O que foi isso? Seria uma trégua? Ele teve o que queria, poderia talvez agora conversar sobre como eu o pagaria os valores que o devo, tem que ser isso. Ótimo! Levantei correndo e terminei o banho, o estômago roncando de fome, peguei um roupão verde que estava ao lado do boxe e vesti, era dele, pelo jeito que me vestiu, ficou simplesmente gigante, muito maior até do que as roupas que eu usava, mas não havia nenhuma toalha, ou qualquer outra coisa para vestir ali, ele deve ter tirado tudo enquanto eu dormia, apenas para me infernizar, mas eu não sairia nua, não lhe daria esse prazer.
- Isso me pertence – Ele disse assim que saí pela porta do banheiro
- Não tinha nada para eu vestir lá...
- Não importa! Tire! – Ele ordenou
Desgraçado, já não basta tudo que fez com meu corpo, ainda precisa me humilhar desse jeito.
- Mas, eu... – Tentei argumentar, não queria ficar exposta a ele novamente.
- Parece que você tem algum problema de memória Anastácia, lembro-me muito bem de tudo que te falei mais cedo, mas parece que você sente prazer em me ver sendo repetitivo, o que me irrita profundamente. – Ele se levantou da cadeira e seguiu até perto de mim – Não vou mandar de novo – Falou com um tom de voz cortante, estendendo a mão para que eu lhe entregasse a peça.
Eu nunca fui medrosa, sempre enfrentei todos os meninos da rua quando criança principalmente quando me zoavam me chamando de nerd, batia em todos, sempre coloquei medo nos outros por causa de meus olhares desafiadores e minha postura séria, agora eu entendo o sentimento que eu causava, esse homem me apavora. Desistindo de questionar acenei com a cabeça, abrindo o roupão e entregando a ele e tampando meus seios com os braços. Assim que o fiz ele pegou e vestiu o mesmo, sorriu de lado e se sentou na cadeira que estava anteriormente.
- Sente-se e coma! – Ordenou – Quero que esteja bem disposta para mim.
- O que você vai fazer? – Perguntei, desistindo de acreditar que tínhamos algum tipo de trégua.
- Vou apresentar você – Respondeu com malícia e deboche na voz.
- Me apresentar? Como assim? – Dessa vez eu realmente não sabia do que ele estava falando
- Se você não se lembra querida, fui vítima de um assalto milionário, preciso mostrar que capturei o culpado e estou fazendo-o pagar, então vou te apresentar para todos chefes criminosos do submundo. Todos vão saber o que acontece com quem ousa me roubar!
- Não entendo...
- Você será apresentada como minha prostituta particular, todos saberão quem você é, e a quem você pertence, saberão que essa é a sua punição por me roubar, tenho que mostrar aos outros que capturei você, e sou um pouco obsessivo com as minhas posses, então não quero que ninguém toque em você ou tente te ajudar, caso eu tenha vontade de te levar a algum evento que eu vá, estou apenas sendo prevenido, então o quanto antes saberem a quem você pertence, antes você ficará completamente sozinha, a minha mercê.
- Você quer dizer que? – Meu coração gelou, ele não podia estar falando sério.
- Isso boneca! Você agora é minha propriedade, meu patrimônio! Todos dentro do crime organizado a nível nacional saberão a quem você pertence, não importa para onde você corra, sempre te trarão de volta pra mim! Essa é uma parte da sua sentença!
- Isso não é justo! Você já transou comigo, isso deveria pagar pelo meu crime, e agora eu só deveria roubar para te devolver os valores, eu não posso viver o resto da minha vida pagando por isso! Não posso ficar para sempre a sua mercê, eu não mereço isso. – Eu não podia ser exposta dessa forma caralho, homem dos infernos, com meu rosto em cheque, meu irmão capturado, a repercussão que esse roubo teve, não demoraria muito até associarem outros roubos não solucionados a mim, eu sabia muito bem que mesmo meu irmão tendo sido capturado no meu lugar, e Saulo era um desastre manuseando um sistema, pouquíssimas coisas ele foi capaz de aprender comigo, então provavelmente ainda estavam a minha procura.
