(Ligação on):
- Se quiser ver sua mãe viva, venha até o Parque do Ipiranga. E venha sozinha.- acho que reconheço essa voz, parece com a voz do capanga que tentou me sequestrar.
- Como saberei que você está realmente falando a verdade? – falo com segurança, mas por dentro apreensiva pensando em porque eles pegaram minha mãe.
- Você pode pagar pra ver se quiser, mas acho melhor você vir. Ou eu posso cortar uma orelha dela e te enviar. – ele fala em tom ameaçador.
- Babaca! Não ouse fazer nada contra ela. Você não sabe com quem está lidando. – se ele sabe ameaçar, eu também sei.
- É bom você vir e não contar a ninguém, se você contar nunca mais verá sua querida mãe. – ok, agora ele me tirou do sério.
- Ok, eu vou! – falo já parando a moto e conferindo minhas armas.
(Ligação off).
Ai meu Deus. Não acredito que isso está acontecendo comigo. Pegar minha mãe já foi demais! Depois de conferir minhas armas, eu dou a volta na rua e sigo para o parque. Após cerca de vinte minutos eu chego e não vejo ninguém. Mas logo aparece no meu campo de visão o homem que me atacou mais cedo.
- Vejo que cumpriu a promessa e veio sozinha. – ele fala em tom de deboche.
- Cadê ela? Cadê minha mãe? – falo friamente apontando a arma pra ele. – Fala ou eu atiro.
- Para uma mulher até que é bem bravinha. – ele fala em tom de deboche e com um olhar ameaçador.
- Tá querendo morrer? Você não tem idéia de com quem está falando. – falo perdendo o pouco da paciência que tenho.
- Agora rapazes! – ele fala para alguém mas eu não vi ninguém por perto.
- O quê? – quando termino de falar minha visão começa a ficar turva. Sinto que algo me atingiu. Quando toco no meu pescoço vejo que é um dardo tranquilizante. Mesmo com a visão turva eu atiro no suspeito, mas logo depois minha visão escurece e eu desmaio.
- Ai! Peguem ela e levem pro jatinho. Temos uma longa viagem.
Visão de Roberto Bianchi
Depois do fracasso da tentativa de pegar minha irmã, meus homens me ligaram informando que conseguiram capturar minha mãe e minha irmã. Depois de várias horas, anoitece e meus homens chegam com as duas.
- Finalmente vocês fizeram algo certo! – falo olhando para um dos meus homens que está carregando minha irmã sedada.
- A garota deu muito trabalho chefe. Mesmo depois do tranquilizante ela ainda conseguiu atirar. – ele fala e me admira a força dela.
- Ok. Levem ela para o quarto e levem a Sina para a masmorra. – minha mãe jamais poderia ter feito isso com a gente.
- Ok chefe. – ele responde e sai para cumprir minhas ordens.
Fui para a sala de estar encontrar com meu pai e dar as noticias a ele. Quando chego lá, aproveito que meu pai está tomando uma dose do seu Bouborn, e me sirvo com uma dose também. Mas antes que eu comece a falar com meu pai, minha esposa Martina entra na sala curiosa.
- Marido, o que houve? Por que toda essa movimentação aqui em casa? – ela pergunta curiosa e eu detesto isso.
- Nada demais Martina. – respondo com frieza, porque não gosto quando ela faz muitas perguntas.
- E aí filho, ela chegou? – ele pergunta apreensivo, sei que ele sente muita falta dela.
- Chegou pai. – respondo e ele anui com a cabeça.
- Ela quem Roberto? – ela pergunta alterando a voz, e ela sabe como eu sou. Mas antes que eu possa responder, meu pai responde.
- A sua cunhada. Finalmente encontramos ela depois de tantos anos. – ele responde com um sorriso no rosto.
- Que notícia boa sogro! Cadê ela? Quero muito conhecê-la. – ela responde com empolgação pro meu pai.
- Mandei nossos homens levarem ela pro quarto. Ela deu muito trabalho e tiveram que aplicar um sedativo nela. – respondo, mas torcendo internamente para que ela pare de fazer perguntas. Mas ela não percebe e mesmo assim continua curiosa.
- E quem foi levado para sua prisão lá embaixo? Eu vi uns homens descendo pra lá. – ok, agora ela já foi longe demais.
- Você não acha que está curiosa demais? – respondo já sem paciência nenhuma.
- Desculpe querido. Tem alguma coisa que eu possa fazer? – ela pergunta.
- Vá para o quarto e me espere lá, vou resolver umas coisas antes. – ela anui com a cabeça e se retira. Deixando eu e meu pai sozinhos.
- Filho, vamos vê-la? – ele pergunta com uma grande expectativa. Faz 18 anos que não convivemos com minha irmã.
- Vamos pai. – respondo. Confesso que estou curioso para vê-la.
Seguimos para o quarto onde pedi para meus homens acomodarem ela. Assim que entramos no quarto eu vi o quão bela minha irmã era. Cabelos pretos e longos, pele branquinha como a neve porém um pouco bronzeada, lábios e face rosada. O corpo da minha irmã parece o corpo de uma deusa. Com toda certeza meu amigo León tirou a sorte grande.
- Meu Deus, como ela é linda! Ela está tão diferente. – ele fala com nostalgia. A última vez que viu minha irmã ela era muito pequena.
- Claro que ela está diferente pai. Já se passaram 18 anos desde que Sina a levou de nós. – respondo e olho pra ele. Vejo que ele está com o semblante triste por não ter tido a oportunidade de conviver com minha irmã e eu me sinto da mesma forma.
- Aquela desgraçada da Sina nos privou de ter sua irmã por perto e acompanhar todo o crescimento dela. – ele responde com raiva no olhar.
- Ela não presta pai. – respondo com raiva. – Como ela pôde fazer isso com a gente e com a própria filha? Ainda mais depois do que passou com Giovanni? – realmente ela não presta, abandonou nossa família e fugiu com minha irmã no momento em que todos nós mais precisamos dela.
- Nem me lembre disso meu filho. Mas o que importa agora é que estamos com sua irmã agora. – ele fala olhando com carinho para minha irmã que ainda está dormindo.
- Pai, fiquei curioso agora. Como minha irmã era? – pergunto porque não me lembro muito do jeito dela quando éramos crianças.
- Eu me lembro como ela era doce e gentil. Ela sempre foi tão fofa e obediente. – ele responde nostálgico.
- Bons tempos pai. – apesar de não lembrar muito a personalidade dela, eu lembro de como ela era carinhosa.
- Verdade meu filho. Bons tempos. – ele responde enquanto saímos do quarto e voltamos para a sala de estar. – Você já avisou ao León que a noiva dela chegou?
- Avisei sim. Ele provavelmente está chegando de Nova York nas próximas horas. Amanhã ele vem para o jantar de noivado. – respondo para ele ficar despreocupado.
- Que bom meu filho. O León é um ótimo rapaz, tenho certeza que apesar de ser um casamento por contrato, eles irão se dar bem. – ele responde e sai da sala me deixando sozinho.