À medida que eu atravessava o cômodo e encontrava o meu marido atrás do boxe de vidro do banheiro com a água do chuveiro caindo sobre os seus braços, comecei a abrir os botões da minha blusa e em seguida desci a saia sobre os meus pés. Anderson ainda não havia notado minha presença até eu respirar fundo e ele virar a cabeça para mim.
- Oi, gatinha. – Ele sorriu e encarou o meu corpo nu em sua frente. – Quer entrar aqui?
- Sempre. – falei baixinho e dei os próximos passos.
E por mais que estivesse cansada naquele momento, eu nunca estava cansada para aquilo. Nunca estava cansada para o beijo quente que me devorou no exato momento que eu pisei dentro daquele boxe.
Passei os braços ao redor de Anderson e me permiti sentir todo o desejo e fogo que eu acumulei durante todo dia. Seus lábios me beijavam com urgência e eu mantinha o meu corpo muito próximo do seu, o puxando para mais perto que podia. Eu queria senti-lo em cada centímetro de pele. O puxei com força e minhas costas encostaram a cerâmica fria do banheiro. A água quente do chuveiro me molhou, mas não tanto quanto o Anderson fazia.
Gemi em seus lábios e em segundos Anderson estava com a sua cabeça no meio das minhas pernas. Joguei o pescoço para trás e abri as pernas lhe dando mais acesso. Sua língua me encontrou e eu soltei um gemido chamando seu nome.
Eu conhecia intimamente aquela língua e sabia cada movimento que ela poderia fazer, não havia um dia sequer que eu não experimentasse aquela sensação. Mas dessa vez era diferente, eu sentia como se estivesse sendo devorada, e em instantes poderia ser arrebatada em um gozo que me levaria do céu ao inferno.
Segurei os cabelos de Anderson entre minhas pernas para me apoiar porque eu estava prestes a perder o meu equilíbrio, mas então ele levantou-se abruptamente e beijou os meus lábios. Senti o meu gosto. Gemi outra vez.
- Quer mais? – ele perguntou entre os meus lábios.
- Para de falar. – Respondi de volta. – Eu sempre quero.
E em um movimento brusco, Anderson me segurou pelas dobras do joelho e eu passei as pernas sobre o seu quadril e sem nenhum aviso prévio ele me penetrou com força. Soltei um grito.
- Isso. – Gemi quando o senti todo dentro de mim. – Agora continua. Com força.
E ele fez exatamente o que eu ordenei. Me entregou tudo de si, me preenchendo em todos os centímetros e eu senti todas as minhas preocupações se dissipando.
A cada estocada profunda eu me sentia mais viva, me sentia transbordar e eu adorava aquela sensação. A sensação de ter tudo e em segundos, não ter nada. E de novo. E de novo. Cravei as unhas nas costas de Anderson porque eu estava chegando no meu limite principalmente quando ele fez o movimento circular que acabava comigo. Gemidos incoerentes saíram dos meus lábios e ele cravou os lábios nos meus seios e aquilo foi a gota d'água, explodi ao seu redor o sentindo escorrer dentro de mim também.
Minha respiração regulou em instantes e eu voltei a ficar de pé. Anderson ainda mantinha os olhos fechados e se apoiava no vidro do boxer. Sorri com orgulho.
- Irei deixar você terminar o seu banho agora. – Eu disse baixinho e dei um beijo em sua bochecha.
Me afastei daquele boxer e dediquei minha atenção a minha adorável e inseparável banheira de todo fim de noite. Abri a torneira e deixei a água invadir aquele espaço enquanto eu derramava os sais de banho e a espuma. O cheiro de flores invadiu o espaço e eu respirei fundo.
Adentrei a banheira e a água cobriu o meu corpo. Prendi o cabelo em um coque frouxo e em seguida peguei uma taça ao meu lado e a enchi com meu amado champanhe "Tast of Diamonds". Coloquei jazz clássico para tocar nas caixas de som interna e me permiti afundar naquela água.
Relaxei pouco a pouco à medida que a água me deixava mais leve, e o gosto do champanhe molhava minha garganta e me fazia parecer como se tomasse as estrelas. A música no fundo fez minha mente divagar.
Repassei aquele dia em minha cabeça; a quantidade de trabalho que tive e o que precisarei terminar até o fim da noite. As conquistas e novos recordes quebrados pela empresa. Eu tinha uma vida aparentemente perfeita.
- Gatinha? – ouvi a voz de Anderson me chamando atrás de mim.
Abri os olhos lentamente e o encarei abaixado em minha frente, com uma toalha envolta aos seus quadris, havia terminado o seu banho bem atrás de mim e eu não havia ouvido nada.
- Vou descer para jantar. Quer que eu espere você? – ele perguntou.
- Não é necessário. Irei demorar mais um pouco. – Sorri para ele. Anderson havia começado a se levantar novamente quando eu o chamei de volta. – O que é isso no seu pescoço?
Ele me encarou no mesmo instante e em seguida encarou a marca roxa em seu pescoço no espelho enorme em sua frente. Fez uma careta para o seu reflexo e em seguida me encarou de volta.
- Acho que foi você minutos atrás. – Ele sorriu para mim.
- Sim, provavelmente. – Sorri de volta. – Daqui a pouco te encontro lá embaixo.
Anderson se despediu de mim atravessando as portas do banheiro e fechando atrás de si.
Era óbvio que eu sabia que aquela marca não havia sido eu que havia deixado. Aquilo estava roxo e totalmente diferente das marcas vermelhas que eu havia deixado em sua pele branca.
Tentei deixar aquilo para lá e focar a minha concentração novamente em minha tranquilidade. Mas isso foi quase impossível, porque à medida que eu relembrava o dia que eu tive, eu conseguia ouvir novamente as palavras de Michael falando sobre o meu casamento; sobre como parecia que tudo que eu e Anderson tínhamos era fogo de palha, sobre como ele parecia superficial ao ser comparado comigo.
Eu sabia que não deveria dar ouvidos a esses comentários, mas de repente comecei a pensar que eu também não conhecia o meu marido tanto assim. Eu não sabia sua cor preferida, não sabia qual era o seu ídolo na infância, não conhecia suas histórias da universidade, não sabia os seus planos no futuro, se queria ou não ter filhos. Tudo que eu sabia do homem que dividia a cama comigo era que ele era um mediador em negociações, que tinha um pequeno escritório no centro da cidade e que raramente tinha clientes, conhecia também a maneira que ele me tratava e como todos os dias transávamos. Isso não era suficiente? Aliás, eu já havia aproveitado demais a minha vida. Havia pegado todo mundo que eu podia e que eu quis antes de me comprometer. Eu havia sossegado. E eu acho que isso era tudo.
Então, me levantei daquela banheira e me sequei com a toalha. Em instantes eu iria descer até a sala de jantar, em seguida iria me trancar em meu escritório para revisar papeladas para o dia seguinte, e logo depois iria para o meu quarto com o Anderson. E iríamos fazer aquilo de novo. E isso era tudo que eu sabia e conhecia.