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Entre Heranças e Silêncios
img img Entre Heranças e Silêncios img Capítulo 7 O Julgamento
7 Capítulo
Capítulo 10 A Noite do Baile img
Capítulo 11 O Silêncio das Heranças img
Capítulo 12 Helena Aprende a Escutar as Portas img
Capítulo 13 O Homem que Volta para Cobrar img
Capítulo 14 Três Linhas de Fogo img
Capítulo 15 Quando o Sangue Reconhece Antes do Nome img
Capítulo 16 O Que Se Constrói Sem Promessa img
Capítulo 17 O Erro Que Não Foi Amor img
Capítulo 18 Os Termos Não Negociáveis img
Capítulo 19 Os fios conectados por Hyunwoo Saito img
Capítulo 20 Antes do Nome img
Capítulo 21 A Mulher Que Quebrou o Clã img
Capítulo 22 O Filho Que Ficou img
Capítulo 23 O jovem Que Aprendeu a Ficar Sozinho img
Capítulo 24 O Homem Que Ficou img
Capítulo 25 O AMOR SOB ATAQUE - O Primeiro Golpe Não Deixa Marcas img
Capítulo 26 A Criança Que Não Cabia no Medo img
Capítulo 27 A Herdeira Que Escolheu o Amor img
Capítulo 28 O Sangue Não Negocia em Silêncio img
Capítulo 29 Quando um Império Ataca à Luz do Dia img
Capítulo 30 A Queda Tem Nome e o Amor Vira Arma img
Capítulo 31 Na Família Saito, Nenhuma Criança Fica Sozinha img
Capítulo 32 Quando o Portão se Fecha, a Guerra Começa img
Capítulo 33 O Nome Dito em Voz Alta img
Capítulo 34 O Perdão Que Veio Pelo Mar img
Capítulo 35 Quando a Verdade Atravessa Oceanos img
Capítulo 36 O Que Permanece img
Capítulo 37 A Segunda Vez do Amor img
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Capítulo 7 O Julgamento

A sala do conselho nunca fora feita para alunos.

As cadeiras eram grandes demais, a mesa longa demais, o ar pesado demais para alguém que ainda carregava livros na mochila. Meire entrou acompanhada pela mãe, sentindo que cada passo ecoava como uma confissão forçada.

Do outro lado, sentados em semicírculo, estavam a diretora, a coordenadora pedagógica, dois representantes do conselho administrativo e um advogado do colégio. Nenhum sorriso. Nenhuma palavra de acolhimento.

Otávio já estava lá.

Não deveria estar, mas estava. Em pé, ao fundo, como quem se recusa a assistir calado.

Rebeca entrou logo depois, vestida de branco, os cabelos presos, semblante abatido com perfeição cirúrgica. Ao seu lado, o pai. Terno escuro. Olhar de quem já conhecia aquele ambiente.

- Podemos começar - disse a diretora.

Meire sentou-se. As mãos suavam. O coração batia forte, mas ela mantinha a coluna ereta. Não lhes daria o prazer de vê-la quebrar.

- Esta audiência tem como objetivo apurar fatos que possam comprometer a imagem do Instituto Santo Antônio Além do Carmo - iniciou o advogado. - Reforço que não se trata de um julgamento pessoal.

Era mentira. Todos sabiam.

Foram exibidas as imagens novamente. A montagem. O grupo de mensagens. Os comentários.

- Reconhece esse conteúdo? - perguntou o advogado a Meire.

- Reconheço a mentira - respondeu ela, com voz firme.

Alguns trocaram olhares desconfortáveis.

- Houve uma perícia técnica - interrompeu Otávio, avançando um passo. - Os registros comprovam...

- O senhor não foi chamado a falar - cortou o advogado.

Otávio fechou a mão, mas se conteve.

- Senhorita Rebeca - continuou o advogado -, a senhorita afirma ter recebido esse material anonimamente?

Rebeca assentiu, os olhos marejados.

- Fiquei chocada - disse, com voz embargada. - Só pensei em proteger o colégio... e meus colegas.

A mãe de Meire se mexeu na cadeira.

- Proteger de quê? - perguntou, sem conseguir se conter. - Da minha filha?

- Senhora, por favor - interveio a diretora.

- Não - insistiu a mãe. - Vocês afastaram minha filha sem prova nenhuma. Humilharam ela.

- Estamos falando de reputação - respondeu o advogado, frio. - O colégio precisa zelar por seus valores.

- Valores que não incluem justiça - disse Otávio, alto o suficiente para ecoar pela sala.

Todos se viraram.

- Chega - disse a diretora. - Ou o senhor se retira, ou chamarei a segurança.

Otávio respirou fundo. Se tentarem me expulsar vou abrir uma live e denunciar esse Julgamento nas redes sociais e marcar a hashtag #RacismoAmbientaleEstruturalnoInstitutoSantoAntonioAlemdoCarmo

e não pense que vou usar minha conta pessoal, vou usar a do Instituto Educacional Janguiê! Olhou para Meire. Ela fez um leve gesto negativo com a cabeça.

Aquilo partiu algo dentro dele.

Um silêncio sepulcral se fez. A audiência seguiu.

Perguntas enviesadas. Insinuações veladas. Dúvidas lançadas como certezas. Em nenhum momento a perícia foi oficialmente analisada. Em nenhum momento Rebeca foi questionada sobre acesso aos computadores do colégio.

Ao final, a decisão veio rápida demais para ser honesta.

- Considerando o impacto causado - disse a diretora - o conselho decide manter o afastamento da aluna Meire dos Santos até o fim do semestre, com reavaliação de sua bolsa ao término do período.

O mundo pareceu parar.

- Isso é punição - disse Meire, levantando-se. - Por algo que eu não fiz.

- É uma medida administrativa - respondeu o advogado.

Otávio avançou um passo. - Vocês estão errados - disse, a voz baixa, perigosa. - E vão pagar por isso.

- Otávio - advertiu o pai de Rebeca, finalmente falando -, cuidado com ameaças.

- Não é ameaça - respondeu ele. - É aviso.

Meire segurou o braço dele.

- Não - disse, num sussurro. - Aqui não.

Eles saíram juntos da sala. Não de mãos dadas. Não como casal. Mas ligados por algo que agora era impossível desfazer.

No corredor, Meire encostou-se à parede. As pernas finalmente cederam.

- Acabou - disse. - Eles venceram.

Otávio se ajoelhou à frente dela, ignorando quem passava.

- Não acabou - respondeu. - Só saiu do controle deles.

Ela o olhou, os olhos cheios.

- Eu não posso mais ficar aqui - disse. - Esse lugar nunca foi pra mim.

Otávio entendeu, naquele instante, que algo maior do que o romance estava acontecendo.

Ela estava sendo expulsa do mundo que ele sempre achara neutro.

Do outro lado da porta, Rebeca observava em silêncio.

A audiência terminara.

Mas a história deles, não.

E toda decisão injusta deixa um rastro.

Às vezes, esse rastro vira fuga.

Às vezes, vira revolução.

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