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Entre Heranças e Silêncios
img img Entre Heranças e Silêncios img Capítulo 6 A Verdade Não Basta
6 Capítulo
Capítulo 10 A Noite do Baile img
Capítulo 11 O Silêncio das Heranças img
Capítulo 12 Helena Aprende a Escutar as Portas img
Capítulo 13 O Homem que Volta para Cobrar img
Capítulo 14 Três Linhas de Fogo img
Capítulo 15 Quando o Sangue Reconhece Antes do Nome img
Capítulo 16 O Que Se Constrói Sem Promessa img
Capítulo 17 O Erro Que Não Foi Amor img
Capítulo 18 Os Termos Não Negociáveis img
Capítulo 19 Os fios conectados por Hyunwoo Saito img
Capítulo 20 Antes do Nome img
Capítulo 21 A Mulher Que Quebrou o Clã img
Capítulo 22 O Filho Que Ficou img
Capítulo 23 O jovem Que Aprendeu a Ficar Sozinho img
Capítulo 24 O Homem Que Ficou img
Capítulo 25 O AMOR SOB ATAQUE - O Primeiro Golpe Não Deixa Marcas img
Capítulo 26 A Criança Que Não Cabia no Medo img
Capítulo 27 A Herdeira Que Escolheu o Amor img
Capítulo 28 O Sangue Não Negocia em Silêncio img
Capítulo 29 Quando um Império Ataca à Luz do Dia img
Capítulo 30 A Queda Tem Nome e o Amor Vira Arma img
Capítulo 31 Na Família Saito, Nenhuma Criança Fica Sozinha img
Capítulo 32 Quando o Portão se Fecha, a Guerra Começa img
Capítulo 33 O Nome Dito em Voz Alta img
Capítulo 34 O Perdão Que Veio Pelo Mar img
Capítulo 35 Quando a Verdade Atravessa Oceanos img
Capítulo 36 O Que Permanece img
Capítulo 37 A Segunda Vez do Amor img
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Capítulo 6 A Verdade Não Basta

Otávio não dormiu naquela noite.

Passou horas encarando a tela do notebook, os olhos ardendo, o corpo tenso, enquanto aguardava o retorno de uma ligação que parecia decidir mais do que uma investigação escolar.

Não era apenas sobre Meire. Era sobre descobrir, pela primeira vez, até onde o poder da própria família podia - ou não - ir.

O telefone vibrou pouco depois da meia-noite.

- Consegui - disse a voz do outro lado, baixa e precisa. - A montagem saiu de um computador dentro do colégio.

Otávio fechou os olhos por um instante.

- Tem certeza?

- IP interno, rede administrativa. Alguém usou um login secundário. Mas dá pra rastrear.

- Um nome?

- Ainda não. Mas sei quem pode ter acesso.

Otávio não precisou ouvir o resto.

Na manhã seguinte, entrou no Instituto Santo Antônio Além do Carmo com um pendrive no bolso e uma certeza pesada no peito. Os corredores pareciam mais frios. Menos pessoas o cumprimentavam. Algumas se afastavam. Outras observavam, curiosas.

Rebeca o viu chegar.

E, pela primeira vez, sentiu algo parecido com medo.

Na sala da diretoria, Otávio falou sem rodeios.

- A imagem é falsa. Foi criada dentro do colégio. - Colocou o pendrive sobre a mesa. - Aqui estão

os registros de acesso, os horários, os dispositivos usados.

A diretora folheou os papéis, visivelmente desconfortável.

- Isso não é conclusivo - disse, por fim.

- É técnico. Rastreável. - Otávio manteve a voz firme. - Vocês só precisam querer ver.

- Estamos lidando com a reputação da instituição - respondeu ela. - E com famílias influentes.

Otávio sentiu o peso da frase.

- Então é isso? - perguntou. - A verdade importa menos do que quem a verdade acusa?

O silêncio confirmou.

- A investigação continua - disse a diretora. - Mas o afastamento de Meire será mantido até segunda ordem.

Otávio saiu dali com o estômago embrulhado.

Encontrou Meire à tarde, em um lugar improvável: a igreja Nossa Senhora da Saúde e Glória perto do bairro dela. Ela estava sentada no último banco, sozinha, os dedos entrelaçados, o olhar perdido.

Ele se aproximou devagar.

- Eu provei - disse, baixo. - Eles sabem.

Ela o olhou, cansada demais para se animar.

- E...?

- E escolheram não agir.

Meire respirou fundo. Um riso curto escapou.

- Então é isso.

- Não - respondeu ele, rápido. - Não pra mim.

Ela se levantou.

- Você já fez demais. - A voz tremia. - Isso não vai me devolver a bolsa se eles decidirem me punir.

Nem vai apagar o que já espalharam.

- Vai - insistiu ele. - Se a gente levar isso pra fora.

- Pra imprensa? - ela arregalou os olhos. - Você enlouqueceu?

- Não. Eu acordei.

Ela deu alguns passos, nervosa.

- Você não entende o que é ser eu - disse. - Amanhã isso passa pra você. Pra mim, fica.

Otávio segurou o braço dela com cuidado, sem força.

- Olha pra mim - pediu.

Ela resistiu, mas acabou olhando.

- Eu não estou fazendo isso por pena - continuou. - Nem por rebeldia. Estou fazendo porque você importa. Porque o que fizeram com você é errado. E porque eu não quero ser cúmplice.

O silêncio entre eles era denso.

- Se você continuar - disse Meire, quase num sussurro - eles vão te atingir.

- Já atingiram - ele respondeu. - Só que agora eu sei de que lado estou.

Ela respirou fundo. Pela primeira vez desde que tudo começara, permitiu-se ficar ali, perto.

- Eu tenho medo - confessou.

- Eu também.

Eles ficaram assim por alguns segundos, próximos, sem tocar de novo. A tensão entre eles já não era apenas ameaça - era vínculo.

Do outro lado da cidade, Rebeca recebia uma mensagem curta:

"Eles têm os registros."

Ela apagou o celular imediatamente.

Sabia que aquela fase da guerra estava perdida.

A próxima precisaria ser mais cruel.

Porque, naquele jogo, a verdade podia ser provada - mas nunca era suficiente sozinha.

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