- Você não achou que uma foda apenas seria o suficiente né? Eu adorei a sua boceta, e mesmo ela sendo virgem, não vale duzentos milhões querida, e sim, você merece muito mais que isso querida, você tem sorte que eu gostei muito de você, se não nem estaria mais aqui para contar história, agora me obedeça, sente-se e coma! Preciso de você disposta e bem alimentada - disse com ar de deboche
Controlando todo o ódio que sentia fechei minha boca para pensar melhor sobre tudo isso, antes que eu perdesse meu autocontrole, segui em direção ao armário, com o intuito de pegar uma roupa, e ao menos cobrir meu corpo, já que ele fez questão da porra do roupão além de jogar toda essa bomba nas minhas costas. Senti seus olhos me acompanharem.
- O que está fazendo? - perguntou
- Vou me vestir!? - falei incerta
- Mandei você comer, não se vestir! Pensei que você fosse mais inteligente querida, pensei que fosse capaz de seguir uma ordem simples, Anastácia - debochou de mim, sádico maldito.
Engolindo meu orgulho, deixei o closet pra trás e segui até a mesa com a cabeça erguida, ele não ia tirar minha dignidade. Puxei a cadeira a fim de sentar e comer a maldita comida, pensando que essa era talvez a primeira vez na minha vida que eu simplesmente não sentia vontade de comer.
- O que está fazendo? - escutei ele perguntar novamente, havia humor na sua voz, esse homem estava me testando de todas as formas possíveis.
- Por acaso é incapaz de enxergar? - perguntei com deboche, não deveria ter feito isso, mas foi mais forte do que eu.
- Parece que minha putinha ainda não entendeu quem é o seu dono, e como ela deve tratá-lo. - Ele respondeu olhando pra mim, com a sobrancelha erguida.
- O que você quer que eu faça? - perguntei irritada, com os dentes cerrados, ele com certeza me faria perder a cabeça.
- Quero que se sente pra comer! - disse como se fosse óbvio.
- Era o que eu estava tentando fazer! - Exclamei incrédula.
- No meu colo docinho! - ele sorriu ao falar isso, maldito. - É aqui que você vai se sentar pra comer. - ele jogou o tronco pra trás enquanto se ajustava na cadeira pra que eu sentasse em cima dele.
- Você está de brincadeira né? - perguntei sem acreditar naquela baboseira
- Pareço ser o tipo de homem que brinca? - seu olhar foi claro, foi impossível retrucar.
Pisquei algumas vezes para absorver aquelas palavras, rendida e humilhada fui me sentar em seu colo. Suas pernas eram longas, era só eu ficar na pontinha, sentei em cima de seus joelhos, meus pés não tocavam o chão, ele realmente precisava ser tão grande? Ele não se mexeu, então peguei um prato para me servir, tristemente desanimada com a comida.
De repente ele passou as mãos em minha cintura e me puxou para trás num puxão rápido, depois usou as mãos para abrir minhas nádegas acomodando-me bem em cima de sua protuberância, ele já estava duro, eu tremi, perdi qualquer vestígio de fome, e olha que a minha fome nunca costumava ser pequena, mas dessa vez ela evaporou, era claro o que aconteceria assim que eu terminasse. Larguei o prato e bebi um pouco do suco, foi o suficiente para me sentir estufada, não queria comer mais nada dali.
- O que está esperando? Coma! - ordenou impaciente.
- Não estou com fome!
- Já avisei que quero que você recupere o peso que perdeu, então não me interessa se você está com fome ou não, você vai comer o mínimo necessário antes de me servir novamente! Agora comece a comer por bem antes que eu seja obrigado a colocar a comida pela sua goela a baixo.
- Ok! - respondi sentindo vontade de arrancar a cabeça dele com as minhas próprias mãos, o que eu ia fazer pra me livrar desse homem.
