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Você disse para eu morrer em silêncio, e eu morri
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Capítulo 2

Helena POV

Liguei para o receptador às 9:00 da manhã.

O nome dele era Marco, um homem engordurado que geralmente vendia relógios roubados para os soldados de baixo escalão. Ele ficou surpreso ao ouvir da esposa do Chefe, mas a ganância tem um jeito de silenciar perguntas.

Eu as coloquei sobre a cama. As bolsas Hermès. As pulseiras de diamantes. O casaco de chinchila que Dante me comprou depois de matar três homens em uma reunião e precisar lavar a consciência suja de sangue com dinheiro.

- Quero dinheiro vivo - eu disse a Marco. - E quero que seja por fora dos livros.

Ele olhou para a pilha, calculando. - Isso é perigoso, Sra. Costello. Se o Chefe descobrir que eu comprei os presentes dele...

- Ele não vai - eu disse, minha voz oca. - Ele não olha mais no meu closet.

Marco saiu com três malas de lona. Fiquei com uma pilha de dinheiro amarrada com elásticos, grossa o suficiente para engasgar um cavalo. Parecia sujo em minhas mãos, mas era a única moeda que importava agora.

Meu celular apitou. Uma notificação do Instagram.

Era Lorena. O perfil dela não era privado. Ela queria ser vista. A foto era uma selfie tirada no espelho de um banheiro. Ela usava um robe de seda, a mão repousando na pequena protuberância de sua barriga. Ao fundo, pendurada no gancho, estava uma jaqueta de couro de edição limitada.

A jaqueta de Dante.

A legenda dizia: Sã e salva. #SeuHerdeiro #FuturaRainha.

Eu não chorei. Acho que meus dutos lacrimais secaram junto com minha esperança.

Júlia chegou uma hora depois. Ela era a esposa do Subchefe de Dante, uma mulher feroz com brincos de argola e um canivete na bolsa. Ela era a única pessoa nesta vida que olhava para mim e via Helena, não apenas "A Esposa".

- Vamos às compras? - ela perguntou, olhando para os cabides vazios no meu closet.

- Não - eu disse. - Vamos dar uma volta de carro.

Eu a guiei para longe da cidade, para longe do território controlado pelo Comando. Dirigimos para a periferia, para um cemitério municipal tranquilo e discreto. A grama estava alta e as lápides eram placas modestas de granito.

- Helena, que diabos estamos fazendo aqui? - Júlia perguntou, estacionando sua Range Rover. - O mausoléu dos Costello fica no Cemitério da Consolação. Você sabe disso. Há um lugar ao lado do pai de Dante.

Saí do carro. O vento cortou meu pescoço exposto.

- Eu não vou ser enterrada com eles - eu disse.

Entrei no escritório. O zelador era um homem velho que cheirava a naftalina. Paguei pelo lote em dinheiro. Quando ele pediu o nome na escritura, não hesitei.

- Helena Rossi - eu disse. - Meu nome de solteira.

Júlia agarrou meu braço, suas unhas cravando na minha pele. - Helena, pare com isso. Dante vai matar todo mundo neste prédio se vir isso. Você é uma Costello. Por que está comprando um túmulo?

Virei-me para ela. A dor no meu abdômen era um rugido surdo agora, uma companhia constante.

- Porque eu tenho um mês de vida, Júlia. Câncer de pâncreas.

A cor sumiu do rosto dela. Ela parecia que eu a tinha esbofeteado.

- Não - ela sussurrou. - Não. Vamos aos melhores médicos. Vamos para a Suíça. Dante tem o dinheiro. Ele pode consertar isso.

- Dante me disse para morrer em silêncio - eu disse.

Júlia soltou um som que era meio soluço, meio grito. Ela tentou me arrastar de volta para o carro. - Vamos para o hospital. Agora. Vou ligar para ele.

Agarrei suas mãos. Elas tremiam.

- Se você ligar para ele, nunca mais falo com você. Quero morrer como Helena Rossi. Não como a esposa estéril do Chefe. Não como a mulher que ele traiu. Por favor, Júlia. Me dê isso.

Ela me encarou, lágrimas escorrendo pelo rosto, arruinando sua maquiagem. Ela viu a determinação em meus olhos. Ela viu o esgotamento.

- Tudo bem - ela engasgou. - Tudo bem, querida. Eu te ajudo.

Voltamos para o carro. Eu me senti mais leve. Eu tinha um lugar para descansar onde a sombra do império Costello não poderia me tocar.

Mas então a dor veio. Não era mais um rugido surdo; era uma faca se torcendo na minha barriga. Meus joelhos cederam. O cascalho correu para me encontrar.

- Helena! - Júlia gritou.

Tentei ficar acordada. Tentei dizer a ela para não me levar ao hospital da Família, onde eles relatam tudo a Dante. Mas a escuridão era pesada e doce.

A última coisa que ouvi foi Júlia gritando ao telefone.

- Trás essa sua bunda pra casa, seu filho da puta! Ela está morrendo!

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