Gênero Ranking
Baixar App HOT

Capítulo 8 Beija ele

Cheguei no meu apartamento e dei uma geral ao som de Ed Sheeran.

Quando entoou a música "Tenerife Sea", foi meio que impossível não pensar no Gustavo. E não lembrar da gente cantarolando no caminho do trabalho.

Balancei a cabeça rapidamente.

Eu tinha que parar de me distrair assim quando ouvia Ed Sheeran.

Porque, a partir do momento que eu conheci o Gustavo, não podia ouvir sequer uma música e não lembrá-lo.

- Isso não é nada! - falei pra mim mesma.

E mudei de cantor.

Já eram quatro horas da tarde e eu estava assistindo um filme na TV da sala quando meu telefone tocou.

- Melissa. - era Paloma. - A gente vai para aquela pizzaria próximo à sua casa. Então nós passaremos aí.

- Tá. Que horas? - bocejei.

- Às seis e meia. - ela falou meio que rindo.

- Não era às sete? - indaguei confusa.

- Até mais, amiga. Em breve passaremos aí. - desligou.

Fiquei sem entender nada.

Eu precisava de um manual pra ser amiga da Paloma.

As horas se passaram rápidas.

Tomei um banho relaxante. E dessa vez, sem ouvir músicas.

Músicas me fazia lembrar o Gus...

Argh! Interrompi o pensamento que sempre vinha em minha cabeça sem permissão.

Ainda com a toalha enrolada no cabelo e no corpo, eu fui até o guarda-roupas.

E eu não tinha nada pra vestir.

Vasculhei algumas blusas e peguei uma preta com mangas longas que tinha detalhes cinzas no finalzinho do tecido nos braços e na cintura. Como a pizzaria era ao ar livre, com certeza faria frio. Eu era incapaz de sentir calor mesmo.

E a calça, como sempre, meu jeans preto, rasgado nas coxas.

E então chegou a vez da maquiagem. E como era um sábado à noite, era o meu direito tirar aquela cara de segunda-feira.

Por isso, passei base e um rímel que sempre destacava o azul dos meus olhos. Sombra com tom de cinza claro. E, por fim, um batom vermelho.

Gostei do que vi no espelho.

Mas havia um dos piores problemas: o meu cabelo.

Removi a toalha que estava enrolada entre minhas madeixas com intuito de secá-las. E vi que não tinha dado tanto efeito.

Então, eu mesma sequei. Não os prendi. Deixei solto, de forma que combinou bastante com o meu visual naquela noite.

A massa negra caiu suavemente até minhas costas, com as pontas bastante onduladas.

E sim, eu estava pronta.

E então, a campainha tocou numa rápida telepatia.

Abri a porta.

Só que não era exatamente quem eu esperava.

- Gustavo? – eu arfei, engolindo em seco e tentando ignorar o alvoroço já conhecido.

- Nossa... - ele ignorou minha surpresa e me olhou da cabeça aos pés.

Senti meu rosto ficar vermelho.

- Você está linda. - seu tom de voz foi suave.

Senti meu coração errar um batimento.

- Valeu. - umedeci os lábios.

Então eu o admirei.

Ele usava uma camisa preta e uma jaqueta também preta de couro. Os cabelos castanhos claros e úmidos penteados para trás.

Ele estava terrivelmente lindo.

- Então, vamos? - ele falou.

Eu me forcei a olhar os seus olhos.

Espera... O quê?

- Vamos? Pra onde?

Um "V" se formou entre as sobrancelhas de Gustavo. Um leve sorriso chegou em seus lábios.

- Paloma me mandou vir pegar você. - ele falou quase inseguro.

Fechei os olhos e ignorei uma risada alta.

Paloma era tão idiota.

- Não foi isso que ela me falou e nem o que quis te falar também. - fiz uma careta. - Mas entra.

Eu me afastei da porta, abrindo-a mais. E ele entrou.

De repente, um calor forte atingiu meu apartamento enquanto Gustavo enfiava as mãos no bolso da calça e me olhava no centro da minha sala.

- Se quiser sentar... – apontei o sofá, na esperança de que ele parasse de me olhar daquele jeito.

- Não, tá tudo bem aqui.

- Tá. - lutei para ignorar toda aquela tensão. - A Paloma me ligou hoje à tarde e falou que vocês quem viriam aqui me buscar. - expliquei a ele. - Na verdade, esquece isso. - respirei fundo. - Nem eu estou entendendo mais nada.

