A mansão era sempre fria, mas a biblioteca era o único cômodo que parecia um cômodo de verdade e não um museu. Eu estava debruçada sobre um pesado livro de patologia cardiovascular quando a porta rangeu. Não precisei olhar para cima para saber que era Lorenzo. Ele tinha sido minha única companhia na última semana. Enquanto Dante estava na cidade, presumivelmente quebrando ossos ou ganhando bilhões, Lorenzo estava aqui. Ele era o único com quem eu conseguia conversar sem que eu respondesse com um "Sim, Sra. Moretti" dos funcionários. "Você vai ficar cega de tanto ler com essa luz, Elara", disse Lorenzo. Ele se aproximou e acendeu um abajur de latão ao lado da minha cadeira. Olhei para cima, esfregando os olhos. "Preciso acompanhar. Se eu parar de estudar, vou esquecer tudo o que sei. Sou médica, Lorenzo. Não um vaso decorativo." Lorenzo se encostou na beirada da mesa, perigosamente perto do meu espaço pessoal. Ele estendeu a mão e traçou a borda do livro. "Você é muito mais do que uma médica." Ele me olhou com uma intensidade que deixou o ar da sala pesado. Por uma semana, ele tinha sido o perfeito cavalheiro... meu perfeito cavalheiro. "Dante não voltou para casa há dois dias", eu disse, tentando mudar de assunto. "Dante é um tolo", sussurrou Lorenzo. Ele se levantou e caminhou até atrás da minha cadeira. Senti suas mãos pousarem em meus ombros. Seu toque era quente. "Ele tem a mulher mais incrível de Nova York sob o seu teto e a trata como um item no orçamento. Ele não te enxerga, Elara. Não como eu te enxergo."
Eu deveria ter me mudado, mas me sentia sozinha. Eu era uma garota de vinte e um anos que havia sido trazida para uma vida de silêncio. A atenção de Lorenzo era como uma droga, uma droga muito viciante. Ele contornou a cadeira e se ajoelhou na minha frente. Ele pegou minhas mãos nas suas. "Eu vejo o jeito que você olha para os portões. Você está presa. E me mata saber que ele é quem tem a chave." "É só um ano, Lorenzo", eu disse, com a voz trêmula. "Esse era o acordo." "Um ano é muito tempo para não ser amada", ele disse. Ele se levantou, me puxando para mais perto. A distância entre nós desapareceu. Eu podia sentir o perfume caro em seu pescoço e o leve aroma de hortelã. Lorenzo estendeu a mão, o polegar roçando meu lábio inferior. Foi um movimento suave e hesitante que me fez prender a respiração. Ele não estava exigindo como Dante; ele estava perguntando. "O que você está fazendo?" Eu sussurrei, embora não tenha me afastado. "Elara", disse ele, sua voz quase um sussurro. Ele se inclinou para perto. Eu podia sentir o calor irradiando dele. Meu coração estava acelerado, uma mistura de culpa e uma necessidade desesperada de que alguém realmente me quisesse. Seu rosto estava a centímetros do meu. Fechei os olhos, esperando pelo contato, esperando pela faísca que finalmente queimaria o gelo desta casa. As pesadas portas duplas da biblioteca se abriram com um estrondo contra as paredes de pedra. "Tire as mãos dela." Dei um pulo para trás, quase tropeçando na cadeira. Lorenzo manteve-se firme. Dante estava parado na porta, parecia que tinha acabado de sair de uma zona de guerra. Seu casaco estava aberto, sua gravata havia sumido, e seus olhos não eram apenas frios, eram assassinos. "Dante", começou Lorenzo, sua voz falhando um pouco. "Nós estávamos apenas...." Dante se moveu mais rápido do que eu imaginava que um homem do seu tamanho pudesse. Em três passos, ele estava do outro lado da sala.
