Clímax
img img Clímax img Capítulo 3 Êxtase
3
Capítulo 6 A declaração img
Capítulo 7 O medo img
Capítulo 8 Fim do descanso que comece a caçada img
Capítulo 9 Busca implacável img
Capítulo 10 Refém do próprio corpo img
Capítulo 11 O fantasma do passado img
Capítulo 12 Frio e distante img
Capítulo 13 Despedida silenciosa img
Capítulo 14 home sweet home img
Capítulo 15 Sensações img
Capítulo 16 A invasão img
img
  /  1
img

Capítulo 3 Êxtase

- Allison? Allison, você está bem?

- Sim, estou. É que me lembrei do pendrive.

- Que pendrive?

- O que recebi no restaurante. Eu não o coloquei na mochila; não queria correr o risco de perdê-lo.

Levantei-me correndo e fui até o quarto, onde estavam minhas roupas retalhadas do rápido atendimento médico, ainda dentro do saco plástico que recebi do hospital.

Os tecidos estavam grudados e endurecidos pelo sangue seco. Um forte cheiro salgado de ferrugem me atingiu em cheio, fazendo meu estômago se contorcer.

Peguei o pendrive e corri para o banheiro. De joelhos, vomitei. Ethan chegou e me levantou do chão, segurando uma toalha úmida, que ele passou em meu rosto.

- Respire fundo, isso vai passar.

- Me desculpe, é que as lembranças, o cheiro do sangue...

- Calma, está tudo bem, é natural.

- Nada disso está sendo natural para mim, Ethan. Há algumas semanas, eu escrevia sobre o tempo ou as novas tendências de decoração residencial.

Agora estou aqui em uma casa, no meio de uma selva, fugindo de um assassino, com um guarda-costas cujo codinome deve ser Perigo.

- Okay, Allison! Eu entendo seu ponto de vista; sua vida está de cabeça para baixo, mas isso não é o fim. Você vai depor em poucas semanas e tudo isso vai acabar.

Por alguns segundos, enquanto ele falava, permiti-me pensar que tudo aquilo era loucura.

E o que poderia ter de tão importante naquele pequeno pedaço de plástico com metal que causaria insanidade em uma pessoa?

- Allison, o que está pensando?

- Você tem um computador?

- Sim.

Vimos tudo em seu notebook: vídeos, fotos, históricos médicos e obituários. O pior era que minha fonte era um renomado médico, famoso entre vários cientistas.

Ao longo de sua extensa trajetória na medicina, ele acumulou uma série de prêmios. E quem diria que o responsável por toda aquela confusão era ele, Dr. Nicolas? Aquele pequeno pendrive nos havia revelado um nome: mais uma vítima da farmacêutica ISLAND.

Uma vítima que, ironicamente, também era um assassino, talvez um assassino atormentado pelo remorso. Minha mente estava a mil por hora; uma enxurrada de pensamentos invadia minha cabeça.

- Preciso voltar, preciso ir até a revista para publicar essa matéria.

- Allison, você não pode retornar antes do julgamento. Aquilo não foi um simples assalto, foi uma queima de provas. Você ainda não percebeu? Seu apartamento estava uma bagunça, tudo destruído, porque eles estavam em busca disso.

- Sim, eu sei. Eles estavam atrás disso, mas faltam semanas para o julgamento.

- Você terá que ter paciência e esperar. Não posso te levar de volta antes da hora.

- Uau! Ethan, você sempre foi assim?

- Como assim?

- Mandão. Respondi, tentando me controlar para não revirar os olhos.

- Pois é, e pelo que percebo, você sempre foi assim, não é? Teimosa.

- Vou considerar isso um elogio, já que, para a minha profissão, preciso ser obstinada.

Ele, demonstrando pouca paciência, passou a mão pelos cabelos, bagunçando-os ainda mais.

Isso me fez sentir uma vontade irresistível de enfiar meus dedos entre aqueles longos e macios fios.

O que eu estava pensando? Ele estava ali apenas porque era pago para me proteger, nada mais. Não havia nenhum outro interesse da parte dele.

- Alisson, em que está pensando? Você parece tão distante. - Ele disse, estreitando os olhos na tentativa de decifrar minha expressão.

- Não é nada, é impressão sua . Ufa, essa foi por pouco.

Pegando minha mão, ele me puxou da cama para que eu ficasse de pé.