Peguei o prato novamente e coloquei um pouco de comida ali, comi o quanto fui capaz de aguentar, nada tinha gosto, era como areia descendo pela minha garganta, e ele preguiçosamente passava as mãos em meu corpo nu, apertando meus seios, esfregando minha bunda contra sua intimidade, abrindo minhas pernas e passando-as ao redor das suas, tocando minha intimidade.
- Já está satisfeita? - ele perguntou em dúvida quando eu desisti de tentar comer mais alguma coisa, simplesmente não descia mais nada. Acenei positivamente com a cabeça.
- Tem certeza? – Acenei novamente
- Se você diz, por hora será o suficiente, porém depois você vai comer mais, é uma ordem, agora levanta e vá pra cama, coloque-se de quatro e me espere.
Respirei fundo e fiz um sinal positivo leve com a cabeça, ele não vai me dar um minuto de paz, como alguém que vai pra forca fui até a cama e me posicionei para que ele usasse novamente do meu corpo conforme sua vontade.
- Boa menina! Quanto mais obediente você for, melhor será a sua vida! - ele disse enquanto tirava a própria roupa!
Senti o momento que ele subiu na cama e novamente um gel frio escorrendo pela minha bunda, depois ele espalhou pelo meu orifício fazendo-me lembrar de sua promessa de mais cedo.
- Martin, eu...
PLAFT! Ele acertou em cheio minha bunda, com tanta força que se ele não estivesse me segurando eu com certeza teria sido jogada até a cabeceira da cama.
- SENHOR PORRA! - ele gritou irritado
- Desculpe senhor, eu... Por favor... Senhor... Isso não... - Tentei argumentar, meu desespero era quase palpável nesse momento.
- Quem escolhe isso sou eu!
- Isso não, por favor! – Tentei desesperada, mesmo consciente de que não haveria muito como lutar contra ele naquele momento.
- Quem decide sou eu - Provando suas palavras ele seguiu espalhando aquele gel e enfiando um dedo atrás de mim - Vou arregaçar você vadia, vou fazer você se arrepender dia após dia de ter se metido comigo! - sussurrou no meu ouvido, havia riso em sua voz.
- Ahhhhhhhhhhhhhh – Gritei involuntariamente enquanto sentia a dor, ele segurou meu quadril com mais força que o necessário, deixando claro que não me deixaria sair dali e começou a entrar em mim, senti minhas pregas rasgando a cada centímetro, porém ele não parou até que entrasse tudo, me fazendo sentir uma dor excruciante, tanta dor que senti vontade de vomitar na hora, meu corpo tremia todo.
- Eu ia ser mais gentil, mas você é desobediente demais, mereceu isso! - Ele falou com deboche, mas contradizendo as próprias palavras, ficou parado por um tempo, aguardando minhas paredes se adaptarem a ele.
Tão logo se sentiu confortável ele começou a investir novamente, entrando e saindo, cada vez mais forte, forçando meu corpo até que eu estava praticamente deitada na cama, com a bunda empinada e aberta para ser desfrutada por esse monstro, quando finalmente se libertou e gozou tudo dentro de mim, dessa vez mais rápido que da vez que ele me deflorou.
- Limpe-se e se vista, use algum vestido bonito e passe um pouco de maquiagem, venho te buscar em 1hr para lhe apresentar - Escutei sua voz enquanto ele saia do meu corpo. Em pouco tempo ele se vestiu e saiu do quarto.
Continuei deitada não sei por quanto tempo, tentando absorver tudo que eu tinha passado nas últimas horas, estava tão frustrada, que estava quase desistindo de lutar, ele era um monstro, usando meu corpo conforme sua vontade, de formas tão degradantes. Abracei minhas pernas controlando a vontade de chorar por estar naquela situação de merda, queria desistir de tudo, não queria sair dali, nunca mais comeria, iria morrer de fome, mas não iria mais me render a esse maldito. A vontade de vomitar vinha e ia a cada respirada que eu dava, estava me sentindo enjoada, o corpo todo dolorido, ele não era nem um pouco gentil, senti vontade de que minha vida acabasse naquele momento, não tinha forças para me levantar, não tinha forças pra lutar, não tinha nada em minhas mãos que pudesse me ajudar a sair desse buraco em que eu me enfiei.