Ele não discutiu. Agarrou Lorenzo pela gola do suéter e o jogou contra uma estante. Vários livros caíram no chão, o som ecoando como tijolos caindo. "Dante, pare!" gritei, levando as mãos à boca. Dante me ignorou. Ele mantinha Lorenzo imobilizado, com o antebraço pressionado contra a garganta do irmão. "Eu te disse para ficar longe dela, Enzo. Eu te disse que ela era proibida." "Ela é um ser humano, Dante! Não um cachorro que você deixa numa casinha!" Lorenzo engasgou, lutando contra o aperto do irmão. O rosto de Dante estava a centímetros do de Lorenzo. "Ela é minha esposa. Ela carrega meu nome. E se eu vir você tocando no que me pertence de novo, não me importarei que compartilhemos o mesmo sangue. Eu te enterrarei no jardim. Entendeu?" Ele não esperou por uma resposta, jogou Lorenzo para o lado como se ele não fosse nada mais que um boneco de pano. Lorenzo se encostou nas prateleiras, ofegante e esfregando o pescoço. Dante voltou seu olhar para mim. Senti-me como um coelho pego na mira de um lobo. A possessão em seus olhos era aterradora. "Lá em cima", ordenou Dante. "Não", eu disse, minha voz trêmula, mas firme. "Você não pode simplesmente entrar aqui e..." Dante não me deixou terminar. Ele invadiu meu espaço, sua presença me engolindo completamente. Ele se inclinou, sua voz baixando para um sussurro perigoso. "Você me pertence, Elara. Você assinou o contrato, você é minha até que eu diga o contrário. Se você pensa que pode encontrar conforto na cama do meu irmão porque eu não estou aqui para vigiá-la, você está redondamente enganada." "Eu... não... não foi assim", gaguejei. "Não me importa como foi", ele disparou. Estendeu a mão e agarrou meu braço. Seu aperto era forte. Não doía, mas era inflexível. "Você vai para o seu quarto. Vai ficar lá até que eu venha buscá-la. E se eu encontrar Lorenzo a menos de três metros de você de novo, o contrato está anulado, o dinheiro acabou e você estará de volta naquele esgoto em menos de uma hora." Ele me arrastou em direção à porta. Olhei para trás e vi Lorenzo furioso.
"Não olhe para ele!" Dante rugiu, puxando meu braço bruscamente. Ele me arrastou para fora da biblioteca e me levou escada acima. Os funcionários desapareceram como baratas. Ele não parou até chegarmos ao meu quarto. Ele abriu a porta com um estrondo e me empurrou para dentro. Me virei, minha raiva finalmente transbordando. "Você não pode me tratar assim! Eu não sou uma prisioneira!" Dante entrou no quarto e trancou a porta atrás de si. Ele começou a desabotoar a camisa. "Você é exatamente o que eu digo que você é", disse Dante. Ele jogou a camisa em uma cadeira, revelando as cicatrizes em seu peito. "Você quer atenção, Elara? Quer ser vista? Ótimo. Eu lhe darei toda a atenção que você aguentar." Ele caminhou em minha direção. "Você vai aprender esta noite", sussurrou ele, me encostando na cama. "Você vai aprender exatamente a quem você pertence." Estendi a mão para trás, batendo no colchão. Meu coração batia tão forte que eu podia senti-lo nos meus ouvidos. Eu queria que ele me notasse, mas isso... isso era uma tempestade da qual eu não tinha certeza se conseguiria sobreviver. E eu adorava isso. "Dante", sussurrei. "O quê?", ele rosnou, estendendo a mão para acariciar meu queixo, o polegar pressionando firmemente minha bochecha. "Você quer que eu pare?" Não respondi, não queria que ele respondesse. Se essa fosse a única maneira de tê-lo, eu o teria, mas não lhe daria o benefício da minha vulnerabilidade. Ele não esperou por uma resposta. Colou seus lábios nos meus. Mas antes que pudesse respirar novamente, virei-o e suas costas caíram na cama. "Do meu jeito", eu disse, sentando em seu colo.