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O Arrependimento do Don: Ela Salvou a Vida Dele
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Capítulo 9

(Ponto de Vista de Dante Vitiello)

"Elena!"

A linha ficou muda.

Afastei o telefone do ouvido, encarando a tela preta. Meu coração martelava um ritmo contra minhas costelas que parecia estranho, frenético. Não foi apenas uma ligação perdida. Foi uma ruptura.

*Que barulho foi esse?* Aquele clique. Aquele silêncio súbito e absoluto.

"Rastreie o telefone", rosnei para Marco, meu Consigliere, que estava ao volante. "Agora!"

"Chefe, ela provavelmente está apenas se escondendo", disse Marco, seus dedos voando pelo console mesmo enquanto tentava me acalmar. "Ela faz isso para chamar a atenção."

"Rastreie!"

Dei um soco no painel. O couro caro se rasgou sob meus nós dos dedos com um som nauseante.

"Ok! Ok. O sinal está...", Marco hesitou, seu rosto empalidecendo no brilho do GPS. "No cemitério. O setor antigo."

*O cemitério.*

Um pavor frio se enrolou no meu estômago, pesado e plúmbeo. Não raiva. Pavor. Era uma sensação que eu não sentia desde a noite em que meu pai morreu.

"Dirija", ordenei, minha voz baixa e perigosa. "Passe todos os sinais vermelhos."

A chuva açoitava o para-brisa como estilhaços enquanto o SUV rasgava as ruas de São Paulo. No espelho retrovisor, vi Sofia no banco de trás. Ela não estava olhando para a estrada; estava verificando a maquiagem em um espelho compacto, totalmente despreocupada.

"Dante, relaxe", disse ela, fechando o compacto. "Ela está apenas sendo dramática. Provavelmente está sentada no túmulo dos pais chorando por simpatia."

"Cale a boca", eu disparei.

Ela congelou, a boca ligeiramente aberta. Eu nunca falava com ela assim. Mas agora, eu não me importava com seus sentimentos. Eu não me importava com nada além do silêncio ecoando na minha cabeça.

Paramos bruscamente nos portões do cemitério, os pneus fumegando contra o asfalto molhado.

Não esperei o carro parar completamente. Abri a porta com um empurrão e saltei, meus sapatos de couro italiano mergulhando fundo na lama.

"Elena!", rugi.

A chuva engoliu minha voz, afogando-a na chuva incessante.

Corri em direção ao lote dos Rossi, ignorando o vento cortante. Meus homens se esforçaram para me acompanhar, suas lanternas cortando feixes caóticos pela penumbra.

Vi o zelador primeiro. Um homem velho, parado ao lado de um monte de terra fresca, segurando uma pá. Ele estava olhando para um buraco, seus ombros tremendo. Ele estava chorando.

Eu o empurrei para o lado e olhei para o abismo.

Uma caixa de pinho. Uma caixa de pinho barata e inacabada.

E dentro, Elena.

Ela estava deitada de costas, as mãos cruzadas sobre o peito. Seu vestido estava rasgado, sua pele pálida, iluminada pelo feixe duro e implacável das lanternas.

"Tirem-na daí!", gritei para meus homens. "Tirem-na daí agora!"

Dois guardas pularam na cova, escorregando na lama. Eles levantaram a caixa desajeitadamente. Eu não podia esperar. Estendi a mão e agarrei as alças, puxando-a para a grama molhada eu mesmo, meus músculos se esforçando, minha respiração saindo em arquejos irregulares.

"Elena", eu disse, sacudindo seu ombro. "Acorde. O jogo acabou. Você venceu. Acorde."

Ela não se moveu. Sua cabeça pendeu para o lado com uma leveza aterrorizante.

Toquei sua bochecha.

Gelo.

Não era o frio da chuva. Era o frio profundo e penetrante de um objeto que não continha mais uma alma.

"Chame o médico!", gritei, virando-me para Marco.

"Chefe...", Marco iluminou o dispositivo preso à cintura dela. O cabo estava desconectado. A tela estava preta.

Agarrei seu pulso. Pressionei meus dedos em sua pele, procurando por um pulso, por uma vibração, por qualquer coisa.

Nada.

Silêncio.

"Não", sussurrei. Eu a sacudi com mais força. "Não. Você não tem permissão. Eu não te dei permissão!"

Coloquei meu ouvido em seu peito. Eu esperava ouvir o zumbido mecânico da máquina que ela sempre usava. A máquina da qual eu zombava. A máquina que eu ameaçava desligar.

Silêncio.

Recuei, olhando para o rosto dela. Seus olhos estavam fechados. Sua expressão era... pacífica. Foi a primeira vez que a vi parecer pacífica desde o dia em que rasguei seu vestido na cobertura.

Ela se foi.

A percepção não me atingiu como uma bala. Foi pior. Parecia que a terra havia se aberto e engolido o mundo inteiro. As cores ficaram cinzas. O som da chuva desapareceu em ruído branco.

"Ela está morta, chefe", disse Marco suavemente.

"Mentiroso", eu respirei. Levantei-me, afastando-me da caixa. "Ela está fingindo. Ela está fazendo isso para me punir."

Olhei para Sofia. Ela havia saído do carro e estava parada sob um guarda-chuva preto, olhando para o corpo com uma mistura de nojo e alívio.

"Finalmente", murmurou Sofia.

A palavra foi baixa, mas rugiu em meus ouvidos mais alto que a tempestade.

*Finalmente?*

Olhei de volta para Elena. Minha Elena. Minha inimiga. Minha obsessão.

Morta em uma caixa de pinho na lama.

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