7 Capítulo
Capítulo 10 A Jaqueta

Capítulo 11 De volta ao lar

Capítulo 12 Você está apaixonada

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Cheguei na casa da Paloma no horário que marcamos.
Eu estava me sentindo bem naquela manhã. Acreditava que fosse pela companhia perfeita no dia anterior.
Engraçado. Fora apenas mais um dia de trabalho. Mas uma simples companhia mudou tanto o meu humor no dia seguinte.
- Vamos? - eu falei assim que Paloma abriu a porta.
- Agora. - mas antes ela correu e deu um beijo na bochecha do Matheus, que estava deitado no sofá. - Até logo, meu amor.
- Tchau, Matheus. - eu disse logo que Paloma chegou perto de mim.
Andamos juntas pelo corredor. E ela parecia tão bem quanto eu.
- Por que Matheus acordou tão cedo? - eu perguntei pra ter certeza se minha teoria sobre ela estar tão bem e viva fosse verdadeira.
- Por causa dele. - a voz de Paloma saiu confiante. Ela apontou com a cabeça à sua frente.
Fiquei confusa no mesmo instante.
E levantei os olhos para...
Gustavo.
Meu coração entrou em um ritmo frenético assim que coloquei meus olhos naquela imensidão verde de seu olhar.
Senti um alvoroço encher minhas entranhas. Meu couro cabeludo pinicar...
Era confuso todas aquelas sensações em mim ao simplesmente receber seu olhar.
- Paloma. - ele acenou com a cabeça sorrindo. - Oi, Melissa. - me encarou com intensidade.
Eu engoli em seco.
Por que aquele homem apareceu do nada em minha vida e aparecia também do nada em qualquer lugar que eu estivesse?
Por que ele estava desfazendo todas as conclusões que eu havia idealizado contra sentimentos em relação a mim?
E eu não queria fugir. Eu queria simplesmente ficar ali, olhando em seus olhos.
- Oi. - Eu finalmente falei.
Paloma nos olhou e seu sorriso pareceu ainda maior.
- O Matheus já está acordado, pode entrar. A porta está destrancada. - Ela disse, mas seu olhar continuava a alternar de mim para ele.
- Ok. - Ele disse. - Foi bom te encontrar de novo, Melissa. - Ele me admirou por mais um instante, deu um curto sorriso e seguiu.
Ok, coração, volte aos seus batimentos normais, eu implorei mentalmente enquanto eu ainda o sentia se afastar de mim.
- Gustavo, espera. - Paloma gritou.
Ele se aproximou de novo até nós duas.
E todas as minhas preces foram vãs. Porque aquelas sensações pareceram multiplicar em mim. Sobretudo com as próximas palavras da minha amiga:
- Hoje à noite, às sete horas, vem aqui. Matheus, eu e a Melissa vamos à pizzaria. E você está convidado.
- É? - me ouvi perguntando.
- Claro que é. - Paloma falou, se virando pra mim e dando um sorriso - um tanto cúmplice.
Meu Deus, eu me senti envergonhada por um instante.
- Tudo bem, às sete. - Ele repetiu, olhando diretamente pra mim.
E seguiu.
Fizemos o mesmo.
Seguimos até o estacionamento. Mas antes de entrar no carro, o meu celular vibrou no bolso da minha saia.
Uma nova mensagem:
Gustavo: Acho que nosso encontro finalmente vai acontecer.
P.S. você está linda.
Pensei que meu coração fosse explodir de alegria - e até de timidez - quando reli aquela mensagem repetidas vezes.
E foi quando recriei expectativas sobre aquela noite.
- É impressão minha ou tá rolando alguma coisa entre você e o Gustavo? - Paloma perguntou logo que entrei no carro e guardei o celular no bolso.
Havia lutado para mudar minha expressão e indiferença à sua pergunta. Mas pelo retrovisor do carro, vi minha pele rosada.
- Impressão sua. - Foquei em olhar o movimento da cidade enquanto ela dirigia.
- Melissa, eu te conheço muito bem. - Sua voz estava alta e em repreensão. - E mesmo se não estiver rolando, foi inevitável não perceber a maneira que os olhos de vocês dois brilharam quando se encontraram.
Então não era coisa apenas da minha cabeça?
Eu soltei uma longa quantidade de ar.
- Ah, Paloma, esquece isso. Nunca daria certo. Você sabe muito bem que não tenho sorte quando se refere a "amores." - finalmente a ficha caiu.
Quem me garantiria que Gustavo não procurava apenas por uma amiga ou apenas por uma noite?
Eu também procurava isso. Não era como se eu estivesse querendo casar - porque eu nunca me casaria.
Mas eu precisava cortar aqueles sentimentos crescentes pela raiz. Porque eu prometi a mim mesma que não.
Eu não deixaria mais ninguém entrar na minha vida, fazer uma bagunça e ir embora. Porque era exatamente isso que acontecia.
- Não tem nada a ver. - Paloma falou convicta. - Não é porque aquele idiota não soube te dar valor que ninguém vai saber. O amor só vai chegar no tempo certo. Antes de tudo, vêm as paixões da vida - aquelas que vêm pra desgraçar nosso psicológico mesmo. Mas logo depois você saberá o porquê não deu certo com os outros. O seu amor está mais perto do que imagina, Mel. Você só tem que acreditar e não querer afastá-lo. Nossa vida é resumida em tentativas. E você precisa tentar.
Aquelas palavras ainda penetravam em minha mente. Mas não consegui lhe dar uma resposta. Não consegui dizer que ela estava errada ou certa.
Eu só sentia a minha cabeça virada para baixo.
- Avenida sete! Chegamos. - foi tudo que falei.
E sai do carro.
Seguimos juntos até a entrada da loja, mas eu ainda estava curiosa.
- O que o Gustavo foi fazer na sua casa?
Paloma abriu um largo sorriso. Eu revirei os olhos.
- Matheus o chamou pra resolver algumas coisas ainda sobre o casamento. - sua expressão ainda era de desconfiança.
Tudo bem, eu admitia... Eu meio que fiquei sem reação quando encontrei aqueles olhos, mas... nada demais.
E se fosse alguma coisa, eu tinha que me contentar ao saber que seríamos apenas amigos.
Assim que escolhemos os nossos vestidos e foram encomendados, fomos ao shopping comprar algumas lingeries para a Paloma.
Ela queria tudo perfeito. E eu entendia, mesmo que eu não fosse lá essas pessoas que acreditassem no amor.
Não comigo.
Voltamos cerca de duas horas da tarde. E Paloma me deixou em casa.