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Tarde Demais Para Arrependimento: A Fugitiva do Rei da Máfia
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Capítulo 3

Os lustres do Salão de Cristal gotejavam diamantes, espelhando as mulheres sob eles.

Era o Baile de Aniversário da Famiglia, a única noite do ano em que as cinco famílias fingiam ser civilizadas. O ar cheirava a colônia cara, laquê e dinheiro sujo de sangue.

Dante estava ao meu lado, a mão pousada na curva das minhas costas. Para um estranho, poderia parecer possessivo, até protetor. Para mim, parecia uma marca - um aviso para outros homens: *Esta propriedade tem dono.*

"Sorria, Helena", ele murmurou, inclinando-se para o meu ouvido. "O Don russo está observando."

Eu colei um sorriso no rosto. Parecia tenso, quebradiço como argila seca.

"Eu *estou* sorrindo, Dante."

Ele apertou minha cintura - mais forte. Um beliscão de aviso.

Nós nos movemos pela multidão. Homens beijavam seu anel; mulheres me olhavam com uma mistura de inveja e pena. Elas sabiam. Todos sabiam sobre o iate. Todos sabiam sobre Sofia.

Eu era o Canário Engaiolado: bonita de se ver, mas incapaz de voar.

Marco, um soldado do círculo íntimo de Dante, aproximou-se de nós, segurando uma caixa de metal enferrujada.

"Chefe", ele sorriu, seus dentes manchados de vinho tinto. "Nós a encontramos. A cápsula do tempo da iniciação dos Jovens Capos. Cinco anos atrás."

Os homens ao nosso redor riram. Era uma tradição - prova de que antes de se tornarem monstros, eram apenas garotos com sonhos.

"Abra!", alguém gritou.

Dante parecia entediado, mas assentiu.

Marco forçou a tampa e começou a tirar itens: um canivete, uma garrafa de uísque barato, uma polaroid de um rival morto. E cartas.

"Aqui tem uma da Sofia!", Marco gritou, bêbado com a atmosfera.

A sala ficou em silêncio. Até o nome dela comandava atenção.

"Ela quer ser uma estrela de Hollywood", Marco leu, rindo. "Ela quer uma mansão no Morumbi e um marido que não carregue uma arma."

Uma onda de riso desconfortável percorreu a sala. Todos nós sabíamos que ela acabou com um Capo que morreu em uma sarjeta, e agora estava se agarrando ao Don.

"E aqui tem uma da... Sra. Moretti!", Marco tirou um pedaço de papel de carta cor de creme.

Eu congelei. Lembrei-me de ter escrito aquele bilhete. Eu tinha dezoito anos. Noiva de Dante. Ingênua. Estúpida.

"Leia!", o Don russo gritou.

Marco desdobrou o papel. Ele pigarreou.

"Eu espero", ele leu, "que quando isto for aberto, Dante me olhe da mesma forma que olha para o nascer do sol. Espero não ser apenas um dever, mas o seu lar."

O silêncio foi absoluto.

Foi humilhante. Foi uma vulnerabilidade crua e nua em uma sala cheia de tubarões.

Senti o calor subir pelo meu pescoço. Encarei o chão, incapaz de encontrar os olhos de ninguém.

Dante ficou imóvel ao meu lado. Eu podia sentir a tensão irradiando dele.

Ele pegou o papel da mão de Marco e olhou para ele - minha caligrafia, arredondada e feminina.

Ele olhou para mim. Pela primeira vez em meses, ele realmente *me viu*. Havia choque em seus olhos. Talvez até uma rachadura no gelo.

"Helena", ele começou, sua voz baixa.

Então, seu celular tocou.

O som quebrou o momento como vidro.

Dante não o ignorou. Ele nunca o ignorava.

Ele o tirou. "Sofia", ele atendeu.

Ele ouviu por dois segundos. Seu rosto endureceu como pedra.

"Onde?", ele latiu.

Ele desligou e se virou para Marco.

"Reúna os homens. Os Genovese a pegaram. Eles estão com a Sofia no armazém da Rua 4."

A sala explodiu em movimento. Soldados corriam, puxando armas de coldres escondidos.

Dante se virou para segui-los.

"Dante", sussurrei.

Ele parou. Ele olhou para trás, para mim.

"Por favor", eu disse. "Fique."

Foi um apelo. Um apelo desesperado e patético. Eu estava pedindo para ele me escolher. Apenas uma vez. Em vez dela.

Ele olhou para a porta. Depois olhou para mim.

"Ela está em perigo, Helena."

*Eu estou morrendo aqui*, pensei.

"Fique aqui", ele ordenou. "Não se mova. A segurança vai te vigiar."

Ele verificou a câmara de sua arma. "Eu tenho que ir."

Ele se virou e correu para fora do salão de baile.

Eu o vi partir. Eu o vi correr em direção à morte para salvá-la.

Ele me deixou parada no meio do salão, cercada por olhares fixos. A esposa que esperava por amor. O marido que corria para sua amante.

Eu estava desprotegida. Eu não era amada.

Caminhei até a mesa onde ele havia deixado meu bilhete. Eu o peguei.

Fui para a varanda. O ar da noite estava congelante.

Peguei um isqueiro de uma bandeja de prata na mesa de um garçom que passava.

Acendi a chama. Segurei o canto do papel no fogo.

Observei as palavras se enrolarem em cinzas. *Dante... nascer do sol... lar.*

Tudo isso, queimando.

Deixei o papel em chamas cair em um cinzeiro de cristal.

"Adeus, Dante", sussurrei para a fumaça.

Eu não chorei. Lágrimas eram para pessoas que tinham esperança.

Eu não tinha mais nada além da verdade fria e dura.

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