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A Esposa Que Ele Descartou, Reconstruída
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Capítulo 8

Ponto de Vista de Amanda:

Eu não esperava que Bruno e Enzo voltassem. Não depois daquele confronto brutal. Pensei que o desprezo deles os manteria afastados. Eu estava errada.

Na manhã seguinte, Enzo apareceu no meu quarto de hospital, segurando uma garrafa térmica colorida. Seu pequeno corpo estava rígido, seu olhar percorrendo o quarto, evitando meus olhos. Ele parecia desconfortável, quase culpado.

"Mãe?", ele sussurrou, a palavra uma pergunta hesitante, um eco fraco do passado.

Meu coração, a pedra fria no meu peito, não se moveu. Eu simplesmente o observei, uma observadora desapegada. Este era meu filho, nascido da minha carne, amado com cada fibra do meu ser. O menino pelo qual eu suportei o inferno. Agora, ele era um estranho, uma arma no arsenal de Carla.

Notei o leve tremor em suas mãos, o tique nervoso de seus lábios. Ele estava em conflito. Uma parte dele, talvez, ainda se lembrava. Ainda ansiava pela mãe que havia perdido. Permiti-me um pensamento fugaz e perigoso: talvez ainda haja uma faísca.

Ele colocou a garrafa térmica na mesa de cabeceira, atrapalhando-se com o fecho. Um aroma rico e doce, vagamente familiar, emanava do recipiente. Era gelatina de amêndoas, minha especialidade. A que ele amava.

Ele pegou uma colherada, sua mão tremendo levemente, e a estendeu para mim. "A Carla fez para você", ele murmurou, seus olhos arregalados e incertos. "Ela disse que você precisa de força."

Olhei para a sobremesa pálida e trêmula, depois para o rosto ansioso de Enzo. Minha mente, agora uma máquina analítica finamente ajustada, processou a cena. Carla. Gelatina de amêndoas. O nervosismo de Enzo. A mudança súbita em seu comportamento. Fez sentido. Um teste. Uma armadilha.

No entanto, um pequeno, quase imperceptível lampejo do meu antigo eu, a mãe, se agitou. Ele ainda era meu filho. Meu sangue. Peguei a colher da mão dele. Esta seria a última vez que eu me permitiria confiar. A última vez.

Engoli a gelatina. Era doce, enjoativa. E então, uma onda de tontura me atingiu, fazendo o quarto girar. Meu corpo balançou, minha mão agarrando a garrafa térmica, quase a deixando cair. Isso não era apenas gelatina. Estava drogada.

Uma risada amarga e zombeteira ficou presa na minha garganta. Claro. Outra traição. Do meu filho. O corte final.

Mas meu corpo, endurecido por anos sobrevivendo aos experimentos químicos e interrogatórios de Caim, reagiu de forma diferente. O sedativo era potente, mas não o suficiente para me incapacitar completamente. Minha mente permaneceu afiada, alerta, observando tudo através de um véu nebuloso.

A voz de Enzo, embargada de lágrimas, chegou até mim através da névoa. Era uma estranha mistura de ressentimento infantil e medo genuíno. "Por que você voltou? Você estragou tudo! O papai e a mamãe Carla estavam felizes! Eu estava feliz!" Ele parecia genuinamente angustiado. "Eu não te quero aqui. Eu quero que a Carla seja minha mãe. Você só deixa o papai triste. Você não pode tirá-lo dela!"

Meu coração, a pedra dormente, permaneceu imóvel. Ele era uma criança, manipulada e envenenada. Um peão.

Então, um toque frio e metálico na minha bochecha. Abri os olhos, lutando para focar. Era uma faca. Uma lâmina pequena e brilhante.

Meu coração não se apertou. Ele simplesmente... afundou. Mais fundo no abismo da insensibilidade.

Uma dor lancinante, aguda e imediata. Uma fina linha de sangue brotou, traçando um caminho pela minha maçã do rosto. Enzo. Ele tinha feito isso. Meu filho. Ele me cortou.

Ele olhou para a faca em sua mão, depois para o sangue no meu rosto, seu próprio rosto contorcido de horror. Seus olhos se arregalaram, seu pequeno corpo tremendo. Ele deixou a faca cair com um barulho e saiu correndo, uma pequena e aterrorizada sombra fugindo do quarto.

Um momento depois, Bruno apareceu. Ele parou ao lado da minha cama, seu olhar fixo no meu rosto, na ferida recente. Ele não falou. Apenas observou.

"Ele não terminou o serviço, não é?", Bruno murmurou, sua voz baixa, quase um sussurro, mas carregada de um tom arrepiante. "Mole demais. Assim como a mãe dele." Ele estendeu a mão, seus dedos roçando o corte. Eu recuei, mas ele me segurou firme. "Eu vou terminar por ele. Para garantir que você não se esqueça do que acontece quando tenta mexer com a minha família."

Ele pegou a faca. O mundo ficou turvo. Dor. Tanta dor. Então, a escuridão me consumiu.

Acordei com um suspiro, meu corpo doendo, meu rosto latejando. O cheiro de antisséptico havia sumido, substituído pelo cheiro familiar de madeira cara e linho fresco. Eu estava na casa de Bruno. Minha casa. Em um quarto de hóspedes. Ele me trouxe de volta. Uma ironia cruel.

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