- Meu Deus! Eu estava sonhando com ele, eu não posso. Não posso. – falo enquanto me sento na cama. Ainda bem que foi só um sonho.
- O que você não pode cunhada? – ela diz me dando um baita susto.
- Ai que susto Martina!! Nem te vi entrar! – falo tentando me recompor ainda.
- Desculpe cunhada. Mas você não me respondeu. – ela fala sentando do meu lado na cama e vejo o olhar curioso dela.
- Essa situação, o casamento, tudo isso. – eu falo fazendo gestos com a mão exasperada.
- Eu entendo cunhada, e trouxe uma solução. – ok, ela me deixou intrigada. Eu aceno com a cabeça de forma positiva incentivando ela a continuar a falar. – Então, se você se casar de livre e espontânea vontade, eles irão libertar minha sogra e irão trazer sua moto de volta. – eu fico calada enquanto processo tudo o que ela acabou de me falar. – E então cunhada, aceita?
- Aceito. – respondo rapidamente. Já que não tenho como fugir, pelo menos vou ter minha mãe e minha bebê (minha moto) perto de mim.
- Ok cunhada, vou comunicar a eles. – ela fala toda empolgada. – Você vai descer para jantar com a gente hoje?
- Não, vou ficar por aqui mesmo. – respondo pra ela enquanto ela se levanta para sair do quarto.
- Tudo bem então, eu vou pedir pra Nery trazer seu jantar aqui no quarto. – ela fala me dando um abraço e logo sai.
Depois que ela sai, eu fico aqui no meu quarto deitada. Por um lado estou feliz de poder ver minha mãe, e por outro estou triste por ter que me sacrificar casando com aquele demônio do León Ricci. Me levanto e vou olhar uns livros que tem em uma prateleira próxima da janela, decido ler Romeu e Julieta, e volto a me sentar na cama para poder ler.
- Esse livro é perfeito. Expõe exatamente que o mundo em que vivemos não existe o felizes para sempre. – falo pensando alto, sem me dar conta que Roberto tinha entrado no quarto.
- Irmã, você já foi mais romântica um dia. – ele diz se sentando ao meu lado olhando para o livro.
- Romantismo morreu há muitos anos Roberto. – respondo olhando para ele, e ele me dá um sorriso.
- Irmã, a Martina me falou que você aceitou casar com o León. – ah, então é isso que ele quer falar.
- Roberto, você sabe muito bem porque aceitei. – respondo alfinetando ele.
- Eu sei Sabina, mas você verá que ele é uma ótima pessoa minha irmã. Quando você o conhecer melhor tenho certeza que irá gostar dele. – ele fala com sinceridade e eu o olho incrédula.
- Sinceramente Roberto? Eu acho muito difícil disso acontecer.
- Vocês dois se parecem muito. Além de marrentos são teimosos. – ele fala rindo de mim. Ok, agora ele foi longe demais.
- Não nos compare Roberto! Eu não sou parecida em nada com aquele troglodita! – falo nervosa, fechando o livro e colocando em cima da mesinha do quarto.
- Olha Sabina, eu conheço o León desde que ele nasceu. Ele é uma ótima pessoa, dê uma chance a ele. – ele fala com expectativa e eu o olho com desdém.
- Você quer me vender ao diabo literalmente né? – eu falo e ele começa a rir da minha cara.
- Você é bem dramática. – ele diz e eu rodo os olhos. – Devo te lembrar irmã, que você adorava o León. Quando éramos pequenos você dizia que queria se casar com ele. – quanto ele termina de falar eu o olho atônita.
- Você está enganado. Eu nunca diria isso. – eu falo incrédula e ele logo responde rindo.
- Hahahaha. Você dizia sim irmã! – ok, agora ele me deixou curiosa. Eu só podia estar louca para falar algo assim.
- Ok ok, quantos anos eu tinha quando falei uma asneira dessa? – agora fiquei curiosa.
- Você tinha 3 anos e o León tinha 7 anos. – ele fala rindo como se estivesse nostálgico. – O Giovanni ficava possuído de raiva quando via você perto do León, ele não queria a irmã gêmea dele namorando.
- Hahahaha. É sério isso? – peraí... ele falou o que falou? Irmão gêmeo? – Roberto, eu escutei direito? Irmão gêmeo? Eu tenho um irmão gêmeo? – pergunto atônita.
- Você não sabia do Giovanni? – ele perguntou confuso.
- Não, eu nunca soube que tinha pai ou irmãos. Ele é o menino da foto? – ele acena com a cabeça positivamente.
Meu Deus! Eu nunca imaginei que tivesse irmãos, muito menos um irmão gêmeo. Começo a derramar lágrimas, minha vida foi toda uma mentira. A única pessoa que pode verdadeiramente me dar respostas está bem na minha frente, e pelo olhar sincero dele, sinto que posso confiar que ele me contará toda a verdade da minha vida, por isso decido perguntar tudo a ele.
- Roberto, onde ele está? – quero muito conhecer meu irmão gêmeo.
- Ele está morto. – meu Deus, eu não posso acreditar nisso.
- Morto? Como assim Roberto? – pergunto deixando minhas lágrimas caírem. – Por favor Roberto, me conta tudo.
- Eu vou te contar. – ele fala se encostando na cabeceira da cama perto de mim. – Um dia estávamos brincando no jardim. Você e Giovanni estavam correndo e eu lendo um livro, a Sina e o papai sentados comendo a comida do nosso piquenique. O Giovanni foi para os braços do papai, e você começou a correr com meu livro e eu te perseguindo. Quando ouvimos um disparo e nos viramos, o Giovanni estava morto na nossa frente. – ele fala e eu choro mais ainda. – Eles queriam matar o papai mas o disparo pegou o Giovanni. Você se agarrou gritando ao Giovanni e não soltava ele por nada. A Sina entrou em choque, mas o papai achou o atirador e o matou. Nós fizemos o funeral, a Sina não quis ir, então fomos só eu e o papai. Quando voltamos ela tinha sumido com você. Desde então te procuramos, você era a nossa única lembrança do Giovanni. Já estávamos sofrendo muito pelo meu irmão e quando você sumiu o nosso chão caiu.