6 Capítulo
Capítulo 10 A Jaqueta

Capítulo 11 De volta ao lar

Capítulo 12 Você está apaixonada

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Gustavo olhou o relógio.
- Vamos dar uma volta? Ainda não está na hora de voltarmos. - Me direcionou um curto sorriso.
Assenti e lhe acompanhei.
- Para onde vamos? - perguntei assim que colocamos os pés para fora daquele restaurante.
- Bom, esperava que você escolhesse. Mas, que tal uma volta no calçadão?
- Tudo bem.
Qualquer lugar com ele parecia ser bom.
Porque Gustavo me fazia sorrir. Sorrir de verdade. Algo que há tempos não acontecia.
Andamos até a praia. Só que dessa vez tinha mais pessoas por lá. O barulho do mar sempre me acalmava.
E aquele perfume...
Espera, qual perfume?
E nesse momento, Gustavo mexeu em seus cabelos. E pude sentir que aquele cheiro era dele. O cheiro amadeirado e ao mesmo tempo adocicado.
Respirei fundo, na tentativa de exalar seu aroma ainda mais.
- Ansioso para o casamento do Matheus? - quis puxar assunto, mas seu perfume ainda preenchia meu cérebro.
- É, eu estou. - Ele disse. - Acredita que fui convidado para ser padrinho? Só que ele ainda não contou quem seria a madrinha junto comigo. Só contou que sobre a madrinha era a Paloma que resolveria. - Ele terminou com um tom brincalhão.
Então entendi tudo o que a Paloma me falou.
Tudo indicava que seríamos nós dois para padrinhos.
Mas não comentei nada com ele. Apenas sorri e dei uma olhada no relógio.
- Já estamos na hora? - ele perguntou com os olhos opacos.
- Estamos sim. - Tentei sorrir.
- Queria passar mais tempo com você. - Ele fitou meu rosto. A imensidão verde em seu olhar parecia me desenhar.
Não deu pra evitar um sorriso bobo que saiu dos meus lábios.
- Eu também, Gustavo. Mas depois nós marcamos para sairmos sozinhos. - Eu disse ainda olhando para ele, sem poder tirar os meus olhos daquele rosto esculpido.
- Ok. - Ele sorriu novamente.
O tom da voz suave e aquele sorriso quase me deixaram sem equilíbrio.
A tarde passou rápida naquela sexta-feira.
Assim que estava pronta pra ir embora, Gustavo saiu da sala pronto pra ir embora também.
- Quer carona de novo? - falei sorrindo e pegando minha bolsa.
- Claro. O trânsito está uma porcaria, mas com você fica bem mais suportável.
Eu só consegui rir e corar. A timidez tomou conta do meu ser naquele momento.
Mas não importava. Ele tinha a capacidade de falar coisas simples, mas que me faziam sentir especial.
Gustavo estava me fazendo especial.
- Não pensei que fosse tão cansativo trabalhar na empresa do meu pai. - Ele falou, encaixando o cinto de segurança assim que chegamos no estacionamento e entramos no carro.
- Oh, se é. - eu ri.
Seguimos em silêncio até sairmos do estacionamento. Quando já estávamos na avenida da minha metrópole, ele perguntou:
- Tem planos para o final de semana?
Respirei fundo.
- Nos finais de semana eu costumo ficar em casa, quando a Paloma não me chama pra sair. Mas esse sábado, ela vai provar o vestido dela e quer que eu a acompanhe. Porque ela também me convidou pra ser madrinha do casamento dela. Então, vou escolher o meu.
Eu não sei por que eu resumi meu final de semana a ele. Mas uma parte dentro de mim sentia-se à vontade com ele. Sentia-se livre.
E sabia que ele não apenas me escutaria. Ele me ouviria.
E eu sentia falta disso. Falta de alguém como o meu ex foi pra mim. Falta de alguém que me ouvisse.
E eu enxergava coisas lindas sendo entregues com o olhar de Gustavo.
Eu me sentia... Eu.
- E o seu padrinho? - ele me perguntou sorridente.
- A mesma coisa do seu. Quem irá escolher será o Matheus. - Mordi o lábio.
Não pude deixar de perceber que ele deu um sorriso. Aquele sorriso cheio de esperança que eu já amava.
Gustavo era tão lindo. E quando sorria, não dava pra acreditar que ele era real.
- Talvez nós pudéssemos sair esse final de semana... - ele disse, um tanto inseguro.
- Claro. - Respondi olhando fixamente para os seus lábios e sentindo minha respiração mudar.
E ele apenas sorriu novamente. Um sorriso radiante.
Não sabia bem o porquê, mas quando ele sorria, um sorriso involuntário sempre aparecia no meu rosto.
Assim que cheguei no prédio, estacionei o carro.
- Obrigado por ter me salvado. - Ele sorriu assim que dei a volta, parando em sua frente.
- Espero salvar mais vezes. - Me ouvi falando.
O olhar de Gustavo se escureceu. E meu coração pareceu dançar.
- Agora vou subir. Amanhã tenho que acordar cedo e ir até a Paloma. - Quis afastar todas as sensações que ficaram no ar entre nós dois.
- Tudo bem. - Ele se esquivou e levou a minha mão até sua boca.
E a beijou.
Assim que meu corpo sentiu o seu toque, aconteceu uma explosão dentro de mim. Arrepiei-me por inteira com a carícia. Senti um fogo irradiar meus sentidos.
E imaginei os seus lábios por mais lugares do meu corpo...
- Boa noite. - Sua voz ficou aveludada enquanto sorria e piscava um olho pra mim.
E então ele seguiu até a saída do estacionamento.
Eu fiquei ali, parada, sem entender o que estava acontecendo comigo. Tentando livrar toda aquela tensão que seu olhar, sua voz, seu sorriso jogaram sobre mim.
Assim que me recuperei do transe, segui até o meu apartamento.
Tomei um banho quente, na esperança de que aquilo afastasse a agonia sobre meu corpo. A água do chuveiro caiu suavemente sobre mim.
Mas sempre que fechava os olhos, eu só via a imagem do Gustavo sorrindo.
Meu Deus... Isso estava errado.
Sai do banho e fui direto pra cama. Peguei meu celular pra verificar o horário.
E tinha uma mensagem:
Gustavo: Boa noite, Melissa. Dorme bem!
Dei um sorriso enorme. Uma felicidade nova tomou conta de mim - a ponto que nem consegui responder.
Ele me mandou uma mensagem! Ele pensou em mim antes de dormir!
Então peguei no sono sorrindo. Com o celular nas mãos e o Gustavo em minha mente.