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Você disse para eu morrer em silêncio, e eu morri
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Capítulo 8

Dante Vitiello POV

Meu primeiro pensamento foi que era uma boneca de cera.

Tinha que ser. Não podia ser Helena. Helena era macia. Helena era quente. Helena tinha bochechas que coravam de rosa quando eu a beijava.

Mas essa coisa na mesa era cinza. Era esquelética. A pele estava esticada demais sobre as maçãs do rosto afiadas, e os lábios tinham um tom azulado de hematoma.

Cambaleei para trás, batendo forte na parede.

- É um truque - eu disse. Minha voz soava como se viesse de debaixo d'água, distante e distorcida.

- Não é um truque, Dante.

Júlia estava parada na porta. Ela não estava mais gritando. A histeria fora substituída por uma calma aterrorizante e oca.

- Olhe para ela - ela disse. - Olhe de verdade para ela.

Forcei-me a olhar.

Vi a cicatriz fraca em seu queixo de quando ela caiu de bicicleta aos vinte anos. Vi a pequena pinta na curva de seu pescoço.

Era Helena.

Mas ela parecia... faminta.

Parecia que estava morrendo há muito tempo.

- Por que ela está tão magra? - perguntei, as palavras arranhando a bile que subia na minha garganta.

- Câncer - disse Júlia. - Pâncreas. Estágio quatro.

- Não - eu disse, balançando a cabeça. - Ela estava bem. Ela só estava... cansada. Estava com ciúmes da Lorena.

- Ela está morrendo na sua casa há meses - Júlia cuspiu, sua voz rachando o ar. - E você estava ocupado demais fodendo sua amante para notar que ela não conseguia comer. Estava ocupado demais construindo um quarto de bebê para notar que sua esposa estava desaparecendo.

Caí de joelhos. O impacto estalou contra o piso de cerâmica, mas eu não o senti.

Arrastei-me até a mesa. Peguei a mão dela.

Estava gelada.

- Helena - sussurrei. - Acorde.

Silêncio.

- Helena, por favor. Estou aqui. Estou em casa.

Nada.

Tentei levantá-la. Precisava aquecê-la. Se eu apenas a aquecesse, ela acordaria.

- Senhor, você não pode fazer isso.

Um homem de terno tentou me afastar.

- Me solta! - rugi. Empurrei-o para o outro lado da sala com uma explosão de força frenética.

Envolvi meus braços em seu corpo. Ela era tão leve. Leve demais. Como um pássaro com ossos ocos.

Júlia se aproximou. Ela não tentou me afastar.

Em vez disso, ela levantou a mão e me esbofeteou.

O som foi como um tiro na sala silenciosa. Minha cabeça virou para o lado.

- Ela se foi! - Júlia gritou, a vacuidade se quebrando. - Você a matou! Você a matou com sua indiferença! Agora a solte!

Olhei para o rosto de Helena. Seus olhos estavam fechados. Ela parecia em paz. Mais em paz do que parecia em anos.

O diretor da funerária se aproximou cautelosamente, segurando uma prancheta como um escudo.

- Sr. Costello - ele disse, sua voz tremendo. - Precisamos de uma assinatura para o atestado de óbito. E a liberação para a cremação.

- Cremação? - perguntei. - Não. Ela vai para o mausoléu da família.

Júlia arrancou a prancheta.

- Ela não queria o mausoléu - ela sibilou. - Ela não queria ficar perto de você.

Olhei para o papel. Causa da Morte: Câncer de Pâncreas. Parada Cardíaca.

Peguei a caneta. Minha mão tremia tanto que a tinta borrou na página.

Assinei meu nome.

Parecia assinar minha própria sentença de morte.

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