- Vem cá, quero te mostrar algo especial. Acredito que você precisa sentir a brisa das montanhas.

"Brisa das montanhas, claro. Ele não faz ideia, o ingênuo."

Após quinze minutos de trilha, estávamos sentados sobre uma grande rocha, à sombra de uma árvore, contemplando um pequeno lago.

- Uau! Aqui é realmente deslumbrante! Parece um cenário perfeito para fotos, como aquelas de cartões postais, se ainda usássemos cartões postais hoje em dia claro.

- Com certeza! Sabe, antes mesmo de conhecer a casa, avistei essa parte do terreno e já estava convencido de que era ali que eu queria estar. Assinei os documentos da compra sem sequer ter visitado a residência. Meus irmãos acharam que eu estava maluco, mas não liguei. Acredito que, na vida, todos nós passamos muito tempo em busca de nossas almas gêmeas ou do nosso pedacinho de paraíso. Sinto que tive a sorte de não precisar procurar por muito tempo.

- Entendi. Então, você já encontrou seu paraíso?

- Não apenas o paraíso.

Aquelas palavras simples me fizeram refletir. Será que ele tinha uma namorada?

- E você, Alisson, o que está buscando?

Ele me perguntou, me tirando de repente da minha fantasia. Enquanto contemplava o lago, pensei na questão e percebi que nunca busquei nada; estava tão absorvida em viver o presente que nunca havia parado para ponderar sobre isso.

- Não que isso não tenha seu valor, mas nunca me dei ao trabalho de pensar em um porto seguro ou na minha alma gêmea, se é que isso realmente existe.

Respondi, ainda com os olhos fixos no vasto lago escuro.

- Sério? Eu sempre pensei que todas as mulheres fossem românticas incuráveis, sonhando em ser uma Julieta à procura do seu Romeu - disse ele com um sorriso cheio de certeza.

- Não me interprete mal, Ethan, mas desde quando um falso suicídio que resulta em um suicídio real se tornou algo romântico? Para mim, isso é apenas trágico.

- Então, nada de sacadas, cavalos brancos ou um beijo de amor verdadeiro? -perguntou ele, com seus olhos presos aos meus. Virando-se para mim, deslizou os dedos pelo meu cabelo e comentou: - Quem estragou seus sonhos, garota-problema?

- Acredito que os homens.

- Teve algumas histórias complicadas, então? - murmurou ele, mudando de posição, afastando-se levemente, mas mantendo o olhar intenso em mim.

- Algumas, sim. Mas não é só isso.

Cresci em um lar marcado por separações; meus pais se separaram quando eu tinha apenas 8 anos. Minha mãe sempre foi minha heroína e, em certos momentos, chegou a trabalhar em dois empregos. Quanto aos relacionamentos, ela se esforçava para evitar se envolver com algum cretino abusivo, mas não teve muito sucesso nesse quesito.

Quanto ao meu pai, não tenho certeza de quantas aventuras ele teve. Eu era bem jovem quando ele decidiu fugir com a minha babá, Isabel, que era apenas oito anos mais velha do que eu. Nós vivíamos juntas como se fôssemos irmãs. Naquele dia, ele me deixou sozinha por horas na porta da escola. A primeira traição que experimentei veio dele. Por isso, a confiança não é exatamente o meu forte.

Ele pareceu surpreso com o que eu disse e comentou:

- Acredito que você prefira os contos de Grimm.

- Acredite, essas histórias são bem mais românticas do que os dias gloriosos da minha mãe.

- Então, você deveria escrever a sua própria narrativa.

- Isso seria incrível; só preciso me certificar de que não vire um conto de terror.

- Posso te ajudar com isso.

Para mim, aquilo soou mais como uma certeza do que uma pergunta. Com os olhos fixos nos meus, ele se aproximou um pouco mais. Sua mão acariciou meu rosto, e seus lábios se dirigiram aos meus ele se aproximou um pouco mais. De repente, uma rajada de vento forte nos envolveu, fazendo meu corpo tremer involuntariamente.

- Vamos? Preciso te levar para casa; está esfriando e parece que vai chover.

Acabei culpando Zeus e Leto pela tempestade inesperada. Achava que eles poderiam estar irritados com a comparação que fiz de Apolo.

