Clímax
img img Clímax img Capítulo 4 O susto
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Capítulo 6 A declaração img
Capítulo 7 O medo img
Capítulo 8 Fim do descanso que comece a caçada img
Capítulo 9 Busca implacável img
Capítulo 10 Refém do próprio corpo img
Capítulo 11 O fantasma do passado img
Capítulo 12 Frio e distante img
Capítulo 13 Despedida silenciosa img
Capítulo 14 home sweet home img
Capítulo 15 Sensações img
Capítulo 16 A invasão img
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Capítulo 4 O susto

Na cozinha, percebi que já era noite e que havíamos passado toda a tarde na cama. Perdida em meus pensamentos, percebi que havia vida além das paredes daquela revista, uma vida que eu não lembrava de ter vivido.

Por isso, não me lembrava de ter almejado essa vida anteriormente. Recordo-me da ambição que nutria para avançar na minha carreira; no entanto, não consigo recordar-me de ter ido ao shopping apenas para admirar as vitrines com uma amiga ou de ter passeado em uma praça, de mãos dadas com alguém, enquanto saboreávamos um sorvete ao final de uma tarde quente de verão. No fim das contas, não me recordava de ter vivido de verdade.

Retirando-me desse sonho distante de uma vida comum, percebi alguém tentando abrir a porta da sala. Congelei, com meu copo de água em mãos. Quando a porta se abriu, um homem alto, de olhos negros encantadores, entrou. No instante em que recuei um passo, o copo escorregou de minha mão, estilhaçando-se em mil pedaços no chão. Acredito que o barulho fez Ethan descer, pois não tive coragem de chamá-lo. Ele estava apenas com uma calça de moletom preta e a arma em punho.

- Allison? - gritou ele, demonstrando preocupação.

Não consegui responder.

Eu estava tão apavorada que dei um passo para trás, pisando em um grande caco de vidro; a dor e o medo paralisaram meu corpo.

- Enzo, o que você está fazendo aqui?

- Desculpe! Não sabia que você tinha voltado para casa. Tive uma briga com a Laura e achei melhor não ir para casa.

O que? Eles se conheciam? Quem era ele?

Ethan desceu as escadas, colocando a arma sobre a mesa. Com cuidado para não pisar nos cacos, caminhou até mim. Ao me envolver em seus braços, beijou o topo da minha cabeça.

- Querida! Você está bem?

Apenas balancei a cabeça, confirmando que sim. Meus olhos continuavam fixos na porta, onde o intruso estava, tão apavorado quanto eu.

- Ela está bem? - o invasor perguntou, com sinceridade.

Olhei para meu pé, que doía. Ethan seguiu meu olhar.

Minha meia, que antes era branca, agora exibia uma enorme mancha vermelha e pegajosa, me causando náuseas.

- Não se mova.

Pegando-me no colo, ele nos conduziu até o sofá, retirando cuidadosamente a meia. Em seguida, dirigiu-se à cozinha para buscar um pano e limpou ao redor da lesão.

- O vidro ainda permanece dentro da ferida. Seja forte; precisarei removê-lo. Você está preparada?

- Sim - respondi, fechando os olhos.

Sem hesitar, ele procedeu à remoção do vidro, cobrindo o ferimento com um pano.

- O corte é profundo; será necessário suturá-lo.

Ele se apressou em direção ao quarto. Não demorou muito para retornar com uma maleta de couro preta. Vinte minutos depois, cinco pontos pequenos e precisos foram aplicados em meu pé ferido.

- Como você se sente agora?

- Melhor, obrigada!

Sentado no sofá, observando-nos com grande curiosidade, estava nosso visitante inesperado.

- Este é o meu irmão, Enzo.

- Irmão! - exclamei, envergonhada, enquanto tentava, sem sucesso, puxar meu moletom para baixo. Novamente, senti-me grata por ter colocado minha calcinha.

- Peço desculpas, não era minha intenção te assustar. É que o Ethan está sempre ocupado, raramente vem aqui e, como não atende ao celular, presumi que a casa estivesse vazia.

Tentando esboçar um sorriso tímido, ainda experimentava um leve mal-estar devido ao odor do sangue; apenas assenti com a cabeça.

