5 Capítulo
Capítulo 10 A Jaqueta

Capítulo 11 De volta ao lar

Capítulo 12 Você está apaixonada

/ 1

Acordei cedo naquela manhã de sexta-feira.
Depois do banho, vesti uma calça jeans e uma blusa azul meio comprida. Fiz um rabo de cavalo no cabelo e peguei minha bolsa, indo ao estacionamento.
O dia lá fora estava chuvoso e frio.
O dia perfeito para mim!
Assim que saí do estacionamento, vi um cara alto, de cabelos castanhos e olhos verdes debaixo da chuva. Parecia esperar um táxi.
Reconheci muito bem quem era aquele homem encantador.
Mas ele estava de terno. Bastante executivo. E extremamente lindo.
- Gustavo. - Eu gritei, baixando os vidros. - Tá fazendo o que aí? - perguntei, enfiando a cabeça para fora do carro.
Pequenas gotas de chuva caíram sobre meu rosto.
- Melissa? - ele parecia incrédulo ao me ver, mesmo estando na frente do meu prédio. - É... Eu... - ele rapidamente se abaixou.
Seu esculpido rosto ficou próximo do meu.
Minha respiração ficou pesada. Tive que me segurar para não tirar aquelas leves gotículas de chuva de seu afilado nariz.
- Eu estou indo trabalhar. Meu carro deu um problema. Estou esperando um táxi. O motorista do meu pai está ocupado com minha irmã. - explicou.
- Quer carona? - ofereci, arqueando a sobrancelha.
- Se não for incomodar... - ele jogou a cabeça para o lado.
- Que nada, entra aí.
Fechei o vidro do carro. Ele deu a volta, abriu a porta e sentou-se ao meu lado no banco do carona.
- Te encontrei no melhor momento da minha vida. - Ele disse, respirando fundo e colocando o cinto de segurança. - Obrigado.
Sua primeira frase fez minha cabeça rodar. Imaginei se ele falava apenas da carona mesmo.
Mas era claro. Por que eu pensaria diferente disso?
- Qual foi? Você ainda está todo molhado. - Sorri logo que sua testa franziu ao olhar para o terno.
Balancei a cabeça e voltei a acelerar com o carro. Mas antes liguei o rádio e coloquei o CD "Multiply" do Ed Sheeran.
Quando de repente, o Gustavo começou a cantarolar.
Opa!
- Então você conhece as músicas do Ed? - Perguntei com um sorriso astuto no rosto, não conseguindo disfarçar meu orgulho.
- Eu sou muito fã desse cara. - Ele deu de ombros. - Não que eu seja romântico, mas é que as músicas dele falam de amor de um jeito tão real que é impossível não ficar viciado e sofrer com essas letras.
Ele sorriu e eu também. Então voltou a cantarolar.
A voz dele era tão suave quanto a do Ed. E o meu sorriso crescia.
Gustavo parecia ser perfeito.
Seguimos. Só que dessa vez, também cantei junto com ele.
Eu me senti feliz naquele momento.
Quando eu já estava perto da empresa, perguntei onde ele trabalhava. Dava pra deixá-lo no trabalho. Ainda faltava uns minutos para o meu horário.
- Bom, já está perto. - Ele olhou pela janela. Já não chovia mais. - É na empresa Albani.
- O quê? - parei o carro, lhe encarando e freando bruscamente.
- O que aconteceu? - ele perguntou com os olhos preocupados e a testa franzida.
- Você... É... Hã... - respirei fundo e por fim, falei: - Você é o filho do seu Marcelo que vai ficar no lugar dele na empresa. - Não foi uma pergunta.
- Sim. Como sabe? - um "V" formou entre suas sobrancelhas.
- Eu trabalho pra ele. E ele me falou que o filho dele iria trabalhar no seu lugar, já que ele teve uma viagem. Então quer dizer que você é o filho... dele!
Fiquei olhando pra Gustavo com a boca aberta, feito uma idiota, tentando montar tudo aquilo.
Ele riu da minha cara.
- Prazer, Gustavo Albani, filho do Marcelo Albani.
Eu não consegui segurar e gargalhei da situação.
Gustavo me acompanhou, mas falou:
- Então vamos?
- Vamos.
Seguimos até chegar à empresa e entramos juntos. Ele cumprimentou as minhas colegas com um "bom dia" de um modo muito educado.
Percebi que elas ficaram loucas por ele.
E eu não gostei disso. Parecia errado.
- Melissa, vem cá. Esse gatinho é o filho do Marcelo? - Perguntou Letícia.
Revirei os olhos e assenti.
Elas ficaram lá comentando sobre o Gustavo. Mas pra falar a verdade, quem não se interessaria por aquele homem?
Bem, eu não. Ele não fazia meu tipo.
Mas só então percebi que estava com muita raiva. E eu não tinha nenhum motivo pra isso.
Quer saber? Devia ser por conta do tédio.
Então ignorei.
Quase na hora do almoço, Gustavo me chamou.
- Licença. – falei, abrindo a porta.
Ele estava inexplicavelmente lindo dentro daquele terno. Sentado elegantemente e com um sorriso arrebatador em seu rosto.
Fiquei um pouco desnorteada, mas consegui ouvir ele falar:
- Aceita almoçar hoje comigo? - seus olhos ficaram ansiosos.
Como recusar comida e Gustavo ao mesmo tempo? Sem chance.
- Sim. - Eu disse.
Ele abriu um sorriso tão bobo que quase sorri da sua cara - se eu não estivesse nervosa.
Não sabia ao certo o porquê.
- Então pode ir arrumar suas coisas. Em cinco minutos passo pra ir chamá-la.
- Ok.
Sai da sala com um sorriso que teimava não deixar meu rosto. E dessa vez, não reclamei de levantar e sentar da minha cadeira.
Ver o sorriso de Gustavo era algo irrecusável de se admirar.
Não pude deixar de notar que minhas colegas ficaram me olhando de lado. E eu não me importei nem um pouco.
Assim que arrumei minhas coisas, o Gustavo já estava se aproximando de mim. Ele veio em minha direção.
- Vamos? - ofereceu o braço.
Eu não sabia o que fazer. Mas só pelo olhar de raiva de Letícia, eu aceitei seu braço.
Ouvi quando as meninas bufaram.
Poderiam explodir!
Gustavo não percebeu. No entanto, ele estava feliz em ter minha companhia - como em todas as outras vezes.
Seguimos pra almoçar. E não foi no shopping que sou acostumada a ir sempre. E sim em um restaurante.
Bastante chique, por sinal!
Assim que chegamos, ele puxou a cadeira para que eu me sentasse. Ele se sentou logo na minha frente e falou:
- Pode escolher o que quiser. É tudo por minha conta.
- Claro que é! Você quem me convidou. - Apontei.
Ele gargalhou.
- Então manda ver.
Escolhi meu prato e ele me acompanhou com prato igual. Conversamos durante o almoço. E nos momentos de silêncio, ele apenas me encarava. Sem nunca abandonar o lindo sorriso.
Terminamos de almoçar e de comer nossa sobremesa quando ele pediu a conta.
Eu estava totalmente satisfeita.
- Vamos? – chamou, levantando-se e me dando a mão.
- Vamos. - Aceitei sua mão, mas assim que levantei a soltei.
Era muito estranho o que acontecia dentro de mim quando tinha qualquer contato físico com ele.
E eu já estava assustada com tudo aquilo.