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Tarde Demais Para Arrependimento: A Fugitiva do Rei da Máfia
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Capítulo 5

A invasão começou na manhã seguinte.

Eu estava na cozinha, tomando uma xícara de café preto, quando as portas do elevador se abriram.

Dois soldados entraram primeiro, carregando um conjunto de malas Louis Vuitton.

Atrás deles veio Sofia.

Ela usava óculos de sol enormes e um colar cervical que gritava teatralidade. Seu mancar era uma performance migratória, mudando da esquerda para a direita sempre que ela pensava que os olhos estavam em outro lugar.

"Helena!", ela exclamou, sua voz ensaiada e rouca. "Obrigada por me receber. Dante insistiu."

Coloquei minha caneca no balcão. Minha mão tremeu, apenas uma vez.

Dante a seguiu. Ele usava um terno novo, impecavelmente cortado para esconder os pontos que eu havia costurado em sua pele apenas algumas horas antes.

"Ela fica aqui", ele anunciou, seu tom não deixando espaço para debate. "Os Genovese sabem onde ela mora. A cobertura é o único local seguro."

Não era um pedido. Era um comando.

Sofia sorriu para mim, um rápido flash de dentes antes que a máscara voltasse ao lugar. Ela enfiou a mão na bolsa e tirou um buquê de rosas vermelhas.

"Para você", ela disse. "Obrigada por me emprestar seu marido ontem à noite."

Eu encarei as flores.

"Sou alérgica a rosas", eu disse, minha voz plana.

Os olhos de Sofia se arregalaram em surpresa exagerada e fingida. "Oh! Eu esqueci. Dante me mandou rosas na semana passada, e eu simplesmente presumi..."

Ela deixou a frase pairando no ar. Um dardo envenenado, encontrando seu alvo.

Dante esfregou as têmporas, o cansaço gravando linhas ao redor de seus olhos. "Chega. Faça uma mala, Helena. Estamos nos mudando para a casa de Campos do Jordão até a ameaça passar."

Eu me levantei, a espinha rígida. "Eu não vou ficar trancada em uma cabana com sua amante, Dante."

"Ela é um ativo protegido!", ele retrucou, sua voz ecoando nas paredes de mármore como um tiro. "Não uma amante. Você é minha esposa. Você vai para onde eu for. Não é seguro aqui."

E assim, nós fomos.

A viagem foi de três horas de silêncio sufocante. Sofia sentou-se no banco da frente com Dante. Eu sentei no banco de trás, atrás da divisória de privacidade, como uma prisioneira sendo transferida para uma instalação de segurança máxima.

A casa de Campos do Jordão era uma fortaleza de toras espalhada, esculpida no coração da floresta nevada. Era linda. Era isolada.

Foi também onde Dante me levou para nossa lua de mel.

Agora, Sofia estava entrando pela porta, tocando nos móveis, reivindicando o espaço como se estivesse marcando território.

"Eu me lembro deste tapete", ela suspirou, passando uma mão bem cuidada sobre a lareira. "Tivemos um... fim de semana memorável aqui, não é, Dante? Antes do casamento."

Dante a ignorou, seu foco inteiramente na situação tática enquanto servia bebidas no bar.

Ele caminhou até nós.

"Aqui", ele disse.

Ele entregou a Sofia uma taça de vinho tinto.

Então, ele me entregou um copo de líquido âmbar.

Uísque.

Eu encarei o copo em minha mão.

Eu detesto uísque. Para mim, tem gosto de gasolina e arrependimento. Eu bebo gim.

Sofia bebe uísque.

Dante ficou ali, esperando que eu tomasse um gole. Ele estava olhando para o celular, verificando os perímetros de segurança, completamente alheio ao erro.

Ele nem percebeu o que tinha feito.

Ele me substituiu em sua mente tão completamente que não conseguia nem distinguir minhas preferências das dela.

Eu peguei o copo.

"Obrigada", eu disse suavemente.

Eu o observei voltar para Sofia. Ele perguntou se ela precisava de analgésicos para seus "ferimentos". Sua voz era suave. Preocupada.

Naquele momento, a verdade se cristalizou: eu era invisível. Eu não era mais uma pessoa para ele. Eu era uma função. Um título. Sra. Moretti.

Coloquei o uísque intocado na mesa lateral.

"Vou para a casa da piscina", anunciei.

Dante olhou para cima, distraído. "Não saia do perímetro, Helena. A floresta não é segura."

Eu olhei para ele. Depois olhei para Sofia, que estava bebendo seu vinho e me observando com triunfo indisfarçado.

"Aproveite seu uísque, Dante", eu disse, minha voz firme. "É o favorito da Sofia, não é?"

Ele franziu a testa, a confusão passando por seu rosto. "Sim. Por quê?"

Eu não respondi. Virei-me e saí pela porta dos fundos.

O frio cortante me atingiu instantaneamente. A neve caía suavemente, cobrindo o mundo de silêncio.

Caminhei em direção à casa da piscina, mas não parei.

Contornei a borda da patrulha de guarda. Eu conhecia a rotação deles de cor; eu a observei da janela por três anos solitários.

Deslizei para a linha das árvores, um fantasma na neve.

Peguei o celular descartável.

Mandei uma mensagem para Isabella.

*Adiante o cronograma. Agora.*

Olhei para a casa uma última vez. Através da grande janela de vidro, vi Dante. Ele estava rindo de algo que Sofia disse. Ele parecia relaxado. Feliz.

Ele nem sabia que eu tinha ido embora.

Virei as costas para o calor e caminhei para a neve.

O frio era cortante, mas era uma misericórdia em comparação com o calor de sua traição.

Eu estava fora do perímetro.

E eu não ia voltar.

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