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O Arrependimento do Don: Ela Salvou a Vida Dele
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Capítulo 3

A chuva de São Paulo era uma mistura gelada de gelo e lama cinzenta, um frio cortante que encharcava instantaneamente o tecido fino do meu vestido.

Estávamos no cemitério. À frente, o mausoléu da família Vitiello se erguia contra o céu de ardósia, um palácio escuro para os mortos.

"Saia", ordenou Dante do calor climatizado de seu SUV blindado.

Pisei no asfalto molhado, minhas pernas tremendo. Meu corpo era uma tapeçaria de hematomas da cozinha, meus pulmões ruidosos com o congestionamento de fluidos da pneumonia adquirida na câmara fria.

"Seu pai negou a vida ao meu pai", disse Dante, baixando a janela apenas um centímetro para que sua voz passasse pelo vento. "Você vai prestar suas homenagens."

Ele apontou para o caminho que levava à cripta. Não era pavimentado. Estava coberto de cascalho esmagado e, hoje, espalhado com brasas quentes que ele ordenara a seus homens que colocassem. Uma "Caminhada de Fogo" - uma antiga penitência siciliana.

"Rasteje", disse ele.

Eu olhei para ele, o pânico apertando meu peito. "Dante, por favor. Minha máquina..."

"Rasteje, ou eu desligo a bateria agora mesmo."

Ele ergueu o controle remoto.

Caí de joelhos. O cascalho afiado cortou minha pele instantaneamente, misturando-se com o frio cortante da chuva. O calor das brasas irradiava para cima, chamuscando a barra do meu vestido antes mesmo de eu me mover.

Comecei a me mover.

Cada centímetro era agonia. As pedras rasgavam. As brasas queimavam. Eu podia sentir o cheiro acre da minha própria pele queimando. O sangue se misturava com a chuva, deixando um rastro vermelho diluído para trás.

Dante dirigia o carro lentamente ao meu lado, acompanhando meu ritmo torturante. Sofia estava no banco do passageiro, rindo de algo em seu celular. Ela segurava uma xícara de chocolate quente, o vapor subindo zombeteiramente no ar frio.

"Olha, Dante", ela riu, gesticulando vagamente para mim. "Ela parece um cachorro."

Dante não riu. Ele apenas observava, seu rosto uma máscara de pedra. "Cães são leais. Ela é filha de um traidor."

Continuei rastejando.

*Zumbido-clique-zumbido.*

A máquina embutida no meu peito era minha única companhia. Concentrei-me no ritmo mecânico. Se parasse, eu pararia.

Cheguei ao túmulo. Meus joelhos eram carne desfiada. Minhas palmas eram queimaduras empoladas.

Dante saiu do carro. Ele caminhou até mim, agarrou a parte de trás do meu pescoço com um aperto de torno e bateu minha testa contra o mármore frio da lápide de seu pai.

*Crack.*

Sangue quente escorreu pelo meu rosto, misturando-se com a chuva e cegando um olho.

"Peça desculpas", ele sibilou no meu ouvido.

"Sinto muito", solucei contra a pedra. "Sinto muito."

"Mais alto."

"SINTO MUITO!", gritei, minha voz rasgando crua pela minha garganta.

Dante me soltou. Eu desabei contra o túmulo, uma boneca quebrada descartada na lama.

"Levante-se", disse ele, limpando a mão em um lenço de seda. "Temos uma festa para planejar."

Olhei para ele através de um olho inchado, a visão embaçada. "Festa?"

"O aniversário de Sofia está chegando", disse ele, envolvendo um braço em volta de Sofia enquanto ela saía do carro, pisando delicadamente sobre meu sangue com seus saltos de grife. "Ela quer uma grande celebração. Com tema de casamento."

Meu coração - o metafórico, a alma que eu ainda possuía apesar da bomba de plástico no meu peito - se estilhaçou.

"Mas...", sussurrei, minha voz mal audível sobre a chuva. "Nós deveríamos nos casar no aniversário dela."

"Exatamente", disse Dante, um sorriso cruel torcendo seus lábios. "Você já fez o planejamento. As flores, o local, a música. Está tudo pronto. Só vamos mudar o nome no convite."

Ele abriu a porta do carro para Sofia.

"Você pode voltar a pé", disse ele.

Eles foram embora, as luzes traseiras desaparecendo na névoa. Fiquei deitada no túmulo dos meus pais, a chuva lavando meu sangue, percebendo que meu casamento dos sonhos era agora a celebração da minha tortura.

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