Mas tudo bem; eu não queria me transformar em uma "Isabel", uma destruidora de esperanças. Não que ela fosse a única responsável; se não fosse com ela, seria com outra qualquer. No caminho de volta, o silêncio reinou entre nós. Mesmo de mãos dadas, eu sentia um leve arrependimento pela nossa nova "intimidade". O restante do dia passou voando, sem segredos revelados, sem dramas familiares.

Após o jantar, nos acomodamos na sala, e ele escolheu um filme em minha homenagem.

- Sério, uma comédia romântica? - perguntei, com uma falsa incredulidade.

- Risos. Acredito que você anda precisando de um pouco de romance.

- E você está convencido que esse romance que eu preciso está na TV?

Ele foi passando de filme em filme, perguntando minha opinião.

- Esse? - ele indagou.

- De jeito nenhum. Para ficar com o cara legal, eu teria que me tornar uma prostituta.

- E quanto a este? Minha irmã sempre disse que é um clássico.

- Também não.

Cadê o romance? Dentre os dois, só ela sobrevive ao naufrágio; é apenas mais uma tragédia.

- A lista está encolhendo - comentou ele, com um sorriso no rosto.

- Esse é bom, não dá para negar - disse ele, animado.

- Sim, é - confirmei.

- Eu sabia que tinha algum romance escondido aí dentro.

- (Risos). Eu não disse que os outros eram ruins; só mencionei que, para mim, essas histórias não são contos de fadas.

- Entretanto, você acha que este é romântico?

- Ethan, se ser romântico é entrar sorrateiramente pela janela do quarto onde a garota dorme e observá-la a noite toda, então sim, sem dúvida, ele é romântico.

Ainda assim, no mínimo, eu chamaria a polícia para o stalker. Mas quem sou eu para julgar? Se o cara for bonitão, a mulherada adora romantizar.

- Tudo bem, você ganhou.

Ele me passou o controle.

E, ironicamente, eu coloquei "O Guarda-Costas". Não me julguem ainda, isso não era uma indireta.

- Sério, esse?

Ele sorriu.

- Sim, existem apenas dois motivos para se levar um tiro por outra pessoa: ou você a ama muito, ou é muito bem compensado por isso. Mas ele demonstra gostar dela, e eu sei que você se amarra em um drama com catástrofes.

- Engraçadinha.

Não havia chegado à metade do filme quando peguei no sono, e minha cabeça acabou em seu ombro. Atordoada, acordei sem saber quanto tempo tinha se passado após o filme.

Seu perfume invadiu os meus sentidos, trazendo-me de volta à realidade.

- Olá!

Sussurrou ele, com um sorriso genuíno que poderia iluminar toda aquela floresta ao nosso redor.

- Dormir apoiada em você novamente está se tornando um hábito.

- Tudo bem para mim; eu posso me acostumar com isso.

- Acredito que o nosso passeio me deixou um pouco cansada. Ethan, eu vou subir, preciso de um banho.

- Ok, até amanhã, então. Tenha uma boa noite!

- Você também.

No meu quarto, decidi que iria fazer as coisas voltarem ao normal, mesmo não sabendo o que era normal entre nós. Após o banho, vesti novamente uma de suas camisas. Não sabia por quanto tempo ficaria nesta casa, mas, certamente, sabia que precisava ir às compras.

Lá fora, o vento soprava forte e a chuva caía incessantemente. Entretanto, com todo o barulho da tempestade, peguei no sono. Já se passavam das vinte e três horas quando o galho da árvore arranhou a janela, o que me deixou assustada.

Levantei-me rapidamente, procurando o interruptor, mas, quando o encontrei, não havia luz. Eu estava em pânico, convencendo-me de que a falta de luz se devia ao temporal.

Amedrontada, saí do meu quarto tateando as mãos pela parede até entrar no quarto do Ethan.

Sonolento, com sua voz rouca, ele me chamou pelo meu nome, ainda desorientado pelo sono.

- Allison, você está bem?

- Desculpe-me, estou com muito medo. Estamos sem luz; ouvi um barulho vindo de fora. Acredito que seja algum galho batendo na janela, mas, na verdade, não tenho muita certeza de que realmente seja um galho.

Levantando-se, ele olhou para o lado de fora da janela, trancou a porta, deitou-se novamente ao meu lado, só que, dessa vez, foi diferente. Ele me trouxe mais para perto dele e me abraçou de forma protetora, sem dizer uma palavra. E, como algo natural, eu dormi a noite toda, sem pesadelos, sem medo.

