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Dois Chefes & Uma Escolha
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Capítulo 4 IV

Ao retornar para o andar inicial, onde aparentemente ficavam os melhores artistas, a jovem despediu-se da companheira de poucas horas e seguiu até a sala do Sr. Hoffman. Batendo na porta fechada, pôde vê-lo através do vidro, centrado no projeto; assim que a viu, autorizou sua entrada imediatamente.

"Com licença Sr. Hoffman", disse ela, entrando devagar na sala. "Conseguiu terminar o projeto?", perguntou, se aproximando de sua cadeira. O profissional respondeu que sim e perguntou a ela como fora o tour. "Inspirador", iniciou ela. "Não sabia que o lugar era tão pessoal assim", mencionava, falando sobre como as artes eram projetos dos próprios funcionários.

"Na verdade, está em constante mudança, srta. Hanson", disse Doug, levantando-se de sua cadeira, caminhando rumo ao quadro branco que ainda exibia o projeto da árvore roxa. "Sempre que um de nós tem uma ideia, somos livres para a colocar na parede. É claro que precisamos avaliar isso antes, caso contrário o local inteiro não teria uma única gota de branco", brincou ele. "A propósito, Amon deve permitir uma pintura sua também". Hanson refutou que ainda era muito nova para isso. "Me desculpe, srta. Hanson, mas acha mesmo que isso impediria?", indagou ele, tendo certeza de que a garota já fazia parte do time. "NAA não escolhe com frequência à toa. Só os melhores, jovem, só os melhores", disse ele, consultando o relógio. "De qualquer forma, está na hora do almoço, então como prometido, irei levá-la comigo", afirmou ele, ajeitando o terno e dando uma última conferida na sala, antes de escoltar a garota para fora e fechar a porta. Ela perguntou sobre Amon, mas Doug disse que ele ainda estava ocupado.

"Estamos todos correndo nesse semestre, muitos projetos aqui e ali e o prêmio de MIAP agitaram tudo mais um pouco. Não vai demorar muito para repórteres aparecerem querendo saber tudo o que está acontecendo", mencionou ele, andando junto dela pelos corredores, onde um segurança imediatamente começou a acompanhá-los.

No elevador, Paige parecia notar obras que não havia visto antes, Doug percebera sua distração e comentara que o objetivo era exatamente aquele, fazer com que independentemente das vezes que se fosse usado, o elevador deveria prender a sua atenção. Grande parte das pessoas tinha medo de elevador, ou se sentiam desconfortáveis em um. O prédio da NAA era grande demais para obrigar essas pessoas a ter de utilizar as escadas, então grande parte do orçamento foi investido em infraestrutura de elevadores, criando ainda mais segurança, bem como na criação das artes, a fim de entreter a pessoa durante o curso. Os elevadores também sofreram um leve ajuste no tamanho, para assim limitar o medo de quem era claustrofóbico. Muitas pesquisas apontavam um índice alto de depressão e ansiedade em artistas, trabalhando no ramo e tendo uma empresa de grande porte, Amon sabia que, na prática, tudo aquilo era real, então o menos de estresse possível que poderia causar aos seus subordinados, ele fazia.

Em certas ocasiões, a NAA aparecia como uma das "melhores empresas para se trabalhar", entretanto, aparecia constantemente nas páginas de "empresas que não aceitam currículo". Era mentira que a empresa não aceitava currículos, na verdade, a equipe aceitava de ótimo grado, a questão era que ninguém sem formação superior teria uma única chance na empresa, logo qualquer currículo sem aquilo era de fato descartado, deixando bem clara a informação no próprio site. A outra questão era que para empresas grandes valeria a pena contratar somente funcionários de processos seletivos grandes como o MIAP, o que justificava mais uma vez a razão de currículos não valerem a pena.

Ainda chovia quando a dupla desceu do carro a caminho do restaurante escolhido por Doug. Como esperado, foram escoltados pelos seguranças até a entrada, onde em segundos se sentaram em uma das mesas do canto; deram leves batidas em suas roupas a fim de se livrar de qualquer gota de chuva que tivesse os atingido no caminho.

Não demorou muito para que uma das garçonetes se aproximasse para anotar o pedido. Não era incomum Doug ser reconhecido por onde passasse, visto que seu rosto e fama estavam estampados nas telas com frequência, mas Paige devia admitir que o fato de ninguém sequer olhar para Hoffman era um tanto quanto intrigante. "Não se preocupe, srta. Hanson", começou o designer, enquanto lia o cardápio. "Frequento este lugar com tanta frequência que todos já estão cansados da minha cara", brincou ele. Ela riu de volta, também analisando as opções do cardápio. Cerca de alguns minutos depois, a garçonete retornou com o bloquinho de anotações mais uma vez, pronta para anotar os pedidos.

Enquanto esperavam, Paige não deixava de reparar em como Hoffman era ainda mais bonito pessoalmente do que nas revistas e entrevistas que vira. Ele parecia bem mais novo também, um homem muito bem conservado. Haviam boatos de que estivesse saindo com alguém, uma vez que todos tinham conhecimento de que não era casado, o que fez surgir uma quantidade generosa de garotas interessadas. Em algumas entrevistas, até arriscavam perguntar sobre sua vida pessoal e ele costumava responder da forma mais neutra possível, então no fim das contas ninguém sabia se ele estava ou não conhecendo ninguém; aquele fora um dos pensamentos que passara na cabeça da garota enquanto esperava por seu prato. Hoffman parecia inquieto também.

"Srta. Hanson", disse, chamando a atenção dela. "Por qual razão não decidiu levar a ideia de fazer a loja física adiante? Se me permite perguntar, é claro", justificou-se ele, mantendo ainda a formalidade. A moça o questionou como ele sabia sobre aquilo. "Eu fui uma das pessoas que se ofereceu para o projeto", mencionou ele, sem rodeios. Paige ficou perplexa e não sabia o que falar. "É claro que não usei o meu nome, utilizei um pseudônimo, mas ainda sim fiquei surpreso com a recusa". Paige entrou em choque e disse que não fazia a menor ideia de seu interesse. "Não se preocupe com isso", ele explicou. "Apenas fiquei intrigado pela recusa de levar adiante, quer dizer, é um projeto muito interessante, na verdade, presumo que tenha sido sua carta de entrada na NAA", contou ele. "Lembro-me de Amon comentando sobre ele".

"Está falando sério?", vibrou ela. "Eu realmente não acredito. Foi um trabalho tão difícil, eu mal consegui o desenvolver", contou ela. "Não achei que teria uma repercussão tão grande'.

"Não seja modesta, srta. Hanson. Tenho certeza que algo como aquilo atrairia muitos clientes. Espero que não tenha decidido imutável sobre ele", disse ele, ajeitando-se na cadeira, reparando que os pedidos estavam chegando.

"Confesso que eu não soube como agir quando apareceram as propostas, eu não estava mesmo esperando por elas, sequer achei que seria selecionada", confessou ela, também notando a chegada do almoço. Doug disse para ela acreditar mais no potencial.

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