Eu só sabia que estava com um cara absurdo de lindo em minha sala. O qual me causava um comichão e um formigamento no canto de minha boca.

- Espera, vou ligar pra Paloma. - falei a primeira coisa que veio à mente. A primeira coisa que me livraria do desejo irrepreensível sobre meus sentidos.

Disquei seu número. Ela atendeu em segundos:

- Paloma, o...

- Não me pergunte nada. Apenas agradeça e beija ele, por favor. Me dá esse orgulho. - ela me interrompeu como se já esperasse isso.

- O quê? - arfei em tom alto, que fez o Gustavo vir ao meu encontro com o rosto preocupado.

Balancei a cabeça pra ele e sorri. Então ele relaxou.

- Paloma, você está louca? Isso não faz...

- Conversa com o Gustavo que a gente tá chegando. - desligou na minha cara.

Porra.

- Tá tudo bem? - Gustavo arqueou a sobrancelha ao meu lado.

- Ah... - balancei a cabeça, agarrada à esperança de que ele não tivesse ouvido nada. - Hãm... Tá sim. Eles já estão vindo. Eu... Eu vou pegar minha bolsa.

Fui correndo até o meu quarto, um tanto sem ar.

Me joguei na cama, respirando fundo.

O olhar do Gustavo me deixava inquieta e sem fôlego.

Eu precisava arrumar um jeito para que não ficássemos a sós por tanto tempo.

Covarde?

Eu era.

Mas o Gustavo estava mexendo demais com minha cabeça e com meus últimos conceitos sobre o amor. Ele revirava minha cabeça e não parecia perceber isso.

Não sabia se ele era cínico ou se era exatamente tudo que eu esperava em alguém.

- Não, não, não... - choraminguei.

Senti meus olhos lacrimejarem enquanto levantava da cama.

Eu estava parecendo uma adolescente.

E, portanto, isso passaria, não era?

Tinha que passar.

Voltei à sala e encontrei Gustavo meio que admirando meu apartamento. Como se fizesse alguns planos.

Mas não perguntei nada.

Precisávamos sair dali logo. Precisávamos sair de perto do meu quarto.

- Vamos. - joguei meu celular dentro de uma pequena bolsa preta.

E saímos do meu apartamento.

Alívio foi o que senti.

Mas borboletas ainda voavam sobre meu estômago.

- Soube que na próxima semana você entra de férias. - Gustavo puxou assunto enquanto andávamos sobre o corredor de saída do prédio.

Ele parecia não gostar de me ver calada. Ele parecia de fato querer saber mais sobre mim. Ele mostrava interesse no que eu era.

Eu o adorava a cada instante mais.

O que era louco.

- É apenas uma semana. - eu respondi e enfiei as mãos no bolso da calça jeans, sem saber o que fazer com elas. - Vou visitar meus pais.

- De onde são? - virou a cabeça pra me olhar.

Ele não podia me olhar assim, por favor. Tudo aumentava dentro de mim.

- Em um pequeno bairro de Serrano. - parei de lhe encarar e olhei em frente. - Eu não gosto de ir pra lá e voltar no mesmo dia. Só vou visitá-los quando seu pai me dá férias. - sorri.

- Vai na segunda e volta quando? - sua pergunta mostrou mais interesse que o normal.

Mas eu não me importei.

Fazia tanto tempo que alguém se interessava em me ouvir e mostrava alguma preocupação comigo...

Que me deu vontade de voltar para o meu apartamento e passar a noite inteira conversando com ele.

- Na sexta à noite, por conta do casamento. - eu disse.

Ele sorriu de leve.

Chegamos à portaria. E ao sairmos do prédio, avistamos a Paloma e o Matheus.

Minha amiga usava uma blusa azul até as curvas do braço, um short jeans azul claro e um sapato de salto alto - bem diferente de mim, que estava de sapatilhas pretas.

Matheus com camisa cinza e calças jeans azul escuro.

Assim que se aproximaram de nós, dei um abraço na Paloma.

- Você está linda! E Gustavo também. - Sussurrou em meu ouvido. - Depois me conta tudo.

- Ele não me pegou como você falou porque nós somos apenas amigos. - sussurrei de volta.

- A vida é uma constante rota de mudanças. - Ela sorriu. - E eu mal posso esperar pra te ver feliz de novo.

Anterior
            
Próximo
            
Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022