Maldita hora que eu fui me meter com essas pessoas, se não fosse meu orgulho besta, eu estaria vivendo minha vida do jeito que sempre foi, minha pobre mãe me avisou diversas vezes quando ainda estava no hospital e descobriu o que eu fazia com um computador nas mãos, me pediu para não me lançar nessa vida de crimes, que um dia eu me daria muito mal. Por que eu não a escutei, lamentei.
Precisava de um plano bom pra sair daquele lugar, principalmente antes dessa maldita apresentação que ele inventou, se todos desse meio me conhecessem como propriedade dele, eu estava assinando a minha sentença de escravidão ali mesmo, se associassem o roubo ao The Robot, cedo ou tarde a desconfiança cairia sobre mim, eu estaria então assinando minha sentença de morte, não foram poucos criminosos que eu roubei durante todo o tempo, uns descobriram outros não, e os que descobriram queriam a porra da minha cabeça, ninguém sabia exatamente quem eu era, mas com alguma investigação, não seria tão difícil chegar até mim.
Ninguém mexeria comigo, não sabendo que eu estava sobre poder do Martin, mas também ninguém me ajudaria, Martin era o chefe do crime mais respeitado do país, ninguém ousava mexer com ele, todos que tentavam não viviam para contar história, eu seria sua primeira exceção, lamentava que não tivesse tido o destino dos outros, a morte era menos humilhante que isso.
A muito custo, me levantei, reunindo o máximo de coragem que me restou e fui me limpar da sujeira que ele tinha feito comigo, achei o armário e procurei alguma roupa confortável que eu pudesse usar, havia uma imensidão de vestidos curtíssimos, calças justas, saias curtas e blusas decotadas, roupas que marcavam demais o corpo, e eu detestava qualquer roupa assim, minha expressão deveria estar ridícula ao olhar tudo aquilo, só havia roupa de puta nessa porra? Ah, claro, agora era isso que eu era, segundo o chefão de merda, aposto que ele escolheu essas roupas para me fazer lembrar isso constantemente.
Ele me mandou usar um vestido, mas eu odeio vestidos, de qualquer tipo, então vou usar o que eu quiser, depois de muito procurar, consegui achar um jogo de moletom para frio, era pequeno, diferente do que eu costumava usar, na verdade, se eu fosse totalmente honesta, era o tamanho certo para mim, porém eu só comprava roupas três números maiores do que o meu, exatamente pelo fato de eu detestar chamar qualquer tipo de atenção para mim, mas infelizmente diante das opções, era o que tinha e isso teria que servir.
Vesti o jogo de moletom azul bebê, me sentindo como uma criança com aquele tamanho e cor de roupa, olhei no espelho pensando o quanto eu estava estúpida vestindo aquilo, olhei a maquiagem disponível, mas não fazia ideia de como usar, ou para que serviam tantos pincéis e potes diferentes, então apenas ignorei. Tentei não me abalar demais e pensar numa estratégia, penteei meus cabelos e os prendi em um coque alto, como sempre costumava usar, me dava muito mais mobilidade do que eles soltos, além de ficar bem acomodados no capuz dos meus casacos.
Assim que terminei de me vestir fui espiar a janela e descobri que era uma porta que dava para uma varanda, mas estava trancada, observei o que deu aquela distância, havia um pátio longo, não parecia que estávamos no Brasil, o tempo estava bem fechado, parecia que em breve cairia um temporal, pelo perfil da casa, estávamos em alguma mansão, aquele quarto era uma cela, agora seria minha oportunidade de sair, tinha que aproveitá-la, eu precisava observar todo o espaço que eu fosse andar e desenhar a planta em minha mente, dai seria mais fácil entender como a mansão funcionava e traçar assim uma rota de fuga.
Preparada para tudo, sentei na cama e esperei pelo meu algoz, em breve ele estaria aqui para me lembrar de sua presença, e em breve eu estaria bem longe dali. Assenti aos meus próprios pensamentos, confiante de minhas habilidades.