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Desejo Ardente - chamas do destino
img img Desejo Ardente - chamas do destino img Capítulo 4 O cara da copiadora
4 Capítulo
Capítulo 8 Traída, confusa, perdida img
Capítulo 9 A solidão img
Capítulo 10 Me seguindo img
Capítulo 11 No flagra img
Capítulo 12 Não vou parar de transar img
Capítulo 13 Eu ainda vou te ter img
Capítulo 14 Me ajude a respirar img
Capítulo 15 O acordo img
Capítulo 16 Você não vai se apaixonar por mim img
Capítulo 17 A invasão img
Capítulo 18 Bêbada por você img
Capítulo 19 Fazendo amor... Pela primeira vez img
Capítulo 20 Não me ame img
Capítulo 21 Sequestrada img
Capítulo 22 A armadilha img
Capítulo 23 Não posso perder você img
Capítulo 24 Teremos que nos casar img
Capítulo 25 A fuga do hospital img
Capítulo 26 O anúncio img
Capítulo 27 Casamento sem conveniência img
Capítulo 28 Não me deixe nunca mais img
Capítulo 29 Casada em Porto Rico img
Capítulo 30 Namoro de verdade img
Capítulo 31 Apenas dance img
Capítulo 32 Reencontrando o ex marido img
Capítulo 33 É hora de uma pequena vingança img
Capítulo 34 Dedo no gatilho img
Capítulo 35 O que está escondendo agora img
Capítulo 36 Fuego img
Capítulo 37 O adeus para sempre img
Capítulo 38 A carta img
Capítulo 39 Mudo de país por você img
Capítulo 40 Finalmente, está morto img
Capítulo 41 Minha estrela perdida img
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Capítulo 4 O cara da copiadora

4

Eu nunca fui o tipo de mulher que se estressava com facilidade ou com coisas aparentemente frívolas. Sempre tive o máximo de equilíbrio possível quando se tratava de minhas emoções e toda a confusão que os sentimentos sempre traziam. Eu sabia até onde eu deveria sentir raiva, felicidade, dor, excitação. No entanto, naquele dia eu estava sentindo tudo a flor da pele.

Eu havia acordado mais cedo que o habitual e eu não era uma pessoa matinal. O lado da minha cama estava vazio porque o meu marido simplesmente resolveu evaporar às cinco da manhã, me deixando apenas a droga de um recado avisando que precisaria trabalhar o mais cedo que podia. E mais nenhuma menção do nosso aniversário de casamento.

Eu não me importava tanto quanto deveria com essas datas e evitava qualquer discussão estúpida, mas por alguma razão eu sentia que ao meu redor tudo estava errado. E eu sempre fui uma pessoa muito sensitiva, apesar de ter deixado e ignorado esse lado meu por anos. Mas eu quase poderia sentir que alguma coisa naquele dia iria testar toda a minha pequena paciência.

Além dos meus problemas pessoais, eu estava me afundando em trabalhos e documentos na minha empresa. E eu estava lutando ardentemente para reler o protótipo do nosso último projeto, do qual eu havia trabalhado feito louca nos últimos dois anos e por alguma razão, os investidores resolveram dizer NÃO. E não havia nada no mundo que eu odiasse mais do que aquilo que eu não podia ter.

Soltando o ar com força e tirando a visão daquela tela de computador, eu respirei fundo e tomei mais um pouco do meu espresso panna. Contei dez palavrões mentais e cedi a vontade que estava em mim. Peguei o meu celular e disquei o número do meu marido.

Já se passavam das onze da manhã e provavelmente ele já havia largado e com sorte, ele havia recebido o book que eu havia preparado e mandado entregar horas antes.

- Oi, gatinha. Aconteceu algo? – ele atendeu no quarto toque.

- Não sei. Me diga você. – Sussurrei, o mais sedutor que eu podia.

Anderson ficou em silêncio por um minuto e parecia confuso. Eu soltei a respiração impaciente.

- Você, talvez, recebeu algum book especial vindo da Caccini's Style hoje?

- Ah sim! – ele respirou fundo e parecia surpreso. – Mas eu não entendi. Você precisa de alguma ajuda com negociações nas entregas on-line?

- O quê? – minha voz saiu alta. – Do que você está falando?

- A pasta que você me enviou hoje; continha os documentos sobre a nova ideia de marketing de sua nova linha de roupas.

Puta que pariu.

- Anderson, preciso desligar. – Joguei o meu celular na minha mesa e esbravejei alto o nome da minha assistente.

Alguma parte racional de mim me fez relembrar de ser paciente e respirar fundo. Mas eu já tive o suficiente. Sobretudo porque Rayssa demorou cinco segundos a mais do que deveria.

- O que você fez? – minha voz estava alta quando eu saí da minha sala e a encontrei vindo em minha direção. – O que você fez com as duas pastas que eu a entreguei?

