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Você disse para eu morrer em silêncio, e eu morri
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Capítulo 3

Helena POV

Acordei com o frio cortante do soro na minha veia.

O quarto principal estava escuro, o ar denso de tensão. O Dr. Ricci estava arrumando sua mala, seus movimentos bruscos e frenéticos. Todos pareciam nervosos perto de Dante, mas Ricci parecia um homem enfrentando um pelotão de fuzilamento.

Vasculhei o quarto. Não vi Júlia.

Dante estava de pé junto à janela, de costas para mim, olhando para o vasto gramado. Ele usava seu terno, o tecido ainda impecável, embora sua gravata estivesse afrouxada no colarinho. Ele não parecia um marido de vigília ao lado da cama de sua esposa doente. Parecia um CEO incomodado por um pequeno erro logístico.

- Júlia está banida da mansão - ele disse, sem se virar.

- Por quê? - Minha voz era pouco mais que um grasnido seco.

- Ela estava histérica. Gritando mentiras. Desrespeitando-me na frente dos meus homens.

Ele se virou então. Seu rosto era esculpido em granito, impenetrável e frio.

- Ela disse que você está morrendo, Helena. Esse é o novo jogo? Você paga o Ricci para falsificar um laudo? Você desmaia em um estacionamento para chamar minha atenção porque eu perdi o jantar?

Olhei para o Dr. Ricci. Ele não encontrava meus olhos. Concentrou-se intensamente no fecho de sua maleta médica. Dante pagava seu salário. Dante era dono de sua clínica. Se Dante quisesse que o laudo médico fosse uma página em branco, Ricci queimaria o verdadeiro sem hesitar.

- Não estou jogando - sussurrei.

Dante caminhou até a cama. Ele se agigantou sobre mim, roubando a luz restante do quarto.

- Você está desnutrida. Está estressada. Foi o que o médico disse. Você precisa comer. Precisa parar de obcecar com a Lorena.

A porta se abriu com um clique.

Lorena entrou. Ela usava um suéter de caxemira que custava mais que o carro do meu pai, macio e imaculado contra sua pele radiante. Ela segurava uma bandeja de sopa.

- Ouvi dizer que você não estava se sentindo bem - ela disse. Sua voz era puro xarope, enjoativa e venenosa. - Eu disse a Dante que deveríamos ver como você está. Coitadinha.

Ela caminhou até o lado de Dante e colocou a mão em seu braço. Ele não a afastou. Ele se inclinou levemente em sua direção. Um reflexo. Um hábito.

- Saia - eu disse.

- Helena, seja educada - Dante avisou, seu tom baixando uma oitava.

- Ela é uma vagabunda, Dante. Ela está dormindo na minha casa. Ela está carregando o filho que você me prometeu. E você a traz para o meu quarto?

Os olhos de Lorena se encheram de lágrimas instantâneas e ensaiadas. Ela olhou para Dante, tremendo perfeitamente.

- Eu só estava tentando ajudar - ela fungou. - Sei que ela está com ciúmes, Dante, mas não queria chateá-la. O bebê... consigo sentir o estresse.

A expressão de Dante escureceu. Ele agarrou a cintura de Lorena, puxando-a protetoramente contra seu lado.

- Chega, Helena. Você é tóxica. Esta casa deveria ser um santuário, e você a está enchendo de veneno.

- Meu veneno? - Eu ri, mas o som se partiu em uma tosse que sacudiu meu peito profundamente. - Você me prometeu, Dante. Você disse: 'Onde quer que você esteja, essa é a minha casa.'

- Isso foi antes de você se tornar isso - ele cuspiu, gesticulando para meu corpo frágil na cama. - Amarga. Ingrata.

Lorena sorriu de lado. Foi rápido, escondido atrás do ombro de Dante, mas eu vi. Ela olhou ao redor do quarto, seus olhos demorando na minha penteadeira, na nossa foto de casamento.

- Está um pouco frio aqui - ela disse suavemente. - Talvez devêssemos movê-la para a ala de hóspedes? É mais quente. E mais perto das enfermeiras.

Ela estava tentando me despejar da minha própria cama de casamento.

Sentei-me. A adrenalina atravessou a névoa da morfina, me dando uma explosão fugaz de força. Balancei minhas pernas para fora da cama e me levantei. Cambaleei, o quarto girando em seu eixo, mas me mantive de pé.

Caminhei até ela. Ela arregalou os olhos, interpretando a vítima com perfeição.

Eu a esbofeteei.

Não foi um tapa forte - eu estava fraca demais - mas foi o suficiente para deixar uma marca vermelha em sua bochecha perfeita e maquiada.

- Você nunca será eu - sibilei.

Lorena gritou, agarrando o rosto como se eu a tivesse esfaqueado.

Dante se moveu instantaneamente. Ele me empurrou.

Ele não queria me machucar, talvez. Ele só queria nos separar. Mas eu era o fantasma de uma mulher, frágil e leve. Voei para trás, batendo forte na parede. Deslizei até o chão, ofegando por ar enquanto a dor explodia nas minhas costelas.

Dante não veio ver como eu estava. Ele envolveu seus braços em volta de Lorena, suas mãos cobrindo a barriga dela.

- Você está bem? - ele perguntou a ela, sua voz frenética. - O bebê?

- Ela é louca! - Lorena soluçou em seu peito. - Ela tentou matar o herdeiro!

Dante olhou para mim. Não havia amor em seus olhos. Apenas nojo.

- Fique neste quarto - ele ordenou. - Se você tocar nela de novo, Helena, eu vou esquecer quem você é.

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