7 Capítulo
Capítulo 10 Projeto Xynergy

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Nicole encarou Connor com as palavras entaladas na garganta, mas, depois de uma pausa rápida, achou melhor deixar para lá, pois não adiantava esperar gentileza de um homem com deficiência que vivia isolado há tanto tempo numa casa esquecida.
Percebendo que ele não havia se ofendido com a arma de brinquedo, ela relaxou os ombros e puxou uma cadeira à sua frente.
"Comprei um celular para você", disse ela, num tom suave. "Quer testar?"
Connor não respondeu verbalmente, mas o consentimento silencioso em sua expressão era claro o suficiente.
Nicole abriu a caixa do aparelho e o orientou pacientemente sobre o básico, movendo os dedos enquanto o ensinava a passar o tempo.
Erguendo os olhos, ela perguntou com um leve sorriso nos lábios: "Quer configurar o bloqueio de impressão digital? Isso ajudará a manter sua privacidade segura."
Como tinha esquecido que a roupa encharcada de chuva estava colada ao corpo, Nicole não percebeu que, do ângulo de Connor, a curva sedutora dos seus seios estava bem visível.
Para Connor, os corpos das mulheres raramente eram muito diferentes, mas, com seus olhos lúcidos e desprotegidos, a visão o deixou estranhamente desarmado, fazendo surgir um sentimento inexplicável.
Mesmo assim, pedir para ela se cobrir estava fora de questão.
Desviando o olhar, ele respondeu friamente: "Tudo bem. Pode configurar."
Sem hesitar, Nicole pegou a mão dele e rapidamente terminou a configuração.
A pele dela ainda tinha resquícios da chuva, mas seus dedos estavam inesperadamente quentes e levemente úmidos, suavizando o contato e irradiando uma vitalidade vibrante.
Connor sentiu uma atração que não sabia explicar, e isso o incomodou mais do que gostaria de admitir. Ele puxou a mão de volta, esfregou os dedos e soltou, com uma indiferença ensaiada: "Não encoste em mim de novo."
Ela travou por um segundo antes de assentir levemente. "Entendi. Vou ter mais cuidado na próxima."
O celular novo parecia simples repousando na mão de Connor, mas estranhamente pesado, carregado pela preocupação silenciosa dela. O olhar dele recaiu sobre o aparelho enquanto perguntava: "Por que se deu ao trabalho de comprar isso para mim?"
Com um olhar sincero, Nicole respondeu baixinho: "Quem não enxerga não tem muitas opções de lazer. Só queria que você tivesse algo para se sentir um pouco melhor."
Ele não se deixava levar por palavras doces e sabia que essa não era a real intenção dela.
"Faz sentido", respondeu ele com descaso, a voz marcada pelo desapego. "Afinal, ainda tem uma dívida enorme esperando para ser paga."
Ao ouvir isso, Nicole franziu os lábios, sem saber o que responder.
...
Para retribuir o gesto de Nicole, Connor mandou entregar a ela dezenas de peças de roupa, o suficiente para encher o quarto e dar a ela infinitas opções, e, junto com as roupas, entregou um cartão de crédito.
Pensando nos três anos de escassez que tinha vivido, Nicole pegou o cartão sem hesitar e disse com sinceridade: "Não precisa se preocupar. Sei que seu dinheiro é suado. Não vou gastar um centavo à toa."
Como dinheiro não significava muito para Connor, ele ignorou o comentário com uma indiferença casual. "Use como quiser."
Depois de se instalar, Nicole assumiu seu papel com seriedade, agindo com a dedicação silenciosa de uma esposa empenhada em fazer tudo certo.
Na maioria dos dias, Connor sumia, ocupado com negócios que conduzia sob uma identidade diferente.
Por precaução, ele ordenou que seus homens fizessem uma varredura completa no celular que Nicole tinha lhe dado, mas o relatório não apontou nada suspeito. Ao que tudo indicava, ela realmente só queria agradá-lo.
Samuel abriu um sorriso e soltou uma piada: "Senhor Reed, já que agora está oficialmente brincando de marido, não deveria fazer o dever de casa? Quer que eu baixe uns filmes adultos para você estudar?"
Com o rosto inexpressivo, Connor respondeu friamente: "Tudo bem, mas com uma condição - você vai ser o protagonista."
Samuel deixou a brincadeira de lado, assumiu um tom sério e falou baixo: "A senhora Perry não oferece risco, mas é ingênua e inexperiente. Você acha mesmo que ela dá conta das cobras da família Reed?"
O relatório sobre o passado de Nicole era bem comum, quase sem graça.
Connor soltou um suspiro contido e respondeu na lata: "Transformar uma geladeira cheia de sobras num café da manhã decente exige mais do que você imagina. Só isso já me diz que ela não é tão comum assim."
Com uma risada seca, Samuel retrucou: "Você não está esperando que ela cozinhe algo capaz de derrubar a família Reed inteira, está?"
Connor se recostou, com uma expressão indecifrável. "Então vá procurar uma super-heroína que consiga explodir a Mansão dos Reed."
A resposta deixou Samuel encarando o patrão num silêncio atordoado.
De repente, o toque agudo do celular novo de Connor ecoou pela sala, e um dos subordinados, que tinha acabado de concluir a inspeção, atendeu sem querer.
Pelo alto-falante, a voz suave e cuidadosa de Nicole surgiu: "Senhor Reed, já terminou o trabalho por hoje? O jantar está pronto. Quer que eu vá buscar o senhor?"