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Capítulo 3 Proposta indecente

Yan

A cidade pulsa abaixo de mim como algo vivo.

Luzes acesas em milhares de janelas que escondem versões editadas da verdade. Pessoas fingindo controle, fingindo estabilidade, fingindo que não estão a um erro de distância de perder tudo.

Eu não finjo.

Eu construo.

E controlo.

Ou pelo menos... sempre controlei.

A taça de uísque permanece intacta na minha mão. Não bebo. Não hoje. Preciso da mente limpa, porque há algo acontecendo que não encaixa no padrão - e tudo o que não encaixa exige precisão.

Ela.

Carolina.

O nome ecoa de novo, irritantemente presente.

Não pelo som.

Pelo efeito.

Encosto o copo no aparador de vidro sem fazer barulho. O escritório inteiro está mergulhado em uma luz baixa, elegante, calculada para não distrair. Tudo ali foi pensado para eficiência. Nada é excessivo.

Diferente dela.

Ela é excesso disfarçado de controle.

E isso... me interessa mais do que deveria.

Olho o relógio.

Pontualidade sempre foi um filtro eficiente.

Quem chega antes, quer demais.

Quem chega atrasado, testa limites.

Ela chega no segundo exato.

Nem um antes.

Nem um depois.

Claro.

Solto um ar lento pelo nariz quando a porta se abre sem hesitação. Não há anúncio, não há recepção, não há necessidade.

Ela entra como se já conhecesse o espaço.

Como se já tivesse estado ali antes.

Como se não estivesse pisando em território meu.

Isso é novo.

E eu não gosto de novidade quando ela vem carregada de imprevisibilidade.

Mas não tiro os olhos dela.

Nem por um segundo.

O salto dela não faz barulho no chão - ou talvez eu esteja atento demais ao resto. O vestido é simples, o suficiente para não competir com a presença. E ainda assim... tudo nela chama atenção.

Não pelo óbvio.

Pelo controle.

Ela para a alguns passos da mesa.

Não senta.

Não pergunta.

Só me olha.

Direto.

Sem filtro.

- Você sempre recebe assim... - ela diz, a voz baixa, arrastando leve ironia - ou eu ganhei tratamento especial?

Cruzo os braços lentamente.

- Eu adapto o ambiente à pessoa.

Ela inclina a cabeça.

Analisa.

Como se estivesse desmontando cada camada do que eu disse.

- E eu... exijo adaptação?

Dou um passo à frente.

Não para diminuir a distância.

Para medir a reação.

Ela não recua.

Claro que não.

- Você exige... definição.

Os olhos dela brilham por um segundo.

Rápido.

Perigoso.

- Então define.

Direta.

Sem rodeios.

Eu gosto disso.

Mas também sei o que isso significa.

Ela não está aqui por curiosidade.

Está aqui por escolha.

E escolha... tem consequência.

Passo pela lateral da mesa e paro mais próximo agora. O espaço entre nós é calculado. Próximo o suficiente para ser sentido.

Distante o suficiente para ainda ser controlado.

- Eu não trabalho com ambiguidades, Carolina.

Digo o nome dela devagar.

Testando.

Observando.

A respiração dela muda.

Quase nada.

Mas eu vejo.

- Eu percebi - ela responde, seca. - Você prefere transformar tudo em algo... mensurável.

- Mensurável é previsível.

- E previsível é seguro?

Inclino levemente o rosto.

- Seguro é eficiente.

Ela solta um riso baixo.

Sem humor.

- Parece entediante.

Dou mais meio passo.

Agora estamos próximos o suficiente para sentir o calor da pele.

- Entediante é não saber o que esperar.

O olhar dela desce por um segundo.

Minha boca.

Volta.

Erro.

Ou escolha.

Ainda não sei.

- E você acha que pode prever tudo?

- Eu reduzo margem de erro.

Silêncio.

O tipo de silêncio que não é ausência de som.

É excesso de intenção.

Ela cruza os braços lentamente.

Mas não como defesa.

Como desafio.

- Então reduz.

A provocação vem limpa.

Sem disfarce.

Ela está pedindo.

Mas não do jeito que parece.

Eu reconheço isso.

E é exatamente por isso que a resposta precisa ser precisa.

- Eu quero um acordo.

Os olhos dela não piscam.

Não há surpresa.

Só... foco.

- Que tipo de acordo?

- Direto.

Claro.

- Você e eu. Por tempo determinado.

A pausa que vem depois não é dúvida.

É processamento.

Ela não reage como a maioria reagiria.

Não há choque.

Não há recuo imediato.

Há... silêncio.

E isso me diz mais do que qualquer palavra.

- Continue - ela diz.

A voz mais baixa agora.

Mais densa.

Eu sustento o olhar.

- Exclusividade.

- Controle de agenda.

- Presença quando eu determinar.

Cada palavra cai no espaço entre nós como algo físico.

Pesado.

Real.

Ela não desvia.

Mas a respiração muda.

Mais profunda.

Mais lenta.

- E em troca?

Claro.

Sempre existe essa pergunta.