- Está tudo bem! Foi apenas um pequeno corte.

- Enzo, esta é a Allison. Estou responsável pela sua segurança, portanto, não temos celulares aqui. Não estamos de férias!

- Compreendi, peço desculpas!

Ele parecia cético quanto à nossa presença ali, acreditando que não era apenas por motivos profissionais.

- Se não houver objeções, irei para o meu quarto; preciso tomar um banho. Aproveitem para atualizar a conversa, meninos.

Disse isso com um sorriso.

Levantei-me, mas ao esquecer-me do ferimento, a dor me fez emitir um gemido involuntário.

- Não se preocupe, eu te ajudo.

- Estou bem! Apenas me esqueci do corte.

Num movimento ágil, Ethan me levantou em seus braços.

- Enzo, se não se importar, você pode ficar no quarto no final do corredor.

Ethan falou sem olhar para trás. Já no quarto, ele pegou algumas toalhas.

- Deixa eu te ajudar com o banho.

- Não precisa, estou bem.

- Eu sei, mas não posso perder a chance de te ver toda ensaboada.

- (Risos) Tudo bem! Você me convenceu.

No banheiro, abri a água na temperatura mais quente que consegui suportar.

- Vem cá, vou te ensaboar.

Despejando um pouco de shampoo na palma da mão, ele começou a massagear meu cabelo com as pontas dos dedos.

- Você gosta disso?

- Sim, isso é muito bom.

Depois de enxaguar os cabelos, ele pegou um pouco de sabonete e começou a espalhar pelo meu corpo. Inclinei a cabeça para trás, apoiando-me em seu ombro, enquanto a água quente escorria sobre nós, deixando-me cada vez mais relaxada.

Ele se inclinou e pegou mais sabonete, deslizando as mãos pelos meus seios e beliscando suavemente meus mamilos. Um gemido involuntário escapou dos meus lábios ao sentir sua ereção pulsar. Uma de suas mãos desceu pelo meu abdômen, acariciando meu umbigo.

- Amor, abra suas pernas. Com sua voz rouca, ele ordenou enquanto suas mãos exploravam meus seios.

E eu cedi.

- Espero que isso também te agrade.

Ethan sussurrou no meu ouvido, mordiscando a ponta da minha orelha, enquanto começava a me massagear. Minhas mãos se agarraram aos seus braços, com as unhas cravadas em sua pele.

- Ethan, não pare.

- Não vou.

Sua voz sedutora me atingiu como uma flecha, repleta de paixão e desejo. Seu toque delicado, em movimentos circulares, me deixava em êxtase. Virei-me para ele; precisava ver seus olhos encontrando os meus.

Eu ansiava por seus beijos, desejava algo mais íntimo. Ele percebeu e logo selou nossos lábios. Encostando-me na parede, continuou a me tocar entre as pernas. Não consegui resistir e alcancei o clímax enquanto ele me segurava, sustentando-me enquanto sua boca quente beijava a minha.

- Você está bem?

Sorrindo, envolvi meus braços ao redor do seu pescoço.

- Sim, estou.

Ele fechou a torneira e pegou uma toalha.

- Vou te secar.

- Uau, quanta dedicação.

- Aqui, o serviço é completo - disse ele, com um sorriso deslumbrante.

- Estou adorando esse atendimento cinco estrelas.

Ele se agachou e começou a secar minhas coxas.

- Você está sangrando de novo; vou precisar fazer um curativo.

No quarto, ele havia deixado a maleta com alguns analgésicos, pomadas e bandagens.

- Sabe, olhando para essa maleta, parece que você está acostumado a usar essas coisas com frequência.

- Ocasionalmente, são úteis; não são todos os ferimentos que me fazem ir ao hospital.

- Entendi, você é durão.

- E você também é durona. Eu tirei um pedaço de vidro de cerca de três centímetros do seu pé, e você não soltou um gemido.

- Não sou tão durona assim; congelei ao ver seu irmão, por isso deixei o copo cair.

- Isso foi uma reação natural; você se sentiu vulnerável e não faz muito tempo que passou por um atentado. Lembre-se: se em algum momento sentir medo, não hesite em chamar.

- Combinado.

            
            

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