Quando acordei, Ethan não estava mais na cama, e eu me senti agradecida por não ter que me levantar semi-nua novamente perto dele.

Sentei-me em sua cama, ainda com a visão turva, e pude ver seu quarto. Ele era grande e claro, apesar da ausência de luz solar, pois o dia estava nublado e chuvoso.

A decoração mesclava o rústico com o moderno, com paredes brancas, vigas de madeira expostas no teto e móveis contemporâneos. Ele realmente tinha um gosto impecável.

Levantei, contando com a sorte para não encontrar-me com ele no corredor. Ao chegar à porta, sua voz atrás de mim me chamou pelo nome, o que me fez saltar de susto.

- Allison, bom dia!

- Oh, minha nossa!

Falei sem pensar em voz alta.

Lá estava ele, apenas com uma toalha na cintura e outra na mão, secando os cabelos.

Seu abdômen definido escorria pequenas gotas de água, e seu braço flexionava os músculos enquanto se secava. Adeus à normalidade, seja bem-vindo, total constrangimento.

- ETHAN! - gritei, sem me dar conta do volume da minha voz.

- Bom, é bom dia! - gaguejei, me sentindo envergonhada.

- Bom dia! Dormiu bem? - Com um sorriso malicioso, ele me perguntou.

- Sim, dormi como uma pedra. Bem, se é que a pedra dorme. Na verdade, até hoje não entendi essa história da pedra, já que elas só ficam ali paradas. Aff, já nem sei mais o que estou dizendo. Sorri desconcertada, parecendo uma colegial, boba apaixonada.

- Enfim, as pedras não vêm ao caso; quer dizer, isso não vem ao caso. Respirei fundo e, finalmente, saiu algo coerente de minha boca.

- Na verdade, eu só queria agradecer por não ter me expulsado de seu quarto.

- Jamais faria isso - ele disse com um sorriso caloroso.

- Então vou para o meu quarto; preciso me vestir. Não que eu esteja nua, na verdade, não é isso. Só tenho que me trocar, sabe como é, né? Vesti um pouco mais de roupa - eu disse, tropeçando enquanto pegava a maçaneta.

Olhei para o chão, em total constrangimento, tentando encontrar uma saída.

Quando ergui a cabeça, ele estava a centímetros de distância de mim.

- Preciso de roupas - eu disse, olhando fixamente para baixo.

- Não havia nada que não estivesse destruído em meu apartamento. Estou sem meus cartões, porque estavam na mochila que foi roubada. E dinheiro eu só guardo no banco.

Encontrei uma muda de roupas femininas no armário que está em meu quarto, mas fiquei com receio de me vestir com elas e a sua namorada achar ruim.

Ele segurou meu queixo, erguendo minha cabeça para cima.

- Não se sinta envergonhada. Assim que essa tempestade passar, vou te levar para fazer compras. Não precisa se preocupar.

- Obrigada!

- Não por isso - disse ele, segurando uma das minhas mãos.

- Ah, e só para esclarecer, eu não tenho namorada; essas roupas devem ser da minha irmã.

Meus olhos pareciam não obedecer, fixados em seu corpo; meu coração acelerado, minha boca salivando por um de seus beijos e minhas mãos trêmulas tocando seu abdômen, não respeitando seu espaço pessoal.

Um breve gemido saiu de seus lábios enquanto se aproximava mais de mim. Colocando a mão em minha nuca, Ethan me beijou.

Ele me pegou no colo, com minhas pernas entrelaçadas em sua cintura, me encostando contra a porta. Seus beijos ficavam cada vez mais envolventes; eu estava louca por ele.

Colocando-me de pé, ele tirou minha camiseta e uma onda de dor insuportável percorreu entre minhas pernas.

- Você é deslumbrante!

Eu o puxei para mais perto, e ele me envolveu pela cintura, suas mãos deslizando lentamente pelo meu corpo. Seus dedos acariciaram minha pele suave, impregnada de desejos.

- Ethan. Tentei, sem sucesso, formar uma frase coerente.

- Leve-me para a cama.

Enquanto eu sentia sua ereção latejante em meu abdômen, ele me pegou no colo e me levou até a cama. Beijando meu pescoço, descendo até meus seios, sugando-os com dedicação.

Sua ereção estava tão dura que me deixou ainda mais louca para tê-lo dentro de mim. Ansiosa, elevei os quadris, implorando por mais.

