9 Capítulo
Capítulo 10 Projeto Xynergy

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Nicole respirou fundo antes de responder com um sussurro: "Não." Logo em seguida, ela guiou Connor até a cama e disse: "Está tarde, melhor você descansar um pouco. Se precisar de alguma coisa durante a noite, é só chamar."
Embora morassem sob o mesmo teto, eles não dividiam o quarto - Nicole ficava instalada no quarto de hóspedes logo ao lado.
Assim que os passos dela sumiram no corredor, Connor pediu calmamente que alguém lhe enviasse o relatório sobre o passado de Erika. Depois de folhear algumas páginas, ele fechou o arquivo com um sorriso leve de desdém no rosto - era uma inútil e uma completa perda de tempo.
...
Nicole mergulhou de cabeça na criação do vestido para a festa de Erika, ajustando cada costura até que a peça ficasse impecável, dois dias antes do evento.
Durante muito tempo, o peso que ela tinha ganhado serviu como uma barreira que a impedia de se arrumar, e o velho hábito de se encolher, tentando ocupar menos espaço, deixava seus ombros curvados e o olhar baixo. Dessa vez, porém, ela estava decidida a manter a postura ereta, de cabeça erguida.
Depois de vestir a peça, ela girou devagar na frente do espelho, analisando o reflexo por todos os ângulos, mas ainda parecia faltar alguma coisa.
Foi nesse momento que Samuel entrou, carregando uma caixa preta elegante, e falou com a cortesia de sempre: "Senhora Perry, esse é um presente do senhor Reed. Ele pediu para você abrir."
Nicole congelou por um segundo, genuinamente surpresa. Um presente... vindo do Connor?
O choque logo deu lugar a uma emoção silenciosa quando ela abriu a caixa e deu de cara com um colar de safira brilhando lá dentro, com pedras de um azul profundo que refletiam a luz.
Combinado com seu vestido preto, o colar realçava sua presença instantaneamente, dando-lhe um ar de elegância.
Mesmo assim, por trás do brilho da alegria, a inquietação se manifestava - algo tão requintado devia ter um preço que ela não tinha certeza se se sentiria à vontade em aceitar. Considerando que o dinheiro do casamento arranjado vinha da família Reed - e que Connor provavelmente não tinha muito sobrando -, a preocupação com o custo foi inevitável.
"O aluguel desse colar por um dia só deve custar uma fortuna, não é?", perguntou ela, franzindo a testa de leve. "O aniversário de Erika é depois de amanhã. Não seria mais sensato alugar só para o dia da festa? Senão a gente vai acabar desperdiçando duas diárias à toa."
Diante do comentário, um movimento quase imperceptível surgiu nos lábios de Samuel. Alugar? Que absurdo! Connor nunca precisou se preocupar com dinheiro - um colar avaliado em um milhão não significava nada para ele, era quase troco de pão.
No entanto, sabendo que o patrão precisava manter a fachada de membro rejeitado e falido da família Reed, Samuel entrou no jogo: "A loja fez uma promoção imperdível - alugue por um dia e ganhe mais dois de graça. Pode usar sempeso na consciência."
A alegria se estampou no rosto de Nicole enquanto ela arqueava uma sobrancelha, desconfiada e surpresa. "Espera, existe mesmo esse tipo de promoção?"
Com uma expressão séria que mal disfarçava a ironia, Samuel completou: "Principalmente porque o senhor Reed é um homem muito bonito. A loja decidiu dar uns privilégios exclusivos para ele."
Depois de colocar o colar e admirar como ele capturava a luz, Nicole se aproximou de Connor e agradeceu com sinceridade, a voz carregada de uma gratidão genuína.
Connor observou a aproximação dela sem que nenhum músculo do seu rosto demonstrasse interesse.
Apesar de saber que ele era cego, o calor subiu às bochechas de Nicole e ela murmurou, meio sem jeito: "Obrigada por ser tão atencioso. O colar é lindo... vou cuidar muito bem dele."
Apoiando o dedo sobre os relevos do livro em Braille, Connor respondeu com frieza: "Me poupe do discurso. Só não queria que você saísse por aí parecendo uma desleixada e manchando a minha imagem."
As palavras foram diretas, secas, mas não carregavam maldade real.
Nicole apenas deu de ombros e soltou uma risada descontraída, sem deixar que o humor dele a abalasse, e voltou para seus afazeres com passos leves.
Logo depois que ela saiu, Samuel se aproximou e perguntou com um sorriso provocador: "Olha só que coincidência engraçada, senhor Reed... temos um compromisso no mesmo dia, e no mesmo hotel. Prefere evitar a senhora Perry?"
A curiosidade passou pela mente de Connor ao imaginar como a família de Nicole a trataria, então ele respondeu com calma: "Não precisa. Só reserve outro salão para nós."
...
Dias depois, chegou a data do aniversário de Erika, e, no momento exato, Nicole apareceu.
Na entrada, Erika estava agarrada ao braço de Jerald enquanto recebiam os convidados - os dois, elegantes e deslumbrantes, formavam o típico casal de capa de revista, cercados por sorrisos e holofotes.
Assim que avistou a prima, Erika se aproximou rápido e segurou a mão de Nicole com um calor fingido de sempre, sorrindo alegremente: "Que alívio ver que você veio! Eu estava morrendo de medo de você ainda estar brava comigo e nem aparecer para me dar os parabéns."
Com essas palavras, quem estava perto parou para ouvir, e os burburinhos começaram a correr pelo salão enquanto olhares curiosos fuzilavam Nicole.
Por anos, Erika havia aperfeiçoado a arte de se fazer de boazinha, contando meias-verdades em algumas frases suaves que sempre deixavam Nicole como a prima sem coração.
Percebendo os truques de Erika, Nicole a encarou calmamente e respondeu: "Por que você sempre diz as coisas de uma forma que gera mal-entendidos? Ou é simplesmente porque você não gosta de mim?"
Pega de surpresa, Erika travou, e a doçura no rosto dela desmoronou por um segundo constrangedor.
Acostumada a pisar em Nicole sem resistência, Erika nunca imaginou que seria confrontada. Quando a pergunta voltou para ela, o pânico brilhou em seus olhos e ela recorreu instintivamente ao velho script - baixou os cílios e deixou as lágrimas se acumularem até parecer a criatura mais frágil e magoada do mundo.
Incapaz de suportar a visão da angústia de Erika, Jerald a puxou para seus braços imediatamente, com a testa franzida enquanto se virava para Nicole.
"Depois de todo esse tempo longe, achei que você iria refletir, talvez até mudar. Mas você continua a mesma. O que Erika fez para merecer essa hostilidade da sua parte?", ele perguntou friamente.
Nicole ergueu o olhar para ele. Jerald já tinha se tornado tão podre quanto Erika e, como todos os laços já tinham sido cortados, uma ousadia silenciosa despertou dentro dela.
"Todo esse tempo longe? Pelas minhas contas, faz só quinze dias. Achei que você não me suportasse e nem fosse notar minha falta, mas, pelo visto, você tem contado os dias com muito mais saudade do que eu imaginava", respondeu ela, com uma calma absoluta.