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A Esposa Que Ele Descartou, Reconstruída
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Capítulo 9

Ponto de Vista de Amanda:

Uma risada amarga escapou dos meus lábios. De volta à casa de Bruno. Minha casa. O simples pensamento era uma zombaria. Ele não me trouxe de volta por bondade. Ele me trouxe aqui para me manter sob seu controle, para garantir que eu não pudesse me curar, não pudesse desaparecer, não pudesse me tornar um problema para sua nova vida perfeita. Ele queria controlar meu sofrimento.

E de uma forma distorcida, sua atitude havia se suavizado um pouco. Ocasionalmente, ele perguntava aos funcionários da casa se eu tinha comido, se precisava de algo. Ele até, a contragosto, me permitiu um quarto, um pequeno e inutilizado quarto de hóspedes no final do corredor. "Você pode ficar aqui", ele dissera, sua voz fria, "desde que entenda o seu lugar. Não interfira. Não crie problemas. E nunca, jamais, pense que ainda é minha esposa." Suas palavras eram uma jaula, dourada, mas ainda assim uma jaula.

Mas então, Enzo começou a aparecer. Após sua fuga inicial aterrorizada, ele se tornou uma sombra furtiva. Eu o via espiando pelos cantos, seus olhos arregalados e curiosos. No jantar, ele me observava sutilmente do outro lado da mesa, sua pequena testa franzida em pensamento. Ele se lembrava. O incidente da gelatina de amêndoas, o corte no meu rosto, devem tê-lo marcado mais do que a mim.

Sua curiosidade era uma coisa perigosa, uma rachadura na parede que Carla havia construído ao redor dele. Uma tarde, ele se aproximou de mim no jardim, sua voz hesitante. "Mãe... quer dizer, Amanda... você pode fazer aqueles muffins de limão com semente de papoula? Aqueles com o açúcar crocante por cima?" Seus olhos estavam cheios de um desejo cru e infantil. Os muffins que eu costumava fazer para ele todos os domingos.

Meu coração, ainda uma pedra fria e inerte, não derreteu. Mas minha mente registrou o pedido. Meu lado analítico reconheceu isso como uma vulnerabilidade potencial, uma chance de observar por dentro. Eu fiz os muffins. Sem emoção. Minhas mãos se moveram com facilidade praticada, misturando, mexendo, despejando. Ele os devorou, seu rosto manchado de açúcar, uma alegria fraca, quase esquecida, em seus olhos.

Mas a alegria é passageira. E Carla estava sempre observando.

Alguns dias depois, eu a vi, seu rosto contorcido de fúria fria, olhando para o tablet de Enzo. Ele estava pesquisando por "creme para remoção de cicatriz na testa". Seus olhos, quando encontraram os meus, estavam cheios de uma raiva arrepiante e possessiva. Ela não suportava. Qualquer rachadura em sua fachada cuidadosamente construída. Qualquer indício de que Enzo ainda pudesse se lembrar de mim, ainda pudesse se importar. Ela não permitiria. Seu controle era absoluto.

Na manhã seguinte, depois que Enzo comeu meus muffins novamente, a casa mergulhou no caos. Gritos. Sirenes. Enzo, meu filho, foi levado às pressas para a emergência, violentamente alérgico, lutando para respirar, seu pequeno corpo abalado por convulsões.

Bruno voltou do hospital como um homem possuído. Seus olhos estavam selvagens, seu rosto uma máscara de fúria primal. Ele agarrou meu braço, seus dedos cravando na minha carne, a dor explodindo através das minhas feridas ainda em cicatrização. "Sua monstra!", ele rugiu, sua voz grossa de ódio puro. "Sua vadia venenosa! Como pôde?! Com seu próprio filho! Você não merece ser mãe!"

Eu fiquei ali, meu rosto enfaixado, meus olhos calmos, vazios. Encontrei seu olhar furioso sem vacilar. Suas acusações não tinham sentido. Sua raiva, um zumbido distante.

Carla surgiu atrás dele, seus olhos vermelhos, agarrada ao seu braço. "Bruno, querido, acalme-se", ela soluçou, sua voz trêmula. "Talvez tenha sido um acidente? Mas o Enzo... ele disse que ela lhe deu os muffins. Oh, Amanda, como você pôde?" Ela olhou para mim, seus olhos cheios de uma angústia fabricada que não escondia completamente o brilho do triunfo.

"Ele disse isso?" A voz de Bruno era assustadoramente quieta. "Enzo disse que você fez isso?"

Eu pisquei lentamente, meu olhar inflexível. "Chame a polícia, Bruno", eu disse, minha voz plana, firme. "Se você acredita que eu envenenei nosso filho, então faça isso. Deixe a lei decidir."

Seu rosto empalideceu, depois ficou vermelho. Ele sabia. Ele não podia chamar a polícia. Ele não podia expor Carla. Ele não podia expor sua própria cegueira. Seus punhos se fecharam, tremendo de raiva impotente. "Sua vadia!", ele rosnou, sua voz um grunhido cru.

Carla, sempre oportunista, deu um passo à frente. "Bruno, querido, ela está claramente instável. Ela precisa de ajuda. Ajuda profissional. Conheço uma clínica particular. Eles se especializam em... casos difíceis. Neurorreabilitação. Será para o bem dela. E para a segurança de Enzo."

Bruno hesitou, seus olhos demorando no meu rosto enfaixado, no vazio frio dos meus olhos. Então, ele assentiu. "Faça isso, Carla. Tire-a daqui. Não me importo para onde ela vá, apenas certifique-se de que ela nunca mais chegue perto de Enzo."

Eu os observei, minha mente analítica já trabalhando. Neurorreabilitação? Clínica particular? Parecia sinistro. Mas também era uma oportunidade. Uma fuga.

Horas depois, fui colocada em uma van preta, minhas mãos e pés amarrados. A viagem foi longa, serpenteando por estradas desertas, cada vez mais longe das luzes da cidade. Paramos em frente a uma fábrica abandonada e em ruínas no meio do nada. O ar estava impregnado com o fedor de produtos químicos e decomposição. Não era um hospital. Não era uma clínica.

A porta foi aberta com um chute. Uma figura emergiu das sombras. Seu rosto era um mosaico de cicatrizes grotescas, seus olhos brilhando com uma loucura familiar e arrepiante.

Minha respiração ficou presa. O mundo inclinou novamente. Caim.

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