Ajoelhado na cama, ele se inclinou, pegando um pequeno envelope metálico de sua mesa de cabeceira. Rasgando-o com velocidade, tirou o preservativo e o colocou, com um movimento sexy e provocador, em seu membro pesado e ereto.

Senti-me tomada por uma onda de luxúria, a excitação pulsando em cada fibra do meu ser. Puxei-o para mais perto, e finalmente ele começou a me penetrar com uma suavidade que me fazia delirar, aprofundando-se cada vez mais.

- Não pare, não pare - supliquei, enquanto ele me beijava com ternura. Seus implacáveis movimentos se tornaram um ritmo hipnotizante.

Gemendo em meu ouvido, ele sussurrava o quanto eu era linda e como meu perfume o deixava fora de si. Ele conseguiu intensificar cada momento, transformando tudo em pura paixão.

Sua ereção firme deslizava para dentro de mim com uma facilidade surpreendente, em um ritmo constante, enquanto aquela deliciosa dor se tornava uma tortura de prazer.

- Tão molhadinha e quente - ele exclamou com um rugido, enquanto se deliciava com um de meus seios. Eu estava prestes a alcançar um clímax irresistível. Suas investidas se tornavam cada vez mais profundas.

- ETHAN! - clamei, com a voz abafada pelo seu abraço apertado.

- Você é uma delícia - ele disse, acelerando o ritmo de suas estocadas. E, juntos, atingimos o auge do prazer.

Ele se deitou, olhando para o teto, e puxou o edredom para nos cobrir. Aconcheguei-me em seu peito, ouvindo sua respiração pesada e cansada.

- Você está bem? - perguntou, enquanto beijava o topo da minha cabeça.

- Sim, estou ótima. E você, como se sente?

- (Risos). Como você diria que estou?

Sem precisar pronunciar uma palavra, senti meu rosto queimar.

- Depois de tudo isso, ainda se sente envergonhada? Preciso confessar: desde o instante em que a vi no elevador, soube que você era minha.

Mas também percebi o aroma de complicação que emanava de você, mesmo no hospital, enquanto dormia. E, nossa, ao acordar todas as manhãs, você me deixava maluco com seu jeito sarcástico e essa timidez que surgia do nada. Ontem de manhã, ao te ver vestida com uma das minhas camisas, pensei em mil maneiras de te proporcionar prazer, mas consegui me controlar diante das circunstâncias. Para responder à sua pergunta, eu me sinto completo.

- Jamais faria isso - ele disse com um sorriso caloroso.

- Então vou para o meu quarto; preciso me vestir. Não que eu esteja nua, na verdade, não é isso. Só tenho que me trocar, sabe como é, né? Vesti um pouco mais de roupa - eu disse, tropeçando enquanto pegava a maçaneta.

Olhei para o chão, em total constrangimento, tentando encontrar uma saída.

Quando ergui a cabeça, ele estava a centímetros de distância de mim.

- Preciso de roupas - eu disse, olhando fixamente para baixo.

- Não havia nada que não estivesse destruído em meu apartamento. Estou sem meus cartões, porque estavam na mochila que foi roubada. E dinheiro eu só guardo no banco.

Encontrei uma muda de roupas femininas no armário que está em meu quarto, mas fiquei com receio de me vestir com elas e a sua namorada achar ruim.

Ele segurou meu queixo, erguendo minha cabeça para cima.

- Não se sinta envergonhada. Assim que essa tempestade passar, vou te levar para fazer compras. Não precisa se preocupar.

- Obrigada!

- Não por isso - disse ele, segurando uma das minhas mãos.

- Ah, e só para esclarecer, eu não tenho namorada; essas roupas devem ser da minha irmã.

Meus olhos pareciam não obedecer, fixados em seu corpo; meu coração acelerado, minha boca salivando por um de seus beijos e minhas mãos trêmulas tocando seu abdômen, não respeitando seu espaço pessoal.

Um breve gemido saiu de seus lábios enquanto se aproximava mais de mim. Colocando a mão em minha nuca, ele me beijou.

Ele me pegou no colo, com minhas pernas entrelaçadas em sua cintura, me encostando contra a porta. Seus beijos ficavam cada vez mais envolventes; eu estava louca por ele.

Colocando-me de pé, ele tirou minha camiseta e uma onda de dor insuportável percorreu entre minhas pernas.

- Você é deslumbrante!

