de um ano de sofrimento ele viu seu amor morrer. Ela se foi. Paulo nunca mais encontrou em ninguém o jeito alegre e vibrante da esposa que no leito de morte o pediu para não deixar que sua morte tirasse sua credibilidade no amor, que ele procurasse amar de novo e fosse feliz com esse amor. Ele não perdeu a crença no amor, mas também nunca procurou por ele, Anna foi um acaso que ele acreditava ser coisa do destino. Foi com esse pensamento que voltou para casa, vestiu um terno preto e foi para o escritório como sempre fazia já há anos, mas dessa vez estava se sentindo feliz. Quando se encaminha em direção a porta Zulmira comenta:
- O senhor está diferente. Ele olha para ela e diz: A vida é bela Zulmira, a vida é bela! E sai. Zulmira se volta para ir cuidar de seus afazeres, mas se sente animada pelo patrão que ela serve há tantos anos.
Anna, entrou na fábrica e foi direto para o seu posto, estava muito contente e seu semblante demostrava isso. Durante o trabalho se lembrou várias vezes de Paulo, a cada vez que se lembrava dele, arrepios percorriam seu corpo e a deixavam com febre, sentia um calor que não sabia explicar. A manhã como de costume passou rápido e a chegada do almoço, trouxe. Divina cheia de perguntas.
- Então? Me conta, ele apareceu?
- Apareceu, desde sexta-feira que estamos juntos.
- Não me diga, e eu aqui toda culpada por passar o final de semana com o Miguel, feliz da vida.
- Amiga do céu! O que está acontecendo comigo? Irma foi o final de semana todo fazendo amor, meu pai que homem e aquele? E como pode eu ter tanta disposição assim? Explica-me.
- Só pode ser #¿$?%!¡ recolhido, já faz muito tempo amiga que você não tem ninguém. Você merece, sempre foi pelo outros, nunca pensava em você. Estava na hora.
- Fui à casa dele, acredita que ele mora só, quero dizer com os empregados da casa né. Uma meia dúzia de funcionários, ele e rico sabia? Fiquei com vergonha da minha casa.
- Olha! Ninguém fala hein.
- Então. A hora do almoço passa voando e elas voltam ao trabalho. A hora de ir embora chega! Elas embarcam no ônibus. Hora de descansar. Anna chega em casa toma seu banho e é um banho longo, se lembra da noite passada está feliz como nunca esteve. Paulo chega às oito da noite e traz uma pizza, com um vinho. A pizza e de calabresa e o vinho é tinto, após tanto tempo sem beber ela se arrisca a tomar uma taça com ele. Os dias passam e os dois se tornam cada vez mais íntimos. Anna custa a acreditar que está se relacionando com alguém e principalmente... está gostando. Ele era tudo que ela pedira a DEUS, carinhoso, gentil, prestativo, se importava muito com ela, mas tanta felicidade tinha que ter alguns percalços. Ela nunca falava dos filhos, Paulo achava estranho, mas nunca a questionou. Seu filho casado que a muito ela não via, se comunicavam apenas por telefone e mensagem liga, ela se afasta e Paulo fica curioso.
- Mãe?
- Filho... Como você esta? E a Mércia? Ta tudo bem?
- Então, está tudo bem, estamos ligando para dizer que vamos aí ti, ver esse fim de semana. Estamos com saudades.
- Que bom! Filho, vou ficar esperando vocês, e no domingo né? Faço almoço?
- Com certeza. Fica com DEUS, até domingo. Anna volta para o quarto pensativa. Paulo percebe e pergunta:
- Ta tudo bem?
- Tudo, era meu filho, diz que vem almoçar domingo.
- Que bom! Você quase não o vê, não é verdade?
- Paulo... Eu quero recebê-los sozinha, não quero ter que explicar sobre nós agora.
- Eu não entendo, mas se é assim que você quer. Paulo não disfarça o sentimento de chateação, ele não entende o porquê de querer escondê-lo de seus filhos. Mas fica calado. Ele se levanta e diz que vai embora.
- Ué? Não ia dormir aqui?
- Não é melhor ir embora. Nos vemos depois. Pode deixar eu sei onde é a porta. Anna sentiu a decepção de Paulo, mas ela sabia que o filho iria arrumar muitos empecilhos para o seu relacionamento. No dia seguinte, desabafou com a amiga na hora do almoço. Ela estava muito agoniada. Tentara ligar várias vezes para Paulo, mas esse não atendia.
