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Tarde Demais Para Arrependimento: A Fugitiva do Rei da Máfia
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Capítulo 6

Ponto de Vista de Helena Vitiello:

O frio era um peso físico, esmagando meus ombros, infiltrando-se pelo tecido fino do meu suéter como agulhas geladas.

Continuei andando.

A neve rangia sob minhas botas, um som rítmico que marcava os segundos da minha fuga.

Minha respiração se formava em plumas na minha frente, espectros brancos desaparecendo na floresta escura.

Eu não sabia para onde estava indo. Só sabia que não podia mais ficar naquela sala. Não podia vê-lo servir a bebida dela. Não podia vê-lo entregar o comprimido a ela. Não podia vê-lo ser para ela o marido que ele nunca foi para mim.

Um galho estalou atrás de mim.

Eu não me virei. Se fosse um urso, que me levasse. Seria uma morte mais limpa do que a lenta sufocação que eu estava vivendo.

"Helena!"

A voz era um rugido. Não era um animal. Era o Ceifador.

Eu tropecei. A neve estava funda aqui, subindo até minhas panturrilhas. Meu pé prendeu em uma raiz escondida, e eu caí.

O frio mordeu minhas palmas enquanto eu me amparava.

Mãos fortes agarraram minha cintura antes que eu pudesse me levantar.

Fui erguida contra um peito que parecia uma fornalha.

"Você está louca?", Dante gritou. Ele estava sem fôlego. Ele tinha corrido.

Ele me girou. Seus olhos estavam arregalados, abismos escuros de pânico. Ele tirou o casaco e o envolveu em mim. Cheirava a ele. Tabaco e lã cara.

"Você saiu do perímetro", ele rosnou, mas suas mãos estavam me verificando em busca de ferimentos. Ele tocou meu rosto. Seus dedos estavam quentes.

Eu olhei para ele. Por um segundo, apenas um segundo, o monstro se foi. Havia apenas um homem que estava apavorado por ter me perdido.

"Deixe-me ir, Dante", sussurrei.

"Não", ele disse. "Nunca."

Ele me pegou nos braços. Ele me segurou perto do peito, protegendo-me do vento.

Apoiei minha cabeça em seu ombro. Eu estava fraca. Eu era patética. Deixei-me fingir, pelo tempo de uma caminhada de volta para a casa, que ele veio aqui porque me amava.

Nós saímos da linha das árvores.

As luzes da cabana se derramaram sobre a neve.

Dante apertou seu aperto em mim.

"Eu te peguei", ele murmurou em meu cabelo. "Você está segura."

Então a porta se abriu com violência.

Sofia estava lá. Ela não usava casaco. Estava descalça na neve.

"Dante!", ela gritou. Sua voz era estridente, perfurando a noite silenciosa.

Ela desceu correndo os degraus. Ela tropeçou, caindo de joelhos na neve fofa.

"Você me deixou!", ela lamentou. "Você me deixou sozinha lá dentro! Eu ouvi barulhos! Os Genovese estão vindo!"

Ela estava histérica. Ela estava atuando. Era uma performance digna de um prêmio.

Dante parou. Ele olhou para mim, segura em seus braços. Depois olhou para ela, soluçando na neve, exposta e vulnerável.

O protetor nele mudou de marcha.

Ele olhou para mim. Seus olhos ficaram frios.

"Você consegue ficar de pé?", ele perguntou.

Ele não esperou por uma resposta.

Ele simplesmente me soltou.

Meus pés bateram com força no chão. Meus joelhos dobraram. Eu caí de volta na neve.

"Fique aqui", ele latiu.

Ele correu para ela. Ele passou por mim como se eu fosse uma estátua.

Ele pegou Sofia no colo. Ela se agarrou a ele, envolvendo as pernas em sua cintura, enterrando o rosto em seu pescoço.

"Estou com medo, Dante! Não me solte!"

"Eu não vou", ele prometeu a ela. "Estou aqui."

Ele a carregou em direção ao carro. Ele gritou ordens para os soldados.

"Peguem o SUV! Precisamos levá-la para a clínica. Ela está em choque."

O motor rugiu para a vida.

Eu sentei na neve. O casaco que ele me deu escorregou dos meus ombros.

Eu o observei colocá-la no banco do passageiro. Eu o observei entrar no lado do motorista.

Ele não olhou para trás.

O SUV cantou pneu para fora da entrada. Ouvi o guincho dos pneus no gelo. Depois um baque doentio de metal batendo em uma árvore.

Os soldados começaram a correr.

"O Chefe!", alguém gritou. "O Chefe e a Viúva bateram!"

Um segurança me levantou.

"Vamos, Sra. Moretti", ele disse, sua voz cheia de pena. "Temos que segui-los."

Sentei-me na parte de trás do segundo carro. Seguimos a ambulância até o hospital local.

Entrei na sala de espera.

Dante andava de um lado para o outro. Ele tinha um corte na testa, sangrando em seu olho. Ele não o limpou.

Ele estava gritando com uma enfermeira.

"Eu quero o melhor neurologista! Agora! Ela bateu a cabeça!"

Eu fiquei perto da máquina de vendas. Eu estava molhada. Eu estava tremendo. Ninguém me ofereceu um cobertor.

Soldados sussurravam perto da entrada.

"Ele nunca a superou", um murmurou.

"A esposa é apenas uma formalidade", outro respondeu.

Eu fechei os olhos.

Eu não era uma esposa. Eu não era nem mesmo uma formalidade.

Eu era um fantasma assombrando minha própria vida.

E fantasmas não sentem frio.

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