Eu o puxei para mais perto, e ele me envolveu pela cintura, suas mãos deslizando lentamente pelo meu corpo. Seus dedos acariciaram minha pele suave, impregnada de desejos.

- Ethan. Tentei, sem sucesso, formar uma frase coerente.

- Leve-me para a cama.

Enquanto eu sentia sua ereção latejante em meu abdômen, ele me pegou no colo e me levou até a cama. Beijando meu pescoço, ele desceu até meus seios, sugando-os com dedicação.

Sua ereção estava tão dura que me deixou ainda mais louca para tê-lo dentro de mim. Ansiosa, elevei os quadris, implorando por mais.

Ajoelhado na cama, ele se inclinou, pegando um pequeno envelope metálico de sua mesa de cabeceira. Rasgando-o com velocidade, tirou o preservativo e o colocou, com um movimento sexy e provocador, em seu membro pesado e ereto.

Senti-me tomada por uma onda de luxúria, a excitação pulsando em cada fibra do meu ser. Puxei-o para mais perto, e finalmente ele começou a me penetrar com uma suavidade que me fazia delirar, aprofundando-se cada vez mais.

- Não pare, não pare - supliquei, enquanto ele me beijava com ternura. Seus implacáveis movimentos se tornaram um ritmo hipnotizante.

Gemendo em meu ouvido, ele sussurrava o quanto eu era linda e como meu perfume o deixava fora de si. Ele conseguiu intensificar cada momento, transformando tudo em pura paixão.

Sua ereção firme deslizava para dentro de mim com uma facilidade surpreendente, em um ritmo constante, enquanto aquela deliciosa dor se tornava uma tortura de prazer.

- Tão molhadinha e quente - ele exclamou com um rugido, enquanto se deliciava com um de meus seios. Eu estava prestes a alcançar um clímax irresistível. Suas investidas se tornavam cada vez mais profundas.

- ETHAN! - clamei, com a voz abafada pelo seu abraço apertado.

- Você é uma delícia - ele disse, acelerando o ritmo de suas estocadas. E, juntos, atingimos o auge do prazer.

Ele se deitou, olhando para o teto, e puxou o edredom para nos cobrir. Aconcheguei-me em seu peito, ouvindo sua respiração pesada e cansada.

- Você está bem? - perguntou, enquanto beijava o topo da minha cabeça.

- Sim, estou ótima. E você, como se sente?

- (Risos). Como você diria que estou?

Sem precisar pronunciar uma palavra, senti meu rosto queimar.

- Depois de tudo isso, ainda se sente envergonhada? Preciso confessar: desde o instante em que a vi no elevador, soube que você era minha.

Mas também percebi o aroma de complicação que emanava de você, mesmo no hospital, enquanto dormia.

E, nossa, ao acordar todas as manhãs, você me deixava maluco com seu jeito sarcástico e essa timidez que surgia do nada. Ontem de manhã, ao te ver vestida com uma das minhas camisas, pensei em mil maneiras de te proporcionar prazer, mas consegui me controlar diante das circunstâncias. Para responder à sua pergunta, eu me sinto completo.

Conversamos sobre as reformas na casa durante seus momentos livres e sobre algumas cicatrizes que ele adquiriu na sua carreira como guarda-costas, que não eram poucas.

Lá fora, a chuva caía incessantemente e, nos braços protetores de Ethan, acabei adormecendo.

Já passava das duas da tarde quando despertei ainda em seu braço. Ele continuava dormindo e, ao me levantar, puxei suavemente um dos lençóis para não perturbá-lo. Fui direto para o meu quarto; precisava de um banho para me reconectar com a realidade.

Não queria complicar ou confundir as coisas. Aquela situação era pura poesia: uma casa isolada, passeios à tarde com piqueniques; parecia até o enredo de um filme.

Talvez uma comédia romântica, se não fosse pela sombra do psicopata que me perseguia.

Depois do banho, enquanto me enrolava na toalha, fiquei refletindo sobre o que vestir, já que minhas opções para um dia frio e chuvoso eram limitadas. Muito obrigada, senhor assassino, por dificultar cada vez mais a minha humilde vida sem graça.

Ao sair do banheiro, lá estava ele, sentado na minha cama, com seus grandes olhos negros emoldurados por cabelos bagunçados e úmidos, vestido com um moletom preto que escondia perfeitamente sua musculatura bem definida, que eu sabia estar ali.

- Ethan?

Apertei a toalha com mais firmeza.

