- Mais alguma coisa? – quis saber, lhe dando ao menos um pouco de poder.
- Só isso. – Ele falou baixinho e o tom rouco da sua voz revirou minhas estruturas. – Você?
- Apenas o básico... – eu dei a volta no quarto, só para parar do seu lado e sussurrar em seu ouvido. – Se isso sair daqui, você será demitido e eu faço questão de não deixar você ser aceito em nenhuma empresa deste país.
Ramón soltou uma risada que queimou a pele do meu pescoço que estava próxima demais dos seus lábios. Me mantive séria.
- Mais alguma coisa? – foi a vez de ele perguntar.
Dei mais alguns passos até parar em sua frente. Por mais que eu ainda estivesse de salto, ele era alto o suficiente para que eu precisasse manter o queixo bem elevado para olhar profundamente em seus olhos castanhos.
- Apenas me segure firme. – Sussurrei, fazendo meus lábios serrarem em sua barba. – Você não precisa fazer nada. Só assista e me veja queimar.
- Sou incapaz de fazer isso. – Ele afastou lentamente o rosto do meu e tirou os seus óculos de grau e ele parecia ainda mais bonito e isso me deixou furiosa.
- O que isso quer dizer? – perguntei, realmente intrigada.
Eu não fazia ideia de quanto tempo eu não experimentava aquele tipo de flerte que fazia minha pele arder sem ainda receber nenhum toque. O ambiente parecia abafado, a atmosfera exalava tensão, tesão e eu era apenas uma peça naquele cenário, desejando com veemência aquele falso deus dentro de mim.
- Isso quer dizer que do mesmo jeito que você gosta de controlar tudo ao seu redor, eu gosto de dominar na cama. – Ramón sorriu de lado e sua voz continuou a entoar naquele quarto, como um eco me chamando para dar um pulo naquele abismo que ele poderia ser.
- Então teremos um problema; porque eu também gosto. – Foi a minha vez de sorrir.
- Isso nem de longe será um problema. – Ele mordeu o lóbulo da minha orelha e puxou o meu vestido com tanta facilidade que eu não notei que ele estava abrindo o zíper enquanto falava. – O que você me perguntou minutos atrás mesmo? – ele passou os lábios pelo meu pescoço e jogou o meu vestido no outro lado do quarto.
- Eu não perguntei. – Cravei as unhas no seu braço o obrigando a me encarar. – Eu estou dizendo que nós dois vamos foder. – Arranquei aquela jaqueta através dos seus braços.
Então, sem mais nenhumas delongas, Ramón me beijou sem hesitar. Sua boca se atracou a minha com urgência e o seu beijo desesperado me mostrou um tipo novo de sensação, um novo tipo de sede que a água não podia saciar. Enquanto seus lábios conheciam os meus e nossas línguas pareciam se apresentar em adoração, eu me senti bebendo toda a água de um mar, cujo sal ele havia roubado todo para si, porque eu sinto que poderia me afundar, afogar e morrer. E essa ideia me parecia ardilosamente excitante. Então continuei a beber de sua boca desesperada e sedenta.
Em um movimento rápido, nós dois tombamos na cama e eu pude me deliciar enquanto rebolava freneticamente sobre ele e eu senti o que estava me esperando. Aquilo me deixou ainda mais ansiosa e quente. Ramón deslizou a mão sobre todo o meu corpo, apertando cada traço de pele que ele encontrava e aquilo fazia tudo em mim pinicar, não deixava apenas um pensamento coerente na minha cabeça. Eu só queria continuar
Ali, sentindo o seu calor esquentar as partes frias que havia se alojado em mim e eu nunca me senti tão aquecida.
Enquanto me livrava do tecido de Ramón que ainda nos afastava, ele puxou o meu cabelo com força, me obrigando a lhe olhar. Mordi o lábio com força e lancei o meu olhar mais sombrio para ele.
- Você sabe o que está fazendo? – ele sussurrou muito perto do meu rosto.
- Você sabe? – eu perguntei de volta, me libertando do seu toque firme.
Depois de ter me livrado de toda aquela roupa, admirei aquele homem em minha frente. E puta que pariu, eu iria me sentir arrependida futuramente por ter dado um primeiro passo, porque eu poderia me imaginar dentro de um novo vício em um precipício grande e grosso que me fez molhar os lábios e todo o resto.
