8 Capítulo
Capítulo 10 A Jaqueta

Capítulo 11 De volta ao lar

Capítulo 12 Você está apaixonada

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Cheguei no meu apartamento e dei uma geral ao som de Ed Sheeran.
Quando entoou a música "Tenerife Sea", foi meio que impossível não pensar no Gustavo. E não lembrar da gente cantarolando no caminho do trabalho.
Balancei a cabeça rapidamente.
Eu tinha que parar de me distrair assim quando ouvia Ed Sheeran.
Porque, a partir do momento que eu conheci o Gustavo, não podia ouvir sequer uma música e não lembrá-lo.
- Isso não é nada! - falei pra mim mesma.
E mudei de cantor.
Já eram quatro horas da tarde e eu estava assistindo um filme na TV da sala quando meu telefone tocou.
- Melissa. - era Paloma. - A gente vai para aquela pizzaria próximo à sua casa. Então nós passaremos aí.
- Tá. Que horas? - bocejei.
- Às seis e meia. - ela falou meio que rindo.
- Não era às sete? - indaguei confusa.
- Até mais, amiga. Em breve passaremos aí. - desligou.
Fiquei sem entender nada.
Eu precisava de um manual pra ser amiga da Paloma.
As horas se passaram rápidas.
Tomei um banho relaxante. E dessa vez, sem ouvir músicas.
Músicas me fazia lembrar o Gus...
Argh! Interrompi o pensamento que sempre vinha em minha cabeça sem permissão.
Ainda com a toalha enrolada no cabelo e no corpo, eu fui até o guarda-roupas.
E eu não tinha nada pra vestir.
Vasculhei algumas blusas e peguei uma preta com mangas longas que tinha detalhes cinzas no finalzinho do tecido nos braços e na cintura. Como a pizzaria era ao ar livre, com certeza faria frio. Eu era incapaz de sentir calor mesmo.
E a calça, como sempre, meu jeans preto, rasgado nas coxas.
E então chegou a vez da maquiagem. E como era um sábado à noite, era o meu direito tirar aquela cara de segunda-feira.
Por isso, passei base e um rímel que sempre destacava o azul dos meus olhos. Sombra com tom de cinza claro. E, por fim, um batom vermelho.
Gostei do que vi no espelho.
Mas havia um dos piores problemas: o meu cabelo.
Removi a toalha que estava enrolada entre minhas madeixas com intuito de secá-las. E vi que não tinha dado tanto efeito.
Então, eu mesma sequei. Não os prendi. Deixei solto, de forma que combinou bastante com o meu visual naquela noite.
A massa negra caiu suavemente até minhas costas, com as pontas bastante onduladas.
E sim, eu estava pronta.
E então, a campainha tocou numa rápida telepatia.
Abri a porta.
Só que não era exatamente quem eu esperava.
- Gustavo? – eu arfei, engolindo em seco e tentando ignorar o alvoroço já conhecido.
- Nossa... - ele ignorou minha surpresa e me olhou da cabeça aos pés.
Senti meu rosto ficar vermelho.
- Você está linda. - seu tom de voz foi suave.
Senti meu coração errar um batimento.
- Valeu. - umedeci os lábios.
Então eu o admirei.
Ele usava uma camisa preta e uma jaqueta também preta de couro. Os cabelos castanhos claros e úmidos penteados para trás.
Ele estava terrivelmente lindo.
- Então, vamos? - ele falou.
Eu me forcei a olhar os seus olhos.
Espera... O quê?
- Vamos? Pra onde?
Um "V" se formou entre as sobrancelhas de Gustavo. Um leve sorriso chegou em seus lábios.
- Paloma me mandou vir pegar você. - ele falou quase inseguro.
Fechei os olhos e ignorei uma risada alta.
Paloma era tão idiota.
- Não foi isso que ela me falou e nem o que quis te falar também. - fiz uma careta. - Mas entra.
Eu me afastei da porta, abrindo-a mais. E ele entrou.
De repente, um calor forte atingiu meu apartamento enquanto Gustavo enfiava as mãos no bolso da calça e me olhava no centro da minha sala.
- Se quiser sentar... – apontei o sofá, na esperança de que ele parasse de me olhar daquele jeito.
- Não, tá tudo bem aqui.
- Tá. - lutei para ignorar toda aquela tensão. - A Paloma me ligou hoje à tarde e falou que vocês quem viriam aqui me buscar. - expliquei a ele. - Na verdade, esquece isso. - respirei fundo. - Nem eu estou entendendo mais nada.
