Gênero Ranking
Baixar App HOT
Você disse para eu morrer em silêncio, e eu morri
img img Você disse para eu morrer em silêncio, e eu morri img Capítulo 4
4 Capítulo
Capítulo 10 img
Capítulo 11 img
Capítulo 12 img
Capítulo 13 img
Capítulo 14 img
Capítulo 15 img
Capítulo 16 img
Capítulo 17 img
Capítulo 18 img
Capítulo 19 img
Capítulo 20 img
img
  /  1
img

Capítulo 4

Helena POV

Ele a levou para baixo. Eu podia ouvi-lo acalmando-a, sua voz vibrando pelo assoalho como uma canção de ninar cruel.

Arrastei-me para cima usando a mesa de cabeceira. Meu ombro latejava onde eu havia batido na parede, mas a dor física era uma misericórdia, uma distração do fato de que meu coração tinha acabado de parar de bater.

Ele me empurrou. Para protegê-la.

Caminhei até o espelho. Eu já parecia um cadáver. Pele pálida, olheiras escuras, clavículas salientes como cabides. Como ele não via? Como ele olhava para esta versão esquelética de sua esposa e via apenas "ciúme"?

A resposta era simples: porque ele parou de olhar para mim há muito tempo.

Vesti um vestido preto. Apliquei maquiagem para esconder o tom amarelado da minha pele. Eu tinha coisas a fazer.

Saí pela porta lateral. Os guardas me deixaram passar; eles não se importavam para onde a esposa estéril ia, desde que eu não estivesse no caminho.

Fui a um estúdio de fotografia no centro. Eu precisava de um retrato. Uma imagem final para o funeral, para que as pessoas se lembrassem de Helena, não do fantasma em que eu me tornara.

O fotógrafo foi gentil. Ele me disse para sorrir. Eu tentei, mas a expressão não chegou aos meus olhos.

Enquanto eu pegava as provas uma hora depois, o sino acima da porta tocou.

Dante entrou. Ele segurava a mão de Lorena.

Eles congelaram. Eu congelei.

De todos os lugares da cidade, o destino tinha que escolher este, pensei amargamente.

- Você está nos seguindo? - Dante perguntou. Sua voz era baixa, perigosa. - Estamos aqui para um ensaio de maternidade.

Apertei o envelope grande contra o peito. - Não. Estou de saída.

Lorena deu um passo à frente. Ela parecia radiante. Grávida. Vitoriosa. Ela viu o logotipo no meu envelope.

- Fotos de modelo, Helena? - Ela riu. - Meio tarde para mudar de carreira, não acha? Você parece... cansada.

Ela estendeu a mão e arrancou o envelope antes que eu pudesse reagir.

- Devolva - eu disse, o pânico subindo na minha garganta.

Dante se interpôs entre nós, me bloqueando. - O que é isso? Evidência? Você está nos documentando?

Ele agarrou meu pulso. Seu aperto era de ferro. Doeu.

- Mostre-me - ele exigiu.

Lorena rasgou o envelope. Ela tirou a foto 20x25.

Era em preto e branco. Eu, em um vestido preto, parecendo serena e final. Era inconfundivelmente um retrato memorial.

O sorriso de Lorena vacilou por um segundo, depois se torceu em algo cruel.

- Oh, meu Deus - ela disse, fingindo choque. - Isso é uma ameaça de suicídio? Dante, olhe. Ela está planejando algo para arruinar a chegada do bebê. Ela quer atenção.

Dante olhou para a foto, depois para mim. Ele parecia perturbado, até assombrado, mas rapidamente mascarou isso com raiva.

- É essa a sua chantagem? - ele perguntou. - Você ameaça se matar? Acha que isso vai me fazer voltar?

Arranquei a foto de volta. A moldura se estilhaçou no chão. Vidro se espalhou por toda parte.

- Eu só quero ver você se arrepender disso - sussurrei.

Dante zombou. Ele chutou um pedaço da moldura quebrada para longe.

- Se quer morrer, Helena, então morra. Pare de ameaçar. É patético.

Ele me deu as costas. - Venha, Lorena. Vamos encontrar outro estúdio. Este aqui cheira a desespero.

Eu os vi sair. Minhas pernas cederam. Caí no chão, em meio ao vidro quebrado e ao rosto em preto e branco de uma mulher que já se fora.

Uma estranha, uma mulher esperando por suas fotos de passaporte, correu para me ajudar.

- Ele não te ama mais, querida - ela sussurrou, me ajudando a levantar.

Eu a empurrei. Não precisava de uma estranha para me dar a notícia.

Saí para a rua. Estava chovendo. Não abri meu guarda-chuva. Apenas andei.

Tirei dois analgésicos da minha bolsa e os engoli secos.

Dante costumava implorar para que eu tomasse uma aspirina quando tinha dor de cabeça. Ele costumava beijar minha testa e me trazer água.

Agora ele me mandava apressar e morrer.

Anterior
            
Próximo
            
Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022