Me ajoelhando em sua frente, eu o trouxe até a minha boca. Ramón soltou um gemido, eu também. Senti toda a sua estrutura em minha boca, desde a superfície e os meus olhos lacrimejaram. Ramón enrolou o meu cabelo em suas mãos e forçou a minha cabeça. E fiz exatamente o ritmo que ele ditava, o ritmo que me fazia perder o ar e ao mesmo tempo desejar mais. Passei minha língua lentamente sobre ele, só para depois o engolir sem nenhum arrodeio.
- Sigue. Más duro. – Ramón gemeu em seu sotaque excitante pra cacete enquanto se forçava ainda mais em minha boca.
E eu quase, quase fiz o que ele pediu. Mas eu não queria arriscar que ele chegasse ao ápice e me deixasse na mão.
- Desculpe, meu espanhol não é tão bom. – Voltei a me sentar na cama e limpei os lados da minha boca com o dedo indicador.
Vi algo sombrio nos olhos de Ramón, uma crescente onda de algo que não pude decifrar. Seus lábios estavam entreabertos, pequenas gotículas de suor em sua testa e tudo que ele fez foi me encarar com intensidade. Senti o meu coração acelerando, o desejo explodindo em cada célula do meu ser e eu poderia me derreter em mil pedaços só com aquele olhar, só com a sua mandíbula trincada do jeito que estava. Mas não foi apenas isso que ele fez.
Ele me puxou firme e me colocou deitada abaixo dele em um curto intervalo de meio segundo. Levou sua mão até o meu pescoço, fechando os seus dedos com pressão, passou a língua sobre os meus seios e pescoço e sem que eu esperasse, ele entrou dentro de mim. Meu gemido foi abafado pela sua mão ainda presa ao meu pescoço. Meu cabelo caía sobre os meus olhos enquanto ele continuava dentro de mim, seguindo um ritmo lento e depois rápido que poderia me matar. Abri os meus olhos para o encarar e ele estava acima de mim, sorrindo, lindo como o diabo.
Eu poderia me sentir enfeitiçada a medida que o seu corpo se movia com selvageria sobre o meu, o sentindo tão forte que eu poderia ser capaz de explodir. Estávamos incendiados, indecentes, escondidos em um segredo ardente de gemidos e suor. Minhas mãos seguraram suas costas com força, minhas unhas como garras se prendiam em sua pele.
Naquele momento me senti uma prisioneira. Do céu. Do inferno. Da lua. A cada movimento calculado e o seu toque quente sobre toda a minha pele, eu pude nos assistir reinventando uma própria loucura.
Minhas unhas ainda estavam firmes em suas costas enquanto a palma da sua mão estava em meu rosto, me obrigando a encará-lo, o fazendo assistir minha cara franzida, sofrida de tanto prazer.
Minha mente não funcionava com clareza enquanto meu corpo se contorcia daquela maneira, o prendendo com força contra meus quadris, enquanto Ramón afundava em mim com urgência e um desejo tão carnal que nada se passava em minha mente além dele. Além da maneira doentia e desesperada que ele me tomava para si.
Principalmente quando me virei para ele sobre os meus joelhos, joguei o meu corpo para trás e enfiei a minha cabeça no travesseiro da cama. Eu estava totalmente a mercê dele e eu nunca havia sido controlada daquela forma e aquilo estava acabando comigo. E entre os nossos gritos e as doçuras presentes quando ele passava lentamente as mãos sobre as minhas costas e em seguida puxava o meu cabelo, eu percebi que, ele e eu, estávamos trancados em nossos próprios momentos sem medida, e aquilo parecia ser capaz de devorar a nossa vida. E mesmo sabendo de tudo isso, eu quis continuar ali. Entrelaçados noite e dia porque aquilo era gostoso demais. Quente, viciante.
Ramón estava fazendo exatamente o que eu havia pedido horas atrás, estava me matando, me amaldiçoando, bebendo-me, me quebrando, me segurando com força enquanto me fodia. E porra, nunca havia sido assim, aquele sem dúvida, era o erro mais prazeroso da minha vida e valia a pena.
