8 Capítulo
Capítulo 10 Projeto Xynergy

/ 1

O silêncio tomou conta da sala de repente, com a curiosidade e um alívio discreto estampados no rosto de cada um só de pensar no casamento de Connor. Embora as fofocas estivessem fervilhando por baixo dos panos, havia uma satisfação inconfundível em saber que seu chefe distante não estava mais sozinho.
Ouvindo as palavras de Nicole do outro lado da linha, Connor respondeu calmamente: "Não precisa. Eu volto mais tarde."
"Então te encontro na entrada", respondeu Nicole.
"Tudo bem", disse ele, simples e direto.
Assim que a ligação encerrou, o silêncio na sala ficou ainda mais pesado, em vez de diminuir.
Uma ruga leve surgiu entre as sobrancelhas de Connor, mas ele não fez o menor esforço para amenizar o climão constrangedor. Guardou o celular em Braille no bolso, virou as costas e saiu sem dizer mais nada.
Samuel pegou suas coisas e foi atrás de Connor, mas acabou ouvindo a risada de um colega logo atrás. "A senhora Perry parece ser gente boa demais. Samuel, por que você a rebaixou a uma pessoa comum?"
Com um olhar de soslaio afiado o suficiente para cortar, Samuel respondeu: "Cale a boca."
...
Em questão de dias, a casa, que parecia abandonada há tempos, perdeu o silêncio vazio e ganhou vida nova, como se alguém finalmente tivesse trazido calor para as paredes.
Cada superfície brilhava, os móveis novos suavizavam o espaço e, sob o brilho suave das luzes, Nicole andava de um cômodo para o outro, transformando a casa em algo que parecia inconfundivelmente um lar.
No jantar, ela revisou calmamente as despesas recentes, com um tom ponderado e eficiente, apresentando apenas o que importava e deixando de lado qualquer detalhe desnecessário.
Após ouvir o relatório dela, Connor respondeu calmamente: "Não precisa me dar satisfação de cada centavo. Use o dinheiro como achar melhor."
Os anos recentes de aperto moldaram os hábitos de Nicole, especialmente depois que a morte repentina da mãe a deixou abatida e cautelosa, então a confiança de Connor a envolveu como um abraço inesperado.
"Obrigada", ela disse suavemente.
Connor não respondeu e, assim que o jantar acabou, foi direto para o banheiro.
Ao entrar, ele parou, levemente surpreso com o espaço reformado - garrafas coloridas enfeitavam a bancada, o ar estava levemente perfumado e todas as toalhas foram trocadas por um tom inconfundível de rosa.
Um suspiro silencioso escapou dele enquanto seus olhos se fechavam, com a resignação estampada no seu rosto. Pelo visto, Nicole podia ser tímida a ponto de ceder às vezes, mas tinha ousadia e era totalmente imprudente quando não devia.
Sem outra alternativa, ele saiu do chuveiro enrolado numa toalha rosa macia, apenas para descobrir que ela já havia deixado um roupão separado e se aproximado para ajudá-lo a se vestir.
Por razões que ele não conseguia explicar, não impediu as mãos dela nem recusou sua atenção discreta.
Nicole achava que os anos de deficiência teriam deixado o corpo dele debilitado, mas a figura exposta sob a toalha solta contava outra história - músculos sólidos definiam o peitoral, e os ombros pareciam largos e poderosos de um jeito que as roupas nunca mostravam.
Apesar de nunca ter ligado muito para homens, ela sentiu um frio na barriga. Esse desconforto só piorou quando o olhar dela a traiu, captando o contorno inconfundível na região da virilha dele, vívido o suficiente para deixar a imaginação voar longe.
Um arrepio percorreu a espinha de Nicole ao pensar que era bom ele ser supostamente impotente, pois, caso contrário, ela desconfiava que não teria sobrevivido à noite de núpcias sem desmaiar de exaustão.
Totalmente alheio ao rumo que os pensamentos dela tinham tomado, Connor mudou de assunto com naturalidade: "Mês que vem vamos visitar minha família. Esteja preparada."
As mãos dela pararam no meio do movimento antes de ela se endireitar e responder com uma seriedade inesperada: "Pode deixar. Não precisa se preocupar, vou garantir que ninguém encoste em você."
Connor ficou em silêncio.
Nesse momento, o celular de Nicole vibrou e, quando ela viu o nome de Erika na tela, o leve calor no seu rosto desapareceu, substituído por um olhar cauteloso e sério.
O tom de Erika era alegre e doce. "Nicole, você não se esqueceu do meu aniversário, não é? Vou dar uma festa na semana que vem, você tem que ir."
A menção casual da comemoração de aniversário trouxe à tona lembranças antigas, e Nicole sentiu a dor familiar da humilhação do passado apertar seu peito.
Ciente de onde ferir Nicole, Erika sempre usava esses encontros para se exibir, transformando a prima em diversão garantida para a plateia.
Como tinha esperado muito tempo por uma chance de dar o troco, Nicole não hesitou quando o convite chegou.
Ela ergueu o queixo e respondeu com firmeza: "Claro. Eu vou."
A voz de um homem ecoou fraca do outro lado da linha, baixa e impaciente ao fundo, o que fez Erika soltar uma risada afetada: "Tenho que desligar, Jerald está chamando de novo. Ele anda insaciável ultimamente, sem limites só porque é jovem."
Sem dizer uma palavra, Nicole encerrou a ligação, apertando os dedos enquanto a tela escurecia.
Connor percebeu cada reação de Nicole e soltou uma risada suave e cheia de escárnio. "Uma resposta tão forte assim? Qual é o problema? Você e o namorado dela têm algum passado?"