4 Capítulo
Capítulo 10 Projeto Xynergy

/ 1

Mantendo a voz firme, Connor avisou Nicole: "Se você vai entrar para a família Reed, é melhor se preparar para sangrar. Como minha esposa, você precisa ter cabeça fria e as habilidades certas para suportar o que está por vir. Pense bem nisso."
Um sorriso sutil e tranquilo curvou os lábios de Nicole enquanto ela respondia: "Se você duvida de mim, pode liberar o dinheiro prometido à minha família em dez parcelas separadas. Assim que sentir que provei meu valor, você paga o restante no seu próprio ritmo."
Apesar da tranquilidade na voz, cada palavra tinha sido pesada e ensaiada na noite anterior, polida até que nada soasse forçado. O primeiro passo contra o tio exigia uma vantagem que ela pudesse manter sob controle firme, e a quantia substancial que a família Reed prometeu pelo casamento era a isca mais eficaz que ela tinha.
Sem saber que Connor apenas fingia ser cego, ela acreditava ter tudo planejado, mas o desconforto brilhando nos olhos dela e a tensão ao redor da boca não passaram despercebidos, com cada detalhe captado por ele.
Lembrando-se dos anos que ela havia sobrevivido sob o teto do tio, Connor logo percebeu a formulação cuidadosa da sua proposta e soltou uma risada baixa, debochada.
Interpretando mal o som, Nicole achou que ele estava ridicularizando a situação, como se ela não passasse de um objeto de negociação, o que a fez ficar boquiaberta numa humilhação silenciosa.
Sem levantar os olhos, ele observou o café da manhã intocado, claramente sem querer ficar em dívida com a gentileza dela, e respondeu num tom neutro: "Esse acordo faz sentido."
Pouco depois, Samuel entrou e entregou um cheque de cinco milhões de dólares a Nicole.
"Senhora Perry, isso representa um décimo do acordo. Por favor, guarde isso em segurança", disse ele, num tom controlado e profissional.
Nicole sempre soube o quão rica a família Reed era, mas ver o cheque a deixou atordoada por um momento, então ela o guardou com cuidado e, antes de sair, virou-se para se despedir de Connor, passando seu número e pedindo que ele entrasse em contato sempre que precisasse.
Quando a porta se fechou atrás dela, Connor se levantou da cadeira de rodas e foi até a janela, o corpo alto e imóvel enquanto a observava se afastar.
Samuel parou ao lado dele e falou baixinho, a curiosidade marcando a voz: "Cinco milhões é muito dinheiro para alguém como ela. Você acha mesmo que ela vai voltar?"
Connor não respondeu, mantendo a expressão indecifrável.
...
Risadas e comemorações enchiam a residência dos Perry.
Phillip Perry, tio de Nicole, tinha pedido à empregada para preparar um banquete extravagante, brindando abertamente ao fato de Nicole ter sido vendida por um preço excelente.
Do outro lado da mesa, sua esposa, Martha Perry, sorria para a filha. "Erika, querida, agora você pode finalmente relaxar, não é? Com esse dinheiro, dá para financiar a startup de Jerald, garantir que o coração dele continue sendo seu e, ao mesmo tempo, se livrar de um estorvo. Só falta você e Jerald se apressarem, casarem logo e me darem alguns netos para mimar."
A prima de Nicole, Erika Perry, ergueu a taça e perguntou casualmente: "A família Reed já transferiu o dinheiro?"
Rindo, Phillip dispensou a preocupação: "Chegará a qualquer momento. Os Reed valorizam o nome que têm e não voltam atrás na palavra."
Diante dessas palavras, um brilho genuíno se espalhou pelo rosto de Erika. Nicole sempre a ofuscou em tudo durante anos, roubando a atenção sem nem se esforçar. Agora que Nicole não tinha nada, Erika sentiu uma pontada de triunfo que não conseguia mais conter.
"Aquela garota patética... Se ela descobrisse que o pai morreu de desgosto por culpa da raiva que estava sentindo, qual seria a reação? Será que ela ficaria tão arrasada a ponto de pular de um prédio também?", Erika bufou com um sorriso de escárnio, o tom carregado de malícia.
O rosto de Phillip se enrijeceu instantaneamente ao retrucar: "Por que você tocou nesse assunto de novo?"
Com um encolher de ombros petulante, Erika murmurou: "Para que esse pânico todo? Em nenhum momento disse quem causou isso."
Os três achavam que Nicole não sabia de nada, mas todas as verdades cruéis já estavam enraizadas na mente dela.
Nesse momento, a porta se abriu e Nicole entrou, interrompendo as risadas e comemorações.
Parada ali, ela parecia tão simples e inofensiva como sempre, mas um distanciamento gélido pairava em seus olhos quando ela falou num tom firme: "Voltei."
Martha não fez nenhum esforço para disfarçar o desprezo que curvava seus lábios num sorriso de escárnio. "Por que você voltou?"
Um sorriso sutil e preguiçoso surgiu no rosto de Nicole. "Vim entregar o dinheiro. Ou isso não é mais algo que vocês querem?"
A sala ficou tensa imediatamente, os rostos se transformando em uma sucessão de expressões. Então o dinheiro foi entregue por Nicole? Bem, a forma como a família Reed lidava com as coisas era problema deles.
Martha bufou e gritou impacientemente: "Então por que está parada aí? Anda logo e nos dê o dinheiro!"
Ignorando Martha e Erika, Nicole foi até a cadeira em frente a Phillip e se sentou.
"Tio Phillip, você prometeu à minha mãe um enterro digno e respeitoso. Assim que isso for feito e você e sua família prestarem suas homenagens no túmulo dela, eu entrego o dinheiro", disse ela friamente, entrelaçando as mãos.
A intensidade do olhar de Nicole fez Erika se mexer desconfortavelmente na cadeira. Como ela havia se tornado tão assustadora só porque sua mãe se foi? Seu olhar era penetrante e profundamente perturbador.
Com um sorriso de deboche, Erika disse: "Sua mãe não passava de um lixo, e você espera que prestemos homenagens a ela?"
Sua irritação transbordou quando ela acrescentou com rispidez: "Você acha mesmo que ela merece isso?"
Diante dessas palavras, o olhar de Nicole se enrijeceu, o último traço de suavidade desaparecendo sem aviso. No instante seguinte, sua mão se ergueu e deu um tapa no rosto de Erika com uma precisão implacável.