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Entre Heranças e Silêncios
img img Entre Heranças e Silêncios img Capítulo 5 Quando o Silêncio Vira Sentença
5 Capítulo
Capítulo 10 A Noite do Baile img
Capítulo 11 O Silêncio das Heranças img
Capítulo 12 Helena Aprende a Escutar as Portas img
Capítulo 13 O Homem que Volta para Cobrar img
Capítulo 14 Três Linhas de Fogo img
Capítulo 15 Quando o Sangue Reconhece Antes do Nome img
Capítulo 16 O Que Se Constrói Sem Promessa img
Capítulo 17 O Erro Que Não Foi Amor img
Capítulo 18 Os Termos Não Negociáveis img
Capítulo 19 Os fios conectados por Hyunwoo Saito img
Capítulo 20 Antes do Nome img
Capítulo 21 A Mulher Que Quebrou o Clã img
Capítulo 22 O Filho Que Ficou img
Capítulo 23 O jovem Que Aprendeu a Ficar Sozinho img
Capítulo 24 O Homem Que Ficou img
Capítulo 25 O AMOR SOB ATAQUE - O Primeiro Golpe Não Deixa Marcas img
Capítulo 26 A Criança Que Não Cabia no Medo img
Capítulo 27 A Herdeira Que Escolheu o Amor img
Capítulo 28 O Sangue Não Negocia em Silêncio img
Capítulo 29 Quando um Império Ataca à Luz do Dia img
Capítulo 30 A Queda Tem Nome e o Amor Vira Arma img
Capítulo 31 Na Família Saito, Nenhuma Criança Fica Sozinha img
Capítulo 32 Quando o Portão se Fecha, a Guerra Começa img
Capítulo 33 O Nome Dito em Voz Alta img
Capítulo 34 O Perdão Que Veio Pelo Mar img
Capítulo 35 Quando a Verdade Atravessa Oceanos img
Capítulo 36 O Que Permanece img
Capítulo 37 A Segunda Vez do Amor img
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Capítulo 5 Quando o Silêncio Vira Sentença

O afastamento começou antes mesmo de ser oficial.

Naquela tarde, Meire não voltou para a sala de aula. Saiu pelos fundos do Instituto Santo Antônio Além do Carmo, como se tivesse cometido um crime que não entendia. O portão de ferro se fechou atrás dela com um som definitivo demais para um dia comum.

No ponto de ônibus, sentou-se com a mochila no colo, abraçada a ela como se fosse um escudo.

O celular continuava vibrando, mesmo desligado. Sabia que, ao ligá-lo novamente, encontraria novas versões da mesma mentira - mais comentários, mais julgamentos, mais certezas fabricadas.

Em casa, a mãe percebeu na hora.

- O que aconteceu? - perguntou, deixando o pano de prato cair sobre a mesa.

Meire tentou sorrir. Falhou.

- Nada, mãe. Só... cansaço.

Mas o "nada" apareceu poucas horas depois, quando uma vizinha comentou, com falsa preocupação, que tinham "coisas estranhas" circulando sobre a filha dela no colégio.

A mentira tinha escapado dos muros.

No dia seguinte, o Instituto Santo Antônio Além do Carmo publicou uma nota interna. Fria. Objetiva. Sem nomes, mas com endereço claro.

"O colégio repudia qualquer conduta incompatível com seus valores e apura, com rigor, fatos que possam comprometer sua imagem."

Meire leu o texto sentada na cama, sentindo o peso daquelas palavras esmagarem tudo o que havia construído.

Conduta.

Imagem.

Valores.

Nada ali falava de verdade.

Otávio leu a mesma nota na mesa do café da manhã, diante do pai, que dobrava o jornal com irritação contida.

- Isso é um problema - disse o homem, sem levantar os olhos. - Seu nome está sendo associado.

- Não por minha escolha - respondeu Otávio.

- Você precisa se afastar disso - insistiu o pai. - Essas coisas mancham reputações.

Otávio levantou-se bruscamente.

- Ela não é "isso".

O pai o encarou, surpreso com o tom.

- Você está se envolvendo demais com alguém que não pertence ao seu mundo.

Otávio segurou o impulso de responder o que realmente pensava. Pegou a chave do carro e saiu.

No Instituto, o burburinho aumentava. Prints circulavam. Versões se multiplicavam. Cada nova história tornava Meire menos humana e mais personagem de fofoca.

Rebeca caminhava pelos corredores com a cabeça erguida, oferecendo solidariedade seletiva.

- É triste - dizia. - Mas a gente nunca conhece de verdade as pessoas.

Naquele mesmo dia, Otávio conseguiu acesso ao relatório preliminar da investigação interna.

Superficial. Conveniente. Nenhuma análise técnica. Nenhuma tentativa real de rastrear a origem das imagens.

Ele foi até a sala da coordenação.

- Isso é uma farsa - disse, jogando o papel sobre a mesa. - Vocês não investigaram nada.

- Estamos seguindo nossos procedimentos - respondeu a diretora, sem emoção.

- Procedimentos que protegem quem tem sobrenome - rebateu ele.

- Cuidado, Otávio.

- Não. Cuidado vocês.

Saiu dali decidido.

À noite, ligou para Meire.

Ela demorou a atender.

- Eu não devia - disse ela, assim que ouviu a voz dele. - Estão dizendo que eu me aproveitei de você.

- E você acredita nisso?

- Não importa o que eu acredito. Importa o que parece.

Houve um silêncio pesado.

- Eu consegui algo - disse Otávio. - Um amigo do meu pai trabalha com tecnologia. Ele pode rastrear a origem da montagem.

- Isso só vai piorar - respondeu ela, com a voz quebrada. - Eles querem que eu desista.

- Você não vai.

- Eu estou cansada - confessou. - Cansada de lutar sozinha.

Otávio fechou os olhos.

- Então não lute sozinha.

- Você não entende - ela insistiu. - Se isso continuar, eu perco a bolsa. Se eu perder a bolsa, eu perco tudo.

- Você não perde quem você é - disse ele, num tom mais baixo, quase íntimo. - E eu não vou fingir que você não importa.

Ela chorou. Em silêncio. Do outro lado da linha.

- Não me procure por alguns dias - pediu. - Por favor.

Otávio sentiu o pedido como um corte.

- Tudo bem - respondeu. - Mas eu vou continuar.

Quando desligaram, Meire ficou olhando para o teto escuro, sentindo algo crescer junto com o medo: um vínculo perigoso demais para ser ignorado.

No Instituto, Rebeca observava a movimentação com atenção.

A bolsista ainda não tinha caído.

Mas estava perto.

Assim ela vai entender que não deve tentar se encaixar aonde ela não pertence!

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