Gênero Ranking
Baixar App HOT
Você disse para eu morrer em silêncio, e eu morri
img img Você disse para eu morrer em silêncio, e eu morri img Capítulo 7
7 Capítulo
Capítulo 10 img
Capítulo 11 img
Capítulo 12 img
Capítulo 13 img
Capítulo 14 img
Capítulo 15 img
Capítulo 16 img
Capítulo 17 img
Capítulo 18 img
Capítulo 19 img
Capítulo 20 img
img
  /  1
img

Capítulo 7

Dante Vitiello POV

Um mensageiro chegou ao meu escritório às dez da manhã.

Minha assistente colocou o envelope na minha mesa de mogno, sua mão tremendo. Todos estavam nervosos hoje. A carga do porto estava atrasada, e eu estava com vontade de quebrar dedos.

Rasguei o envelope.

Papéis de divórcio.

Encarei o documento. Estava assinado. Helena Rossi. Não Costello.

Eu ri. Foi um som áspero e latido que fez meu subchefe se encolher.

- Ela enlouqueceu - eu disse, jogando os papéis de volta na mesa. - Ela acha que isso é um jogo. Acha que pode se divorciar do Chefe de São Paulo porque eu reformei uma casa.

Lorena estava sentada no sofá de couro, folheando uma revista. Ela olhou para cima, fingindo preocupação.

- É a Helena de novo? - ela perguntou. - Ela só está fazendo cena, Dante. São os hormônios. Ou a falta deles.

A crueldade dela geralmente me divertia. Hoje, irritou meus nervos.

Peguei meu telefone e disquei para Helena.

Chamou. E chamou. E chamou.

- Atende - rosnei.

Caixa postal.

Peguei meu casaco.

- Onde você vai? - Lorena perguntou, levantando-se. - Temos uma reserva para o almoço.

- Cancele - eu disse. - Vou acabar com essa birra de uma vez por todas.

Dirigi até a mansão. Eu ia rasgar aqueles papéis na cara dela. Ia lembrá-la de que ela me pertencia até que eu dissesse o contrário.

Entrei na casa com fúria.

- Helena! - gritei.

Silêncio.

A casa parecia diferente. Oca. Ecoava.

Entrei na sala de estar. Estava vazia. Não apenas desprovida de pessoas, mas desprovida de vida. Os vasos sumiram. As almofadas sumiram.

Corri escada acima.

O quarto principal estava despojado. As portas do closet estavam abertas, revelando cabides vazios. Sem roupas. Sem sapatos. Sem frascos de perfume na penteadeira.

- Ela foi embora - sussurrei.

A raiva ferveu no meu peito. Ela realmente tinha fugido. Ela achava que podia se esconder de mim? Eu incendiaria o estado inteiro para encontrá-la.

Vi um diário na escrivaninha. Era a única coisa que restava no quarto.

Peguei-o. Eu o reconheci. Ela costumava escrever nele todas as noites quando éramos recém-casados.

Abri na última página.

Dante, Adeus.

Joguei o livro na lixeira.

- Covarde - cuspi.

Meu telefone tocou.

Atendi imediatamente, pronto para liberar o inferno.

- Onde você está? - rugi.

Não era Helena.

Era Júlia. E ela estava gritando.

- Ela se foi, seu desgraçado! Ela se foi!

Eu congelei.

- Pare de mentir, Júlia. Diga-me onde você a está escondendo.

- Não estou escondendo ela! - Júlia soluçou, o som cru e quebrado. - Ela morreu! A Helena morreu!

Ri de novo. Foi um reflexo. Um mecanismo de defesa.

- Boa tentativa - eu disse. - Diga à Helena que a piada não tem graça.

- Estou na funerária da Rua da Consolação! - Júlia gritou. - Venha assinar os papéis da cremação, seu filho da puta!

A linha ficou muda.

Fiquei ali. O telefone parecia escorregadio na minha mão.

Morta?

Impossível. Ela só estava com ciúmes. Ela só era dramática. Ela era minha.

Minha assistente entrou. - Chefe, rastreei o celular da Sra. Costello.

- Onde está? - exigi.

- No necrotério, senhor. Hospital Santa Catarina.

O mundo pareceu girar em seu eixo.

Não falei. Apenas corri.

Dirigi como um louco. Passei por sinais vermelhos. Subi na calçada para desviar do trânsito.

Parei na funerária. O carro de Júlia estava lá.

Arrombei as portas duplas. A recepcionista olhou para cima, aterrorizada.

- Onde ela está? - gritei.

Júlia saiu de uma sala de velório no corredor. Seu rosto estava inchado de tanto chorar. Ela me olhou com puro ódio.

Passei por ela.

Entrei na sala.

Havia uma mesa no centro. Um lençol branco cobria uma forma.

- Não - sussurrei.

Caminhei para frente. Minhas pernas pareciam não me pertencer.

Estendi a mão e puxei o lençol.

Anterior
            
Próximo
            
Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022