- Desculpe, te assustei?

- Ele se levantou, tentando se desculpar.

- Não, eu só estava distraída.

- Vim trazer isso para você.

- E o que seria?

- Algumas roupas da minha irmã. Lembrei que ela deixou aqui na última visita.

Abracei-o, grata pela gentileza. Sua respiração profunda, tão perto do meu ouvido, fez os pelos da minha nuca se arrepiarem.

- Uau! Eu estava enlouquecendo de desejo, ansiando por seu toque.

- Você está com um cheiro maravilhoso.

- E eu poderia dizer o mesmo de você.

Ele beijou o lóbulo da minha orelha. Num movimento involuntário, inclinei a cabeça para trás, abrindo espaço para sua boca sedenta e quente explorar. Uma de suas mãos tocou minha pele por baixo da toalha, acariciando entre minhas coxas. Até que fomos interrompidos pelo som estrondoso da minha barriga roncando.

- (Risos) Parece que você está com fome.

- Sim, um pouco - respondi timidamente.

- Vou descer e preparar algo para comer. Espero que as roupas fiquem bem em você.

- Ethan, obrigada!

- De nada.

Vesti uma calça de ginástica justa, uma camiseta de malha e um moletom do Ethan. Sentia-me quentinha e confortável, agradecida por ter aproximadamente a mesma altura da pessoa a quem as roupas pertenciam. Respirando fundo para me encorajar, fui para a cozinha, que exalava um aroma maravilhoso de café.

- Você está linda! - disse ele, com um grande sorriso de satisfação.

- Obrigada! - respondi, aproximando-me dele.

- Precisa de ajuda?

- Não, obrigada! Já está tudo pronto. Fiz café e panquecas; espero que goste.

- Parece delicioso! - disse, pegando os pratos e talheres.

Comemos em uma pequena mesa em frente a uma grande janela da cozinha. Embora não fosse noite, o dia estava bem escuro devido ao temporal que caía lá fora.

- Em que você está pensando? - ele perguntou, segurando uma das minhas mãos.

- Nada de especial. - menti descaradamente, pois não queria que Ethan soubesse que ocupava todos os meus pensamentos, que aquela manhã tinha sido mágica, com seus braços me envolvendo, sua maneira carinhosa de fazer amor; tudo foi perfeito. Para mim, não foi apenas sexo, foi algo muito mais profundo.

- E você, em que está pensando?

- Na única coisa que me ocupa a mente todos os dias desde que te conheci. - confessou ele, com um olhar provocativo.

Senti meu rosto esquentar, mas, mesmo assim, me arrisquei a perguntar.

- E o que seria isso, Sr. Perigo?

- Risos, Sr. Perigo?

- Sim, você sempre tão sério, com essa expressão de quem não está para brincadeiras e sempre armado.

- Entendi, isso realmente parece arriscado. - afirmou, sorrindo, enquanto seu olhar permanecia fixo no meu.

Em pé, ele entrelaçou seus dedos aos meus, levantando-me da cadeira e afastando a louça para o canto. Com um gesto decidido, acomodou-me sobre a mesa, abrindo espaço entre minhas pernas e se posicionando entre elas. Suas mãos, apesar de grandes, eram incrivelmente delicadas ao acariciar meu rosto.

Seus olhos mergulhavam nos meus enquanto ele cuidadosamente colocava os cachos rebeldes do meu cabelo atrás da orelha. Sua beleza era de tirar o fôlego, e eu me sentia como uma adolescente apaixonada, sonhando com um ídolo distante.

Ele beijou minha mão, mantendo o olhar fixo no meu, antes de se inclinar para um beijo suave em meus lábios. Suas mãos seguravam meu rosto e, com um olhar penetrante que parecia tocar minha alma, ele deslizou os lábios pelo meu pescoço. Os beijos eram leves e gentis, como se cada toque estivesse desnudando meu autocontrole, se é que eu tinha algum autocontrole quando estava com ele.

Um gemido involuntário escapou da minha garganta.

- Ethan?

Ele me beijou delicadamente.

- Querida, fique tranquila, quero te saborear como uma deliciosa sobremesa - sussurrou ele em meu ouvido, enquanto mordiscava a ponta da minha orelha.

Coloquei as mãos para trás, apoiando-me na mesa. Lentamente, ele desceu o zíper do meu moletom, fazendo uma pausa para suspirar e passar a mão pelos cabelos.