Ele continuou me entregando tudo de si, sem gentileza, apenas com uma forma cruel e profunda e eu estava prestes a atingir o orgasmo mais intenso que eu poderia imaginar. Mas antes que eu simplesmente me deixasse levar por aquela sensação que me arrancava do planeta, em uma estocada forte e profunda o suficiente Ramón me chamou de volta pra terra, me negando o orgasmo da mesma forma que o neguei antes. Mas eu estava preparada para seguir mais uma vez, tudo de novo.
Me virei rapidamente e eu voltei a deitar com as costas na cama e Ramón se encaixou novamente nas minhas pernas.
- Eu quero mais. – Eu já estava sem voz quando sussurrei em sua boca macia e que tremia sobre a minha, meus lábios atrevidos e insolentes pediam mais dele.
- Me matarás... – seu gemido rouco estava bem perto da minha orelha. - Eres tan caliente.
E como ele havia dito, sem sombra de dúvida, nós dois iríamos nos matar. O fogo continuava aceso entre nós e eu poderia sentir o meu corpo queimando de febre, mas tudo que eu queria continuar fazendo era banhar-me com o nosso suor. Era continuar encarando a fúria do seu olhar e bebendo o veneno de uma paixão que não daria em nada.
E em um ímpeto selvagem e sem interrupções, eu me senti flutuar e experimentar o gosto do paraíso. Ramón me acompanhou. Falando o meu nome com o sotaque que me deixou louca e eu senti todas as minhas estruturas destruídas, tudo que eu sabia sentir era alívio, era paz, serenidade.
Eu havia esquecido o quão gostoso era fazer aquilo pela primeira vez com uma pessoa nova, mas apesar disso tudo, havia algo diferente na maneira que tudo aconteceu. Talvez por ser a primeira vez de me deixar ser dominada, talvez pela maneira equilibrada que nós dois conseguimos manter, ou pela maneira que suas pálpebras queriam fechar com facilidade assim que se esvaziou sobre mim. Mas tudo que eu sabia era que aquele porto-riquenho, aparentemente desastrado e com certeza irritante, com óculos de grau, conseguiu me levar em um lugar mais quente que o sol.
Logo depois que nós dois acalmamos nossa respiração e deixar o ar secar o nosso suor, eu me levantei daquela cama. Notei o olhar de Ramón em cada passo meu e ele parecia curioso.
- O que foi? – eu perguntei enquanto passava o vestido pela cabeça. – Espera que eu durma aí?
Ramón sorriu e levou os braços para trás do seu pescoço, me fazendo notar com exatidão a tatuagem no seu antebraço.
- Você não é casada? – ele quis saber.
- Você não tem namorada? – o encarei.
- Meio tarde para perguntar, não é? – ele arqueou a sobrancelha e eu lhe dei apenas um sorriso falso.
Terminei de ajeitar o meu cabelo e peguei minha bolsa ao lado da cama, no exato momento que Ramón segurou os meus braços. O encarei, meu coração acelerou. Ele sorriu e me beijou.
Fui pega de surpresa pelos seus lábios nos meus, sobretudo porque parecia um beijo totalmente diferente do que ele me entregou horas atrás. A urgência foi substituída pela lentidão, por um beijo delicado, que chegava a ser gentil. Sua língua destemida procurou a minha e eu a entreguei sem muito esforço, claramente perdendo a minha cabeça. Ele concluiu o beijo mordendo lentamente o meu lábio e o puxando contra o dente. Gemi.
Me afastei rapidamente dele e dei o sorriso mais indiferente que eu podia. Ele virou para o lado e colocou os óculos de volta. Engoli em seco. Que merda!
- Vejo você por aí. – Dei as costas para ele e me afastei daquele lugar rapidamente.
Na volta pra casa, de dentro do meu carro, eu pude sentir o seu perfume no meu vestido e em cada vestígio de pele sobre o meu corpo todo, e era quase impossível respirar sem sentir o seu cheiro e imaginar o que poderíamos fazer se Ramón estivesse no banco do carona. Provavelmente eu havia encontrado o meu novo vício, e eu não me importaria de ter uma overdose.