- Irma estou sem saber o que fazer, ontem José Carlos me ligou, ele vem me ver no domingo, o Paulo estava lá em casa e eu disse-lhe que gostaria de receber meu filho sozinha, não quero ter que dar explicações sobre o nosso relacionamento, ele não gostou, foi embora com cara de quem comeu e não gostou. O que eu faço? Você conhece meus filhos, eles jamais vão aceitar eu estar me relacionando com alguém.
- Você sabe que eu jamais aceitei essa sua atitude quanto a seus filhos né, você e maior de idade, vacinada, cuida da sua vida, não pede nada a eles e deixa eles se meterem na sua vida. Para mim o Paulo está certo, você tem que assumir o caso de vocês. Desculpa amiga, mas você ta errada, uma hora ou outra você vai ter que abrir o jogo.
- Eu sei, mas não consigo, você me conhece e sabe como eu sou quando o assunto é meus filhos. Eles são tudo para mim. Agora o José Carlos, pode até ser que ele aceite porque ele escuta muito a Mércia e ela e a favor de que eu arrume alguém, difícil vai ser o Augusto aceitar. Desde que me separei ele não suporta nem ouvir falar de envolvimento da minha parte. Ele diz: "Se queria alguém. Ficasse com o meu pai". Ai amiga não sei o que fazer.
- Bom na minha opinião você deve procurar o Paulo e dizer-lhe que você vai falar com seus filhos a respeito dele. Ele deve estar bastante magoado.
- Eu sei, mas ele não me atende! A hora do almoço chega ao fim e elas voltam ao trabalho, Anna passa o dia pensando na decepção de Paulo. Enquanto está concentrada em seu trabalho, lagrimas rolam pelo seu rosto, imaginando o quanto ele se decepcionou com ela.
Na volta para casa ela resolveu que iria procurar por Paulo e explicar tudo a ele, ela sabia que seu relacionamento poderia estar no fim, afinal ela não queria que seus filhos ficassem chateados com ela. E como sempre eles estariam em primeiro lugar. Ela tomou um banho se arrumou e chamou um aplicativo. Ela entra no carro e se dirige rumo a residência de Paulo.
Chegando lá, ela se pronuncia e fica surpresa quando encontra uma moça sentada na sala. Ela devia ter uns 20 e poucos anos, corpo esbelto, muito bem vestida e pescoço empinado, olhou para Anna como quem diz: "Quem e essa operaria? ". Anna fica com ar desconfiado. Zulmira entra na sala e a cumprimenta.
- Boa noite! Sra. Anna responde em tom baixo.
- Boa noite! Eu não quero atrapalhar, mas gostaria de falar com Paulo.
- Sim, eu já avisei que a Sra. está aqui, ele já vai descer.
- Está bom. A desconhecida fita Anna de cima para baixo. A moça deve ser uns 10 anos mais nova que Anna. Ela fica pensando o que ela estaria fazendo ali. Sera que seria irmã de Paulo ou alguma prima distante mais nunca passou pela sua cabeça que ela seria a namorada, afinal ela está de olho no cargo. Paulo desce as escadas e fita Anna, não esperava que ela o procurasse, ele sabia que ela era muito orgulhosa para isso e ficou surpreso.
- Boa noite! Anna. Aconteceu algo?
- Não, só gostaria de falar com você.
- Está e Soraya uma cliente.
- Soraya está e Anna minha namorada.
- Prazer! Disse Soraya em tom de desdenho.
- Olá, tudo bem? Não quero atrapalhar, posso voltar outra hora já que está ocupado com sua "cliente". Respondeu ela ironicamente. E se dirigiu para a saída, ela sentiu que não tinha mais o que fazer ali. Paulo foi atrás dela e conseguiu alcançá-la no jardim a segurou pelo braço e disse:
- O que foi? Porque está assim? Ela e só uma cliente.
- Não sabia que você fazia atendimentos noturnos.
- Ela me ligou mais cedo, disse ter algo importante para esclarecer sobre o caso dela, e só isso. Amanhã temos uma audiência e estamos correndo contra o tempo, mas é só isso, o que quer falar comigo?