- Nossa, você é deslumbrante! - ele exclamou, acariciando meus mamilos endurecidos por cima do tecido leve da blusa.

Eu o segurei pela calça; ele estava firme e pulsante em minha mão.

- Quero você agora.

Envolvi-o com os braços e o abracei com ternura.

- Boa menina! - ele disse, enquanto me carregava escada acima.

E, pela primeira vez em muito tempo, permiti-me entregar completamente, sem amarras, sem inibições.

Quando acordei, ele ainda dormia.

Parte de seu corpo não estava coberta; pude ver seu abdômen definido, marcado com algumas cicatrizes obtidas pelo trabalho de guarda-costas, e uma tatuagem da fênix que começava no quadril esquerdo e descia até a coxa. Em seu pescoço, havia uma veia alta pulsante, o que me deixou cheia de desejo por ele.

- No que você está pensando?

disse ele, sorrindo e me afastando de minhas fantasias.

- Então, você sabe como é? É que...

- Você tem dificuldade em formular frases quando acorda? Ou fica assim só quando está comigo? - Ele sorriu.

- Eu fico confusa quando estou com você.

- Isso é interessante; eu gosto disso em você.

- Gosta do fato de eu me sentir uma boba?

- Não. Gosto de você me olhando ao acordar e imaginando cada coisa que eu posso fazer com você ou de cada coisa que você quer fazer comigo.

Passando a ponta de meus dedos sobre o início da ave impressa em seu corpo, eu mordi os lábios com um breve sorriso.

- O que aconteceu, querida?

- Ah, não é nada, nada que importe.

Ele me lançou um olhar curioso, quase investigativo.

- É algo, e não venha dizer que não tem importância. Se está na sua cabeça, com certeza é relevante.

- É que ainda não vi o final dessa tatuagem.

Mordi os lábios, sentindo um rubor de vergonha.

- Risos, então é isso?

- Sim, é.

- Pode tirar o edredom.

Ele entrelaçou as mãos atrás da cabeça, exibindo um sorriso travesso.

Com um movimento lento, puxei parte do edredom para baixo. Sua tatuagem, agora revelada, mostrava uma grande ave, mas logo perdi o foco ao notar seu membro, imponente e semi-ereto, repleto de veias pulsantes, que me fazia salivar de desejo.

- Allison?

Reunindo coragem, ajoelhei-me na cama, entre suas pernas, segurando suas coxas. Minhas unhas arranharam delicadamente sua pele, fazendo seu membro endurecer ainda mais. Minhas mãos deslizavam pelo seu abdômen, provocando uma respiração pesada que aumentava ainda mais minha vontade.

Deslizando a língua pelos lábios, fixei meu olhar nele e, inclinando-me, o envolvi com a boca. Com as mãos entrelaçadas atrás da nuca, ele soltava gemidos de desejo, chamando meu nome. Esforcei-me para levá-lo cada vez mais fundo, o que intensificava meu prazer.

A cada movimento, eu o lambia e chupava com mais intensidade, acelerando o ritmo sem hesitar. Ele não retirou as mãos de trás da cabeça e, sentindo-me no controle da situação, conduzi-o até o clímax, enquanto ele gemia meu nome de forma descontrolada. Ao me deitar ao seu lado, puxei o edredom para nos aquecer naquele dia frio e chuvoso.

- Você realmente sabe como seduzir um homem.

- Mas não parecia tão seduzido, já que suas mãos permaneceram atrás da cabeça o tempo todo.

- Você não faz ideia do autocontrole que precisei ter, mas me foquei em não te pressionar.

- Obrigada! E acredite, o prazer não foi só seu.

Sussurrei em seu ouvido.

- Sério? Então você estava me usando?

Ele perguntou, com um sorriso no rosto enquanto me envolvia em seus braços.

- Sim, só um pouquinho, preciso confessar.

Ele se posicionou sobre mim, radiante, me beijando e fazendo cócegas.

- Pare, pare!

Gritei, entre risos.

- Vou te dar um tempo, mas não se acostume.

Ele disse, enquanto me beijava novamente.

- Preciso de água.

Falei, procurando minhas roupas.

- Não se preocupe em se vestir com muitas roupas, já que, em breve, vou tirar tudo de novo.

Ele comentou, com um grande sorriso. Vestida apenas com sua blusa de moletom, calcinha e meias, desci.

            
            

COPYRIGHT(©) 2022