Quando Attikus ouviu a resposta, ele abraçou Benson com força, jogando seus braços em volta do pescoço do homem que, inicialmente surpreso, o abraçou de volta. A cena fez Lauryn chorar ainda mais. Ela achou que Benson rejeitaria a criança, e que só a queria porque era um herdeiro dos Wingrave. Mas talvez... talvez ele realmente fosse bom para Attikus.
"Papai! Então eu tenho um papai bonito! Eu quero contar para todas as crianças do jardim que meu pai é muito bonito. Eu tenho um papai!" Sua voz estava cheia de emoção, cheia de felicidade pura.
Attikus realmente gostou de Benson, e não esqueceu que foi a aparição daquele homem que fez Paul e os pais se desculparem - assim ele e a mãe não seriam mais humilhados.
O homem era tão poderoso que, para Attikus, parecia um herói, só faltando a capa esvoaçante. Mas o terno servia. Ele adorava o pai!
Lauryn ficou à distância, olhando a empolgação do filho. Ela virou de costas para poder enxugar o rosto. Naquele momento, se ela tinha alguma dúvida antes, agora não tinha mais nenhuma. Tomar aquela decisão havia sido o mais certo.
Pensar que agora ela ficaria separada do filho - seu amado filho, a quem ela dedicou tudo durante todos aqueles anos - era como levar facadas no coração, uma após a outra. Será que eles ao menos a deixariam visitá-lo? Se os Wingrave quisesse, com o poder deles, poderiam conseguir a guarda total e impedir que Lauryn se aproximasse da criança.
Mais tarde, Attikus foi levado para conhecer a avó e a bisavó. Com isso, Lauryn e Benson ficaram a sós.
Antes, ela estava apenas sofrendo por levar o filho para a Mansão Wingrave; agora, também estava extremamente nervosa. Nervosa por estar sozinha com aquele homem. As cenas de anos atrás voltavam à sua mente - imagens e sensações de estar prensada sob o corpo dele, esmagada entre ele e o colchão.
Benson não esboçava qualquer reação além da indiferença, porém, se Lauryn tivesse olhado mais, teria visto as orelhas vermelhas dele. Ele não era um mulherengo, nunca foi, portanto, quando dormiu com Lauryn, e o jeito com tudo foi muito... selvagem, ele podia ter a raiva que fosse de como tudo iniciou, mas não poderia dizer que não gostou da sensação de tê-la em seus braços. O calor, o cheiro de Lauryn, bem como o som dos gemidos dela e dos corpos se unindo, ficaram gravados na mente dele.
"Srta. Hanson." Benson falou de repente, a voz leve e sem qualquer emoção, fazendo a respiração de Lauryn se tornar curta e pesada.
Ela tivera uma noite inteira de paixão com Benson e até engravidara, dando à luz seu filho. Mas eles nunca realmente conversaram, e as poucas palavras que ele lhe dissera no passado sempre vinham carregadas de repulsa.
Foi a primeira vez que ele a chamou de 'Srta. Hanson', e embora o tom ainda fosse frio, não havia nojo. Lauryn se recriminou por sentir algo estranho no coração. 'É só porque ele é bonito e... e passamos aquela noite. Minha primeira e única noite com um homem!'
Lauryn se convenceu que ele estava apenas apresentando o mínimo de cordialidade pela criança. Ela permaneceu em silêncio, apenas movendo a cabeça lentamente para baixo, indicando que tinha ouvido. Ela não queria provocar problemas, porque Attikus era o mais importante para ela.
"A senhorita pode morar aqui por um tempo, para acompanhar a criança e ajudá-lo a se familiarizar com o novo ambiente. Pode pedir tudo o que precisar."
Mesmo assim, Lauryn não disse nada. Seu coração ficava mais pesado a cada segundo. Ela só conseguia pensar que, se fosse pelo futuro de Attikus - ou porque ele havia sido tão humilhado e intimidado - ela jamais colocaria os pés naquela casa, nem o deixaria naquele 'novo ambiente'. Ela não queria nada dos Wingrave. Apenas poder ver o filho e acompanhar o crescimento do menino.
A ideia de pegar a criança no meio da noite e sumir do mapa lhe surgiu, ainda que os recursos dela fossem escassos. Mas ela não podia negar ao filho o direito que ele tanto precisava: ter um pai para chamar de 'papai'. Não era nem sobre as condições e possibilidades que o menino teria no futuro, tendo os Wingrave como família.
Em seguida, Benson chamou a governanta e pediu que ela levasse Lauryn ao quarto que já estava preparado para ela. Enquanto Lauryn subia as escadas, Benson olhou para suas costas delicadas e um brilho quase imperceptível passou por seus olhos.
Ele lhe deu a chance de falar, de pedir qualquer coisa - mas, para sua surpresa, ela não pediu nada. Desde que chegou até o momento em que saiu da sala, manteve-se completamente submissa, sem exigir nada.
Isso o fez lembrar daquela noite, anos antes, quando ela pedia para ele ir devagar, mas ele não conseguiu parar por causa das drogas. Ela suportou tudo - e aquela era a mesma expressão que ela trazia agora. Seu coração ficou pesado, cheio de pena e culpa.
Se a imprensa não tivesse invadido a vida deles após aquela noite, se ele não tivesse descoberto a verdade sobre o que aconteceu, ele certamente teria querido conhecê-la melhor, realmente sair com ela, namorá-la e, eventualmente, casar-se. Ela o atraía como nenhuma outra, e isso o deixava com nojo de si mesmo, pois passou os últimos anos com aquelas imagens presas dentro dele!
Benson olhou de soslaio para Lauryn. Ela estava mais magra, mas ainda assim, linda. Mesmo quando brigou com ela, a acusou de ter armado tudo contra ele, não era cego para não notar a beleza na frente dele. Agora, ela estava bem ali, bem próxima. Bastava ele se virar um pouco e encostaria no braço dela...