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Capítulo 6 Uma volta

Gustavo olhou o relógio.

- Vamos dar uma volta? Ainda não está na hora de voltarmos. - Me direcionou um curto sorriso.

Assenti e lhe acompanhei.

- Para onde vamos? - perguntei assim que colocamos os pés para fora daquele restaurante.

- Bom, esperava que você escolhesse. Mas, que tal uma volta no calçadão?

- Tudo bem.

Qualquer lugar com ele parecia ser bom.

Porque Gustavo me fazia sorrir. Sorrir de verdade. Algo que há tempos não acontecia.

Andamos até a praia. Só que dessa vez tinha mais pessoas por lá. O barulho do mar sempre me acalmava.

E aquele perfume...

Espera, qual perfume?

E nesse momento, Gustavo mexeu em seus cabelos. E pude sentir que aquele cheiro era dele. O cheiro amadeirado e ao mesmo tempo adocicado.

Respirei fundo, na tentativa de exalar seu aroma ainda mais.

- Ansioso para o casamento do Matheus? - quis puxar assunto, mas seu perfume ainda preenchia meu cérebro.

- É, eu estou. - Ele disse. - Acredita que fui convidado para ser padrinho? Só que ele ainda não contou quem seria a madrinha junto comigo. Só contou que sobre a madrinha era a Paloma que resolveria. - Ele terminou com um tom brincalhão.

Então entendi tudo o que a Paloma me falou.

Tudo indicava que seríamos nós dois para padrinhos.

Mas não comentei nada com ele. Apenas sorri e dei uma olhada no relógio.

- Já estamos na hora? - ele perguntou com os olhos opacos.

- Estamos sim. - Tentei sorrir.

- Queria passar mais tempo com você. - Ele fitou meu rosto. A imensidão verde em seu olhar parecia me desenhar.

Não deu pra evitar um sorriso bobo que saiu dos meus lábios.

- Eu também, Gustavo. Mas depois nós marcamos para sairmos sozinhos. - Eu disse ainda olhando para ele, sem poder tirar os meus olhos daquele rosto esculpido.

- Ok. - Ele sorriu novamente.

O tom da voz suave e aquele sorriso quase me deixaram sem equilíbrio.

A tarde passou rápida naquela sexta-feira.

Assim que estava pronta pra ir embora, Gustavo saiu da sala pronto pra ir embora também.

- Quer carona de novo? - falei sorrindo e pegando minha bolsa.

- Claro. O trânsito está uma porcaria, mas com você fica bem mais suportável.

Eu só consegui rir e corar. A timidez tomou conta do meu ser naquele momento.

Mas não importava. Ele tinha a capacidade de falar coisas simples, mas que me faziam sentir especial.

Gustavo estava me fazendo especial.

- Não pensei que fosse tão cansativo trabalhar na empresa do meu pai. - Ele falou, encaixando o cinto de segurança assim que chegamos no estacionamento e entramos no carro.

- Oh, se é. - eu ri.

Seguimos em silêncio até sairmos do estacionamento. Quando já estávamos na avenida da minha metrópole, ele perguntou:

- Tem planos para o final de semana?

Respirei fundo.

- Nos finais de semana eu costumo ficar em casa, quando a Paloma não me chama pra sair. Mas esse sábado, ela vai provar o vestido dela e quer que eu a acompanhe. Porque ela também me convidou pra ser madrinha do casamento dela. Então, vou escolher o meu.

Eu não sei por que eu resumi meu final de semana a ele. Mas uma parte dentro de mim sentia-se à vontade com ele. Sentia-se livre.

E sabia que ele não apenas me escutaria. Ele me ouviria.

E eu sentia falta disso. Falta de alguém como o meu ex foi pra mim. Falta de alguém que me ouvisse.

E eu enxergava coisas lindas sendo entregues com o olhar de Gustavo.

Eu me sentia... Eu.

- E o seu padrinho? - ele me perguntou sorridente.

- A mesma coisa do seu. Quem irá escolher será o Matheus. - Mordi o lábio.

Não pude deixar de perceber que ele deu um sorriso. Aquele sorriso cheio de esperança que eu já amava.

Gustavo era tão lindo. E quando sorria, não dava pra acreditar que ele era real.

- Talvez nós pudéssemos sair esse final de semana... - ele disse, um tanto inseguro.

- Claro. - Respondi olhando fixamente para os seus lábios e sentindo minha respiração mudar.

E ele apenas sorriu novamente. Um sorriso radiante.

Não sabia bem o porquê, mas quando ele sorria, um sorriso involuntário sempre aparecia no meu rosto.

Assim que cheguei no prédio, estacionei o carro.

- Obrigado por ter me salvado. - Ele sorriu assim que dei a volta, parando em sua frente.

- Espero salvar mais vezes. - Me ouvi falando.

O olhar de Gustavo se escureceu. E meu coração pareceu dançar.

- Agora vou subir. Amanhã tenho que acordar cedo e ir até a Paloma. - Quis afastar todas as sensações que ficaram no ar entre nós dois.

- Tudo bem. - Ele se esquivou e levou a minha mão até sua boca.

E a beijou.

Assim que meu corpo sentiu o seu toque, aconteceu uma explosão dentro de mim. Arrepiei-me por inteira com a carícia. Senti um fogo irradiar meus sentidos.

E imaginei os seus lábios por mais lugares do meu corpo...

- Boa noite. - Sua voz ficou aveludada enquanto sorria e piscava um olho pra mim.

E então ele seguiu até a saída do estacionamento.

Eu fiquei ali, parada, sem entender o que estava acontecendo comigo. Tentando livrar toda aquela tensão que seu olhar, sua voz, seu sorriso jogaram sobre mim.

Assim que me recuperei do transe, segui até o meu apartamento.

Tomei um banho quente, na esperança de que aquilo afastasse a agonia sobre meu corpo. A água do chuveiro caiu suavemente sobre mim.

Mas sempre que fechava os olhos, eu só via a imagem do Gustavo sorrindo.

Meu Deus... Isso estava errado.

Sai do banho e fui direto pra cama. Peguei meu celular pra verificar o horário.

E tinha uma mensagem:

Gustavo: Boa noite, Melissa. Dorme bem!

Dei um sorriso enorme. Uma felicidade nova tomou conta de mim - a ponto que nem consegui responder.

Ele me mandou uma mensagem! Ele pensou em mim antes de dormir!

Então peguei no sono sorrindo. Com o celular nas mãos e o Gustavo em minha mente.

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