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Você disse para eu morrer em silêncio, e eu morri
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Capítulo 9

Dante Vitiello POV

Dizem que o fogo deve ser purificador. Eles estão errados.

Fiquei do lado de fora da sala do crematório, paralisado. O zumbido do forno era uma vibração baixa e faminta que vibrava através das solas dos meus sapatos.

Eles a estavam queimando.

Minha Helena. A garota que costurou minhas feridas de bala com mãos trêmulas. A mulher que me esperou acordada todas as noites até que eu simplesmente parei de voltar para casa.

Deslizei pela parede até sentar no chão de cerâmica frio. Coloquei a cabeça entre as mãos, a escuridão atrás das minhas pálpebras não oferecendo alívio.

- Há quanto tempo? - perguntei a Júlia. Ela estava encostada na parede oposta, fumando um cigarro que não deveria ter, a fumaça se enrolando ao seu redor como uma mortalha.

- Diagnosticada há um mês - ela disse, sua voz plana. - Doente há seis.

Seis meses.

Repassei os últimos seis meses em minha mente, e as memórias eram punhais.

Eu havia comprado um carro para Lorena. Eu havia perdido nosso aniversário. Eu havia olhado Helena nos olhos e dito que ela era estéril e inútil.

Eu a mandei morrer em silêncio.

Um soluço rasgou meu peito. Era um som feio, gutural, algo animalesco e quebrado.

- Eu mandei ela morrer - engasguei.

Júlia não me confortou. Ela apenas me observou com olhos frios e implacáveis.

- Ela te obedeceu - ela disse.

- Por que ela não me contou? - perguntei, o desespero arranhando minha garganta. - Eu a teria salvado. Teria trazido os melhores médicos que o dinheiro pode comprar.

- Ela não queria seu dinheiro, Dante. Não queria sua pena. Ela queria seu amor. E você o deu a uma vagabunda.

A porta pesada da sala do forno rangeu ao abrir. O diretor saiu, carregando uma simples urna de bronze.

Levantei-me de um salto. Estendi a mão para ela instintivamente.

- Essa é minha esposa - eu disse.

Júlia deu um passo à frente e interceptou a urna antes que eu pudesse tocá-la. Ela a segurou contra o peito possessivamente.

- Não - ela disse.

- Dê-a para mim, Júlia. Eu sou o marido dela.

- Não mais - ela disse. Ela tirou um documento dobrado da bolsa com a mão livre.

O testamento de Helena.

"Eu nomeio Júlia Moretti como a única guardiã de meus restos mortais", li, minha visão embaçando. "Eu proíbo explicitamente Dante Costello de possuir minhas cinzas ou comparecer ao meu enterro."

Encarei o papel. As palavras nadavam diante dos meus olhos, zombando de mim.

- Ela... ela me proibiu?

- Ela não queria te ver no Inferno, Dante - disse Júlia.

Ela virou nos calcanhares e caminhou em direção à saída.

- Júlia! - gritei, tropeçando atrás dela. - Para onde você a está levando?

- Para um lugar que você não pode encontrar - ela disse sem olhar para trás.

Segui-a até o estacionamento, a chuva começando a molhar o asfalto. Agarrei seu braço.

- Por favor - implorei. Nunca implorei por nada na minha vida. - Por favor, deixe-me dizer adeus.

Júlia parou. Ela olhou para minha mão em seu braço, depois para meu rosto banhado em lágrimas com um nojo distinto.

Ela enfiou a mão no bolso e tirou um celular. O celular de Helena.

Ela o jogou com força no meu peito. Tentei pegá-lo contra minhas costelas.

- Você quer dizer adeus? - disse Júlia, abrindo a porta do carro. - Leia as mensagens. Veja exatamente o que sua amante fez com ela enquanto ela estava morrendo.

Ela entrou no carro, bateu a porta e foi embora.

Fiquei parado na chuva, segurando um celular morto e um coração cheio de cinzas.

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