Vestiu a calça imediatamente e passou a mão pelos cabelos dela e aos seus, ofegante de ter acelerado seus desejos. "Vá. Você tem trabalho", disse ele, dando a volta em sua mesa, esperando que ela recolocasse a calcinha e se endireitasse. "Não quero que desconfiem. Vá, isso não foi nada, você consegue andar", disse ele. Paige lhe lançou um olhar curioso, sabendo que ele poderia fazer muito mais do que aquilo, e ela queria, ela queria mais. Obedecendo às ordens do CEO, ela deixou a sala discretamente, se encaminhando para a sala de Hoffman, que ainda devia estar a espera dela.
Haviam se passado quinze minutos desde que Hoffman recebera seu novo projeto. Para evitar perderem tempo, encaminhou Hanson para o trabalho, assim que ela retornou a ele. Desde o almoço, pensara sobre a loja física da jovem, já que ainda não tinha um motivo claro para entender a rejeição dela; dinheiro não era problema, pois acreditava que sua oferta era generosa o suficiente. Talvez Paige fosse do tipo humilde demais e não aceitasse tanto, mas pelo pouco que a conhecera não tinha base suficiente para dizer com todas as letras se a informação procedia. Sentou-se em sua mesa e esperou que ela fizesse o mesmo. "Sei que já pedi desculpas pela correria", disse ele. "O que Amon disse a você?", perguntou ele, curioso. "Você demorou".
"Falou sobre a empresa e me deu as Boas-vindas", mentiu Hanson, sentando-se em sua nova mesa, ela não tinha que dizer nada a ele. "Vamos ao que interessa, o que o cliente pediu?", perguntou ela, lendo sua cópia do projeto entregue por Amon antes que deixasse a sala. Doug explicou em detalhes que fariam um logotipo para um bar novo que abriria em Seattle, e que o cliente era muito importante para que recusassem o projeto.
"Amon costuma empurrar trabalhos que odeio para meu setor, especificamente para mim. Uma forma de punição, talvez?", contou ele, rindo. "Algumas pessoas não sabem superar certas coisas", mencionou ele, talvez indiretamente. Paige, curiosa, o questionou sobre o que ele estava falando. "Digamos que Amon tenha dificuldade em entender o que é propriedade dele e o que não é", falou, olhando para Paige, mas desviando o olhar para os seios que ela exibia, visto não haver endireitado a roupa apropriadamente. Hanson percebeu o olhar e imediatamente subiu a roupa, disfarçando, mas não hesitou em fixar seus olhos aos dele, indicando haver entendido o que ele queria dizer. Doug não devia perder para Amon em questão de porte físico, mas ela não daria o primeiro passo. O chefe havia fodido ela, já estava no padrão mais alto, ainda que Doug tivesse mais presença que o próprio Amon.
"Nem todo mundo pode fazer ou ter algo grandioso", disse ela, tentando o alfinetar.
"Não me entenda mal, posso trabalhar em projetos pequenos às vezes", ele alfinetou de volta, desfazendo o contato visual e retornando o foco para o papel. Paige tinha certeza que ele parecia incomodado com os comentários dela. Talvez Doug e Amon não se davam tão bem quanto pensava? Será que valia a pena brincar com algo que já estava entrelaçado?
Durante as primeiras duas horas que passaram juntos, sofreram cerca de quatro interrupções de outros funcionários, a maioria perguntando sobre projetos já deixados para Doug, e outros querendo saber de novos trabalhos. Hoffman agia com total educação na frente dos convidados, mas assim que saíam, Paige notava que ele parecia querer xingar alguém. Não era a primeira vez que vira alguém tão atarefado, na verdade, ela mesma já tinha vivenciado tais situações. Antes de entrar na faculdade, fazia alguns bicos de garçonete, e realizava alguns cursos, já que podia utilizar seu salário todo nesses investimentos. Quando entrou na faculdade, começou alguns trabalhos de freelancer e até arriscou estágios mais rápidos, foram períodos imensamente conturbados na época, era muito para se lidar, principalmente sendo alguém tão jovem e sem experiência. Na época, morava em Detroit, sua cidade natal, onde viveu sua vida toda.
Alguns minutos mais tarde, Hoffman fez uma pausa para o café, convidando Hanson como companhia, se viu surpreso quando a jovem recusou o convite, alegando que não estava com fome. Ele deixou a sala, mas não antes de reorganizar a pilha de papéis em branco. Paige continuava, no mesmo lugar em que se sentara, havia uma prancheta de tamanho padrão A4 em sua frente, com algumas folhas também em A4, algumas brancas e outras de tonalidade creme, todas de gramatura tradicional, ou seja, finos demais para qualquer projeto minimamente importante. Hanson gostava muito de itens de papelaria; em sua adolescência, obrigava a mãe a comprar diversos materiais para começar o período letivo, mas ao contrário da maioria dos estudantes, ela utilizava cada item, até demais. Quando criança, fora uma criança muito criativa, sempre se interessara por arte, por isso seu caminho até o sucesso foi aberto gradativamente ao longo da vida.
O briefing do trabalho novo tinha algumas regras, o cliente exigia que a cor predominante da logo fosse magenta, mas era discrepante com a proposta do bar, não fazia sentido, não tinha identidade naquilo. Haviam ainda algumas ideias para utilizar na criação do nome, era tudo bem amador e digno de irritar qualquer profissional; ela nem imaginava por onde começar. Após alguns falhos esboços de criar uma tipografia que lembrasse uma era medieval, como pedido no trabalho, notou a presença de Hoffman de volta.
Hoffman se aproximou da mulher com uma xícara de chá. "Pare de se matar com o trabalho. Pegue, é de maçã", disse ele, oferecendo a xícara. Ela sorriu em agradecimento e aceitou o gesto, hesitando em parar o trabalho. "Um clássico sabor americano", disse ele, sentando-se perto dela. "Algum avanço no projeto? Vi que está desenvolvendo a tipografia, interessante. Gosta disso", perguntou ele, bisbilhotando a prancheta. Hanson comentou que gostava de criar, mas naquele caso se viu obrigada a agradar um cliente de alto padrão. "O empreendedorismo de Seattle está crescendo. O nível de inovação está muito maior. Continue assim", confortou-a. "Posso te mostrar mais tarde o andamento de alguns projetos mais recentes, se quiser", disse ele, esperando ansiosamente que ela aceitasse.