- Não importa, pode esperar. Quando sua audiência passar, conversamos, agora larga o meu braço, meu transporte já está esperando. Ela saiu sem olhar para trás, deixando Paulo a olhando e pensando no que acontecera.
Ele entra e encontra Soraya sentada no sofá. Paulo sabia do interesse dela sua pessoa, mas nunca deixou passar do profissional e ela está ali naquele momento realmente era algo inusitado.
- Então, vamos ao que interessa. O que você gostaria de dizer sobre o seu caso?
Soraya tinha 25 anos e buscava condenar seu ex-marido por tê-la agredido e colocado algumas imagens comprometedoras na 'internet' ele era um grande empresário no ramo imobiliário, ele não admitia as agressões de jeito nenhum e a família dele também não aceitava tal situação. Paulo era seu advogado, porém Soraya tinha um interesse muito grande nele, desde que se conheceram. Mas não era recíproco, ela sempre deixou claro seu interesse, mas Paulo só tinha olhos para Anna e naquele momento Paulo teve medo que tudo acabasse.
Anna chegou em casa arrasada, como se seu mundo tivesse sido bombardeado. Ela que foi lá para que as coisas não ficassem muito estranhas, acabou que tudo ficou mais estranho ainda. Ela não conseguia pegar no sono pensando em Paulo, pensando nos filhos e pensando como ela faria para que as coisas voltassem a ser como antes.
O domingo chegou! Anna levantou cedo, não conseguia tirar Paulo da cabeça, ele mandara algumas mensagens, mas ela não respondeu. Achou melhor deixar as coisas esfriarem para eles voltarem a conversar. José Carlos e Mércia chegaram, já era umas 10 horas, como ela estava com saudades de seu filho, ele como sempre a abraça, e Mércia também te dá sinais de carinho.
- Como você está mãe? Desculpa-me ficar tanto tempo sem vir te ver, mas a senhora sabe é a correria da vida.
- Como vai sogra? Ta bonitona hein, já arrumou um namorado ou qua.?
- Estou bem meus filhos, eu sei como as coisas são. E não, não arrumei ninguém. Disse ela mentindo. José Carlos pergunta sobre Augusto criticado por passar tanto tempo sem dar notícias. Ele ama a comida da mãe. Mércia chega a ficar enciumada, mas concorda com ele, sua mãe manda muito bem na cozinha. A tarde passou sem grandes acontecimentos, assistiram filmes, dormiram um pouco e logo chegou a hora de irem embora.
- Mãe, temos que ir.
- Está cedo meu filho, fica mais um pouco.
- Você sabe moro longe e amanhã pego cedo no trabalho.
- E verdade sogrinha, amanhã temos trabalho logo cedo.
- Mas prometo que virei mais vezes ver você.
- Está bom, fico esperando. Eles se despedem e vão embora. Ela entra em casa e vai arrumar algumas coisas que ficaram fora do lugar. Já era quase, oito horas quando a campainha tocou. Era Paulo.
- Oi, quem é?
- Sou eu Paulo. Abre para mim.
- O que você está fazendo aqui? Ele não responde. Ela abre sem falar nada. Ele fica um tempo parado na porta. Depois de alguns minutos ele entra.
- Estava com saudades.
- Serioooooo? Eu sempre estive aqui. Mas acredito estar muito ocupado com sua "cliente" não e?
- Anna, para com isso, ela e só uma cliente mesmo, juro. É com você que eu estou.
- Cliente a gente trata no escritório, não na sala de casa.
- O problema aqui não sou eu. É você que quer me esconder das pessoas, eu não sei porquê. Mas é você que julga que não devo aparecer. Porquê? Eu te apresentei a maioria das pessoas que convivem comigo, só não te apresentei meus filhos porque não os tenho.
- Olha Paulo, você tem que saber que sou uma mulher que ama muito os filhos, e para eles eu ter alguém é algo que eles não digerem bem. O que eu quero evitar e você ter momentos constrangedores com eles. Não é vergonha de você, é medo de que você saia maltratado por eles.
- Então como vai ser, toda vez que eles aparecerem devo sumir. Você acha isto certo? Eu não tenho medo deles, eu só quero estar bem com você. Por favor, eu quero você... muito. Diz Paulo dando beijinhos em seu rosto, fazendo ela suspirar e se entregar a ele com toda força do seu corpo. Eles se amaram cheios de paixão e luxuria.