Eu me aproximo mais um passo.

Agora não há espaço neutro.

Só tensão.

- Você recebe tudo o que precisar.

Ela arqueia a sobrancelha.

- Dinheiro?

- Não só.

Inclino levemente a cabeça.

- Conforto. Segurança. Acesso.

O olhar dela endurece por um segundo.

Ali.

Um ponto.

Interessante.

- Você acha que isso compra alguém?

A pergunta não vem indignada.

Vem... afiada.

Como uma lâmina.

Eu não recuo.

- Compra disponibilidade.

Ela solta o ar devagar.

Um sorriso sem humor toca o canto da boca.

- E você acha que eu estou disponível?

- Você está aqui.

Direto.

Sem suavizar.

O silêncio que se segue... muda.

Agora não é só tensão.

É confronto.

Ela dá um passo à frente.

Invade o espaço.

O corpo dela próximo o suficiente para que eu sinta o perfume - leve, quente, perigoso.

- E se eu disser que não estou à venda?

A voz baixa.

Próxima.

Quase um desafio contra a pele.

Meu maxilar tensiona.

Levemente.

Mas eu não desvio.

- Todo mundo tem um preço.

Erro.

Eu vejo no instante em que digo.

Porque algo no olhar dela... muda.

Não quebra.

Mas endurece.

Como se eu tivesse tocado em algo que não deveria.

E ainda assim-

Ela não se afasta.

Pelo contrário.

Fica mais perto.

- Você não sabe nada sobre mim.

As palavras são calmas.

Mas carregadas.

- Eu sei o suficiente.

- Não sabe.

Um segundo.

Mais um.

O ar entre nós pesa.

Mas não afasta.

Atrai.

Ela inclina o rosto levemente.

Mais perto.

Mais perigoso.

- E se eu aceitar...

A pausa é mínima.

Mas intencional.

- Não vai ser pelo seu dinheiro.

O impacto da frase é silencioso.

Mas real.

Algo desloca.

Dentro de mim.

Pequeno.

Mas suficiente.

- Então por quê?

A pergunta sai mais baixa do que eu esperava.

Ela sustenta o olhar.

E dessa vez...

Não há ironia.

Não há jogo.

Só verdade.

- Porque eu quero você.

Simples.

Direto.

Perigoso.

E completamente errado dentro da lógica que eu conheço.

Meu corpo reage antes da minha mente.

Calor.

Tensão.

Algo mais bruto.

Eu dou meio passo à frente.

Fechando o espaço.

Agora não há distância.

Só um limite invisível que ainda não foi cruzado.

- Desejo não sustenta acordo.

- Sustenta mais do que interesse.

A resposta vem imediata.

Sem hesitação.

Ela está dentro disso.

E isso...

Complica.

Muito.

Inclino o rosto, próximo o suficiente para que nossas respirações se misturem.

- Desejo passa.

Ela não recua.

Não um milímetro.

- Então aproveita enquanto não passa.

Silêncio.

Denso.

Perigoso.

Errado.

Eu deveria encerrar aqui.

Redefinir.

Reestruturar.

Mas não faço.

Porque pela primeira vez em muito tempo...

Eu não quero eficiência.

Eu quero...

Ela.

Seguro o queixo dela com dois dedos.

Leve.

Sem força.

Mas firme o suficiente para impedir fuga.

Ela não tenta sair.

Claro que não.

Os olhos dela descem para minha boca.

Voltam.

- Você não faz ideia do que está aceitando - eu digo, baixo.

- E você não faz ideia do que está oferecendo.

O ar entre nós vibra.

Carregado.

Instável.

Eu solto o queixo dela devagar.

Não por controle.

Mas porque se eu não fizer...

Eu cruzo um limite que ainda não deveria existir.

Ainda não.

Dou um passo para trás.

Recomponho.

- Eu envio os termos.

Frio.

Estruturado.

Seguro.

Mas por dentro-

Nada está no lugar.

Ela me observa.

Longo.

Profundo.

Como se estivesse vendo além da superfície que eu reconstruí em segundos.

- Eu aceito.

A resposta vem antes mesmo de eu terminar de me afastar.

Rápida demais.

Certa demais.

Errada demais.

- Sem ler?

Ela dá um pequeno sorriso.

Dessa vez... verdadeiro.

Mas perigoso.

- Eu já sei qual é o risco.

Inclino a cabeça.

- E aceita mesmo assim?

Ela sustenta.

Até o fim.

- Eu não tenho medo de você.

Mentira.

Eu vejo.

Mas não corrijo.

Porque, pela primeira vez...

Eu também não tenho certeza se deveria.

Ela vira.

Sem pressa.

Sem hesitação.

E caminha até a porta como se não tivesse acabado de atravessar uma linha que não tem volta.

Quando a porta se fecha-

O silêncio no escritório muda.

Não é mais controle.

É tensão acumulada.

Viva.

Ativa.

Perigosa.

Olho para o lugar onde ela estava segundos atrás.

E a verdade se instala, clara e incômoda:

Isso não é um acordo.

É um erro.

E eu acabei de escolher cometer.

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