O anel parecia pesado no meu dedo. Era um diamante do tamanho de um selo postal. Eu estava sentada no banco de trás do carro, com as mãos no colo. Eu ficava tocando o anel, tentando me convencer de que era real. Três horas atrás, eu estava lavando béqueres em um porão, preocupada com a passagem de ônibus. Agora, eu tinha uma certidão de casamento na minha bolsa e uma pedra no meu dedo que provavelmente poderia comprar a universidade inteira. Eu estava casada. A constatação não foi como aquela onda romântica que eu sempre imaginei que seria. Não havia flores nem música suave. Eu havia entrado em uma união legal. Dante estava sentado do outro lado do amplo banco de couro, com o telefone pressionado contra a orelha. Ele não tinha olhado para mim uma vez sequer desde que saímos da prefeitura. Chegamos a um portão enorme e o carro parou sob um pórtico de pedra. O motorista abriu a minha porta e eu saí. Eu me senti como uma intrusa. Virei-me para Dante, esperando que ele dissesse algo, talvez um "bem-vindo" ou uma breve explicação das regras da casa. Ele saiu do carro, olhou para o relógio e fez sinal para outro SUV preto parado perto da garagem. Uma mulher mais velha, vestindo um terno cinza-escuro, saiu pela porta da frente da mansão. Ela tinha o cabelo preso em um coque elegante e firme. "Esta é a Sra. Gable", disse Dante. Seus olhos finalmente se voltaram para mim por uma fração de segundo. "Ela é a governanta. Ela lhe mostrará o seu quarto e providenciará tudo o que você precisar."
Abri a boca para perguntar aonde ele ia, mas ele já estava caminhando em direção ao segundo carro. "Por aqui, Sra. Moretti", disse a mulher. Segui-a para dentro. Passei a vida em apartamentos apertados e dormitórios compartilhados, onde as paredes eram finas e o ar cheirava a óleo de cozinha velho. Nunca imaginei que moraria em uma casa como esta. Parecia fria e vazia, apesar dos móveis caros. "O escritório e an ala particular do Sr. Moretti ficam a leste", disse a Sra. Gable. Sua voz ecoou nos tetos altos. "A senhora não deve entrar nessa ala sem ser convidada. Sua suíte fica no segundo andar, ala oeste. Há uma biblioteca, uma academia e um cinema no andar de baixo. As refeições são servidas às oito, uma e sete horas. Se tiver alguma restrição alimentar, deixe uma lista na ilha da cozinha." "Eu sei cozinhar", respondi. Minha voz soou fraca naquele espaço vasto. Eu estava acostumada a fazer ramen em uma chapa quente ou comer as sobras da cantina do hospital. "Isso não será necessário", ela respondeu. Ela nem sequer sorriu. "A equipe cuida de tudo. Seus pertences foram transferidos do seu dormitório. Eles estão no seu vestiário." Ela me conduziu pelas amplas escadas até um quarto. Lá dentro havia um quarto maior do que todo o meu antigo apartamento. Tinha uma cama king-size, um closet e um banheiro feito de ouro e pedra. A visita guiada terminou, o jantar foi servido em uma sala de jantar com capacidade para vinte pessoas, e a governanta e eu nos despedimos. Comi em total silêncio. "Boa noite, Sra. Moretti", disse a Sra. Gable quando veio recolher a mesa, e então ela se foi.
Subi para o meu quarto, fui ao banheiro tomar um banho e usei os sabonetes caros que cheiravam a sândalo e cítricos. Sequei o cabelo com uma toalha mais macia do que qualquer cobertor que eu tivesse. Vesti uma camiseta velha e larga que eu tinha desde o primeiro ano da faculdade. Era fina e desbotada, mas era a única coisa que me fazia sentir eu mesma. Deitei na cama. Os lençóis eram de seda de alta qualidade. O silêncio da casa era pesado e começava a me incomodar. Não havia sirenes da rua, nem vizinhos gritando, nem canos pingando. Estava tão silencioso que eu conseguia ouvir meus órgãos funcionando. Senti-me isolada. Fiquei deitada ali por um longo tempo, encarando o teto. Pensei no contrato. Dez milhões de dólares, minhas dívidas quitadas e tudo o que eu tinha que fazer era sobreviver a esta casa e dar um filho a um homem que eu não conhecia. Fechei os olhos, tentando forçar o sono a vir. O clique da maçaneta da porta me acordou. Não me mexi. Mantive a respiração curta, meu coração batendo forte contra as costelas. Olhei para o relógio digital na mesa de cabeceira. Eram duas da manhã. A porta rangeu levemente ao se abrir. Um aroma forte e masculino invadiu o quarto. Abri os olhos e me sentei, puxando o edredom para o peito. O quarto estava escuro, mas o luar que entrava pela janela revelava a figura parada sobre mim. Ele era alto, com ombros largos, bloqueando a luz do corredor. "Dante?" sussurrei, esperando que fosse ele e não um estranho. "Tire a roupa." Sua voz era rouca e exigente. Não era um pedido. Estendi a mão para o abajur e acendi a luz. O brilho repentino me fez semicerrar os olhos. Dante estava parado aos pés da cama, seu paletó preto havia sumido. Sua camisa branca já estava desabotoada até a metade, e a gravata estava frouxa nos ombros. As mangas estavam arregaçadas, revelando antebraços musculosos. Ele parecia cansado. Seu corpo estava literalmente mais visível agora. Ele era o homem mais bonito que eu já tinha visto, e também o mais assustador. Apesar do medo, um calor estranho se instalou no meu estômago. Eu estivera sozinha por tanto tempo, e sua presença era avassaladora. Me dava vontade de apenas abraçá-lo, de sentir outra pessoa perto de mim nesta casa silenciosa. Continuei encarando seus traços perfeitamente esculpidos, o maxilar definido e os olhos escuros e tempestuosos. "Elara", ele disse. "Senhor", a palavra escapou da minha boca antes que eu pudesse impedi-la. "Tire suas roupas", ele repetiu. Ele se aproximou da beirada do colchão. O tom de sua voz me fez perceber que eu estava prestes a passar por muita coisa. Minha vida como estudante havia acabado. Minha vida como sua esposa finalmente começara.