Rayssa respirou fundo e parecia assustada.

- Eu fiz o que a senhora pediu; entreguei uma ao cara da copiadora e a outra enviei para o escritório do seu esposo.

- Você viu o selo atrás? – perguntei estridente. – Viu o único selo que diferenciava as pastas e era o selo do estúdio? Com as fotos?

- Eu... Eu... Desculpe, eu não sabia. – Seus olhos estavam arregalados. – Mas eu irei concertar isso, eu juro. Me dê apenas dois minutos.

- Não. – Eu gritei. – Eu faço isso. E você está demitida.

Deixei Rayssa para trás e atravessei todo aquele setor até seguir para a copiadora. Eu pisava fundo no chão e tudo que se podia ouvir enquanto eu passava era o barulho do meu salto alto.

Parei em frente à mesa do cara da copiadora e o esperei notar minha presença porque ele parecia ocupado demais vendo um book que eu conhecia perfeitamente.

- Com licença. – Precisei falar para que ele levantasse os olhos para mim.

Ele se assustou com a minha presença e os seus óculos de grau escorregaram sobre o nariz. Desastrado, fechou o book rapidamente e o deixou em seu colo.

- Sim, senhora Caccini. Precisa de alguma coisa? – sua voz estava trêmula e ele trazia um sotaque conhecido em sua forma de falar.

- Posso saber o que você estava vendo? – eu perguntei.

Ele simplesmente baixou os olhos novamente e o ouvi resmungar alguma coisa que eu não entendi.

- Deixa eu refazer a minha pergunta; o que você estava vendo? – exigi.

O garoto fechou os olhos com força e esticou o meu book até as minhas mãos, logo em seguida pegou outra pasta e colocou sobre o seu colo.

Aquilo me deixou intrigada.

- Preciso dessa pasta também. – Eu sorri para ele e ele arregalou os olhos castanhos para mim. – Estou ordenando, senhor Ramon. – Li o seu nome nos documentos que estavam sobre sua mesa bagunçada.

- É Ramón. – Ele me corrigiu, repetindo o seu nome com o R vibrante.

Em seguida, ele me entregou a outra pasta em seu colo e eu pude observar o que ele estava escondendo. É, o meu book aparentemente estava excitante pra cacete.

- Obrigada, senhor Ramón. – falei o seu nome do mesmo jeito de antes porque eu não precisava que ele me corrigisse. – Na próxima vez que receber qualquer coisa que não tiver o seu nome, faça o favor de não abrir.

Eu estava começando a dar a volta para me afastar quando ele abriu a boca de novo.

- É o meu trabalho abrir pastas com documentos e tudo o mais; como poderia copiar com elas fechadas?

Me virei sobre os meus próprios calcanhares mais uma vez e encarei aquele homem. Não sei por qual razão ele resolveu me responder e também não sabia ao certo o motivo de eu não o ter repreendido naquele instante.

Eu odiava ser contrariada, ou ter a mínima ideia de que poderia estar errada, mas mesmo assim, não deixei a raiva que estava em mim me consumir. Porque aparentemente, ela dissipou.

- É um grande instrumento. – Foi a única coisa que saiu da minha boca e olhei descaradamente para sua ereção atrás da mesa.

Os seus olhos arregalaram e ele cobriu com a mão. Sorri orgulhosa e dei a volta me afastando do seu olhar.

Atravessei mais uma vez aquele setor, um pouco menos estressada do que a primeira vez. Encontrei Rayssa jogando suas coisas dentro de uma caixa. Parei em sua frente.

- O que você está fazendo? – eu perguntei.

- Você me demitiu. – Ela parecia confusa. Revirei os olhos.

- Minha sala. Agora.

Segui até o meu escritório e Rayssa me acompanhou. Joguei aquelas pastas sobre a minha mesa e a encarei. A mulher de pele morena e olhos castanhos escuros parecia nervosa em minha frente.

- Eu não demiti você. Eu estava estressada e você conhece o meu estado de espírito como ninguém, sabe que eu não agiria daquela maneira ríspida. – Rayssa engoliu em seco e assentiu rapidamente. – Agora volte a arrumar suas coisas em sua mesa e entregue isso corretamente. – Joguei o book pra ela.

- Pode deixar, senhora Caccini.

Rayssa começou a se afastar até que eu a chamei de volta e não evitei em perguntar:

- Quem é o cara da copiadora? Há quanto tempo trabalha aqui?

- O nome dele é Ramón Martin. Veio de Porto Rico. Está trabalhando aqui há uns três meses, ele também é...

- Ok. Já é suficiente. – a dispensei.

Atravessei a minha mesa e me joguei naquela cadeira. Respirei fundo. A minha saúde mental não iria aguentar mais nenhuma novidade que aquele dia poderia me trazer.

Mas eu estava enganada...

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