Eu só sabia que estava com um cara absurdo de lindo em minha sala. O qual me causava um comichão e um formigamento no canto de minha boca.
- Espera, vou ligar pra Paloma. - falei a primeira coisa que veio à mente. A primeira coisa que me livraria do desejo irrepreensível sobre meus sentidos.
Disquei seu número. Ela atendeu em segundos:
- Paloma, o...
- Não me pergunte nada. Apenas agradeça e beija ele, por favor. Me dá esse orgulho. - ela me interrompeu como se já esperasse isso.
- O quê? - arfei em tom alto, que fez o Gustavo vir ao meu encontro com o rosto preocupado.
Balancei a cabeça pra ele e sorri. Então ele relaxou.
- Paloma, você está louca? Isso não faz...
- Conversa com o Gustavo que a gente tá chegando. - desligou na minha cara.
Porra.
- Tá tudo bem? - Gustavo arqueou a sobrancelha ao meu lado.
- Ah... - balancei a cabeça, agarrada à esperança de que ele não tivesse ouvido nada. - Hãm... Tá sim. Eles já estão vindo. Eu... Eu vou pegar minha bolsa.
Fui correndo até o meu quarto, um tanto sem ar.
Me joguei na cama, respirando fundo.
O olhar do Gustavo me deixava inquieta e sem fôlego.
Eu precisava arrumar um jeito para que não ficássemos a sós por tanto tempo.
Covarde?
Eu era.
Mas o Gustavo estava mexendo demais com minha cabeça e com meus últimos conceitos sobre o amor. Ele revirava minha cabeça e não parecia perceber isso.
Não sabia se ele era cínico ou se era exatamente tudo que eu esperava em alguém.
- Não, não, não... - choraminguei.
Senti meus olhos lacrimejarem enquanto levantava da cama.
Eu estava parecendo uma adolescente.
E, portanto, isso passaria, não era?
Tinha que passar.
Voltei à sala e encontrei Gustavo meio que admirando meu apartamento. Como se fizesse alguns planos.
Mas não perguntei nada.
Precisávamos sair dali logo. Precisávamos sair de perto do meu quarto.
- Vamos. - joguei meu celular dentro de uma pequena bolsa preta.
E saímos do meu apartamento.
Alívio foi o que senti.
Mas borboletas ainda voavam sobre meu estômago.
- Soube que na próxima semana você entra de férias. - Gustavo puxou assunto enquanto andávamos sobre o corredor de saída do prédio.
Ele parecia não gostar de me ver calada. Ele parecia de fato querer saber mais sobre mim. Ele mostrava interesse no que eu era.
Eu o adorava a cada instante mais.
O que era louco.
- É apenas uma semana. - eu respondi e enfiei as mãos no bolso da calça jeans, sem saber o que fazer com elas. - Vou visitar meus pais.
- De onde são? - virou a cabeça pra me olhar.
Ele não podia me olhar assim, por favor. Tudo aumentava dentro de mim.
- Em um pequeno bairro de Serrano. - parei de lhe encarar e olhei em frente. - Eu não gosto de ir pra lá e voltar no mesmo dia. Só vou visitá-los quando seu pai me dá férias. - sorri.
- Vai na segunda e volta quando? - sua pergunta mostrou mais interesse que o normal.
Mas eu não me importei.
Fazia tanto tempo que alguém se interessava em me ouvir e mostrava alguma preocupação comigo...
Que me deu vontade de voltar para o meu apartamento e passar a noite inteira conversando com ele.
- Na sexta à noite, por conta do casamento. - eu disse.
Ele sorriu de leve.
Chegamos à portaria. E ao sairmos do prédio, avistamos a Paloma e o Matheus.
Minha amiga usava uma blusa azul até as curvas do braço, um short jeans azul claro e um sapato de salto alto - bem diferente de mim, que estava de sapatilhas pretas.
Matheus com camisa cinza e calças jeans azul escuro.
Assim que se aproximaram de nós, dei um abraço na Paloma.
- Você está linda! E Gustavo também. - Sussurrou em meu ouvido. - Depois me conta tudo.
- Ele não me pegou como você falou porque nós somos apenas amigos. - sussurrei de volta.
- A vida é uma constante rota de mudanças. - Ela sorriu. - E eu mal posso esperar pra te ver feliz de novo.