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O Contrato do Bilionário: Grávida do Meu Inimigo
img img O Contrato do Bilionário: Grávida do Meu Inimigo img Capítulo 3 Muralhas de Vidro
3 Capítulo
Capítulo 10 O Limiar do Desejo img
Capítulo 11 Ressaca de Sentimentos img
Capítulo 12 O Gosto Do Destino img
Capítulo 13 O Peso da Incerteza img
Capítulo 14 O Cerco se Fecha img
Capítulo 15 Promessas na Madrugada img
Capítulo 16 O Brilho da Mentir img
Capítulo 17 O Veneno na Taça img
Capítulo 18 O Sim Sob Pressão img
Capítulo 19 Máscaras Caídas img
Capítulo 20 Sombras na Lua de Mel img
Capítulo 21 O Outono em Paris img
Capítulo 22 O Rastro da Traição img
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Capítulo 3 Muralhas de Vidro

Acordar na mansão Volkov foi como despertar em um mundo de ficção científica, onde o calor humano havia sido banido. O quarto onde eu passara minha primeira noite era vasto, com janelas que iam do chão ao teto, revelando uma vista privilegiada da cidade que ainda parecia dormir sob a neblina cinzenta da manhã. Não havia o cheiro de café fresco que vinha da cozinha da minha vizinhança, nem o aroma terroso e reconfortante das minhas flores. Ali, tudo cheirava a produtos de limpeza caros, mármore frio e ao vazio de uma casa que nunca conheceu o que era um lar.

​Levantei-me daquela cama imensa, cujos lençóis de cetim pareciam escorregar pela minha pele como as promessas vazias de Alexandre. Caminhei descalça pelo tapete felpudo até o closet, que era maior do que toda a minha antiga sala de estar. Estava lotado. Alexandre não tinha mentido quando disse que tudo seria providenciado. Havia vestidos de seda, conjuntos de alfaiataria de grifes que eu só conhecia por revistas e sapatos que custavam mais do que meu carro velho e barulhento.

​Escolhi algo sóbrio, um vestido azul-marinho de corte impecável, tentando ignorar o fato de que cada peça ali era uma lembrança constante de que eu era agora parte de um acordo comercial. Eu não era Helena Ferreira, a florista; eu era a noiva contratada de um império.

​Desci as escadarias monumentais em silêncio, esperando encontrar a casa vazia, mas Alexandre estava lá. Ele ocupava a cabeceira da mesa de jantar de doze lugares, concentrado em um tablet enquanto tomava um café preto que parecia tão amargo quanto o seu temperamento. Ele nem sequer levantou os olhos quando meus saltos ecoaram no chão de pedra.

​- Sente-se, Helena. O café está servido - disse ele, a voz grave e fria cortando o silêncio como uma navalha.

​- Bom dia para você também - respondi, sentando-me o mais longe possível dele, na outra extremidade da mesa.

​Ele finalmente desviou o olhar do aparelho e me encarou. Seus olhos cinzas, da cor de um céu de tempestade, percorreram meu rosto com uma precisão cirúrgica, como se estivesse procurando por falhas na mercadoria que acabara de adquirir.

​- Hoje teremos o nosso primeiro compromisso oficial. Um almoço com o conselho administrativo da Volkov Corp - anunciou ele, ignorando meu sarcasmo. - Eles precisam ver que o noivado é real e que você é... apresentável.

​A palavra "apresentável" atingiu meu peito como um tapa. Senti o sangue subir às bochechas e o guardanapo de linho sob a mesa ser esmagado pelos meus dedos.

​- "Apresentável"? - repeti, a voz carregada de veneno. - Eu não sou um troféu que você limpa e coloca na estante para impressionar seus sócios, Alexandre. Sou uma pessoa, embora você pareça ter esquecido o significado dessa palavra.

​Ele deixou o tablet de lado e se inclinou para frente, apoiando os cotovelos na mesa. A intensidade do seu olhar era quase física, uma pressão que me fazia querer recuar, mas eu me forcei a continuar encarando-o.

​- Para o mundo lá fora, você é exatamente o que eu disser que você é - ele afirmou com uma arrogância absoluta. - Use o vestido que deixei separado com a etiqueta dourada. E, por favor, tente esconder esse olhar de desprezo genuíno. Sorria. Finja que está perdidamente apaixonada pelo homem que salvou sua vida e a loja de flores baratas do seu pai, mesmo que saibamos que a verdade é o oposto.

​- Você é um monstro - sussurrei, a garganta apertada.

​- Um monstro que paga suas dívidas e garante que você não durma na rua, Helena. Não se esqueça disso antes de abrir a boca naquele almoço.

​Ele se levantou com uma elegância irritante, ajeitou o paletó e saiu sem olhar para trás, deixando-me sozinha com uma mesa cheia de comida que eu não conseguia tocar. Eu tinha o dinheiro, as roupas e o título de futura Sra. Volkov, mas nunca me senti tão pobre e pequena em toda a minha vida. As muralhas de vidro daquela mansão estavam começando a se fechar ao meu redor, e eu temia que, antes do ano acabar, não sobrasse nada da verdadeira Helena.

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