Benson se perguntou se ela voltaria para lhe 'lavar as costas' e um sentimento estranho surgiu em seu corpo, uma antecipação pelo toque dela. Porém, com a demora de Lauryn, ele entendeu que não aconteceria nada e decidiu por encerrar o banho.
Ele e Attikus saíram do banheiro e Lauryn viu um homem alto e bonito sendo seguido por uma criança fofa e animada. A visão era linda, porque era evidente que eram pai e filho.
"Mamãe, por que você demorou tanto lavando as mãos?" O menino perguntou ao correr para abraçá-la.
Ela não respondeu e pegou o filho no colo.
"Querido, é hora de dormir. Nós vamos dormir agora."
Sem olhar para Benson, levou o menino para o quarto para lhe trocar as roupas.
"Papai!", o menino chamou e Benson, que estava com um roupão e os cabelos molhados, parou olhou para a criança. "Vá trocar de roupa para não ficar dodói!"
Benson sorriu de leve e assentiu, saindo dali. Lauryn manteve as costas para o homem e foi pegar pijamas para Attikus. Minutos depois, o menino estava debaixo das cobertas, esperando pela história que a mãe lhe contaria antes de dormir, como sempre fazia.
Ele não conseguia se concentrar no que ela falava, porque a mente dele continuava a se desviar, pensando no pai, na casa nova... tudo era tão incrível! O melhor de tudo, de tudo mesmo, era o pai. Ele era bonito e isso era um bônus, mas o que realmente Attikus gostava era que era o pai dele! Sua alegria era indescritível.
No final, antes de dormir, Attikus murmurou, cheio de orgulho:
"Mamãe, amanhã eu vou contar para meus amigos do jardim que eu tenho um papai e que ele é um superpapai! O melhor do mundo inteiro!"
Lauryn não conseguiu evitar sorrir diante do tom orgulhoso do filho. Na verdade, ter Benson como pai era algo que deixaria qualquer um orgulhoso. O homem era extraordinário, um empresário de sucesso, inteligente.
Benson apareceu pouco depois apenas para dar um beijo na testa do menino e não trocou nem mesmo uma palavra com Lauryn.
No dia seguinte, todos estavam à mesa do café da manhã. Attikus observava tudo com olhos arregalados.
"Eu sempre tomo um copo de leite morno com um pãozinho com manteiga. Aqui tem tanta coisa!"
Por mais que Attikus não tivesse a intenção, e não tenha diminuído o que comia em casa, Lauryn não podia deixar de sentir uma dor no peito.
A expressão de Valeria escureceu e ela lançou um olhar de desprezo para Lauryn. Aos seus olhos, a mulher não era uma boa mãe por fazer o próprio filho, em fase de crescimento, comer apenas aquilo todos os dias! Ela queria dizer algo, mas decidiu guardar para si por consideração ao menino.
Benson não compartilhava do mesmo pensamento da avó. Na verdade, ele franzia o cenho, percebendo que algo estava errado. Lauryn e o filho viviam em um prédio comunitário - apenas pessoas pobres moravam ali. Mesmo que o Grupo Hanson tivesse falido, ainda tinham fundos suficientes para viver confortavelmente. Não fazia sentido terem deixado a filha viver em tais condições! E, segundo as próprias palavras de Attikus, ele não estava acostumado a uma vida boa... isso fez Benson lançar um olhar de desconfiança para Lauryn.
Depois do café, Attikus iria para o jardim de infância e Lauryn para o trabalho, como todos os dias. Normalmente, eles iriam de ônibus, mas como estavam vivendo na Mansão, Benson fez questão de levá-los.
Mãe e filho sentaram no banco de trás. Attikus tocava tudo ao redor, fascinado com as novidades. Quando chegaram ao portão do jardim, Attikus colocou a mão na porta, mas não desceu. Em vez disso, virou-se e beijou a mãe na bochecha; ao notar o olhar do pai, avançou e beijou a bochecha de Benson também.
"Mamãe, quando eu vejo mamães e papais na TV, eles sempre se beijam. Vocês podem se beijar também?"
Os olhos de Lauryn se arregalaram, o rosto quase caindo - não acreditava que o filho diria aquilo! Ele era muito novo!
"Querido, não fale bobagens. Anda, vá!" Lauryn disse, apressando o menino. Ele saiu do carro, mas deixou a porta aberta, parado ali, encarando os dois.
"Mamãe, por que você não beija o papai? Ele não é meu papai de verdade?"
"Claro que ele é seu papai!" Ela disse, exasperada. Parecia que o menino só ficava teimoso daquele jeito por causa da presença de Benson!
"Se papai é meu papai, então você tem que beijar ele! Ou é tudo mentira e esse papai é só de mentira? Na TV, as mamães e os papais se beijam!"
Lauryn queria cavar um buraco e enfiar a própria cabeça. Que tipo de programa aquela criança estava assistindo? Ela estava num dilema, até que Benson finalmente falou:
"Um beijo, huh? Eu não esperava ter que realizar esse desejo."
Os olhos de Lauryn se voltaram para ele. O que ele queria dizer com isso? Ele não estava sugerindo que eles...
Mas antes que pudesse pensar melhor, a mão de Benson se enroscou nos cabelos dela, puxando sua cabeça na direção da dele, e seus lábios se pressionaram contra os dela. Lauryn só conseguiu sentir o formigamento deixado pelo toque.
Durou apenas um instante, mas foi suficiente para fazer seu rosto inteiro arder de vergonha - ela sabia que ele fazia aquilo por causa da criança, mas mesmo assim!
Ao ver os pais se beijarem, Attikus finalmente relaxou.
"Papai, você beijou a mamãe, igual na TV! Viu? Você não mentiu pra mim. Meu papai é de verdade!"
Benson lançou um olhar para o rosto de Lauryn e percebeu que o rubor ainda estava lá. Ela não parecia uma mulher que tinha um filho de quatro anos - parecia uma adolescente de dezessete, tímida e nervosa diante do garoto por quem gostava.
Por fora, Benson parecia indiferente, porém, por dentro, ele estava um caos! O coração dele, sempre calmo como um lago, agora ondulava como se uma pedra tivesse sido lançada ali. O toque dos lábios de Lauryn queimava, espalhando-se pelo corpo dele, fazendo-o querer mais. Ele engoliu em seco, inclinando-se em direção a ela sem se dar conta.