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O Contrato do Bilionário: Grávida do Meu Inimigo
img img O Contrato do Bilionário: Grávida do Meu Inimigo img Capítulo 9 O Gelo que Queima
9 Capítulo
Capítulo 10 O Limiar do Desejo img
Capítulo 11 Ressaca de Sentimentos img
Capítulo 12 O Gosto Do Destino img
Capítulo 13 O Peso da Incerteza img
Capítulo 14 O Cerco se Fecha img
Capítulo 15 Promessas na Madrugada img
Capítulo 16 O Brilho da Mentir img
Capítulo 17 O Veneno na Taça img
Capítulo 18 O Sim Sob Pressão img
Capítulo 19 Máscaras Caídas img
Capítulo 20 Sombras na Lua de Mel img
Capítulo 21 O Outono em Paris img
Capítulo 22 O Rastro da Traição img
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Capítulo 9 O Gelo que Queima

O trajeto de volta para a mansão foi mergulhado em um silêncio carregado, mas não era o mesmo silêncio frio de antes. Havia uma eletricidade residual entre nós, um eco da dança e das palavras trocadas sob os holofotes. Alexandre mantinha o olhar fixo na janela da limusine, observando as luzes de Nova York passarem como borrões dourados, mas sua mão, que ainda descansava no banco entre nós, parecia irradiar um calor que eu sentia a centímetros de distância.

​Eu ainda conseguia sentir a pressão dos dedos dele na minha cintura e o modo como o seu corpo se movia em sincronia com o meu. Naquela noite, diante daquelas pessoas e da venenosa Victoria, nós não fomos apenas um contrato. Fomos uma equipe. E essa percepção era mais aterrorizante do que qualquer ameaça que Victoria pudesse fazer.

​Quando o carro finalmente parou na entrada da mansão, Alexandre saiu sem esperar que o motorista abrisse a porta e caminhou em direção ao hall de entrada com passos largos. Eu o segui, sentindo o peso do vestido de seda e a exaustão física do dia. Assim que as grandes portas duplas se fecharam atrás de nós, o isolamento acústico da mansão nos envolveu.

​- Você não precisava ter dito aquelas coisas para o Sr. Higgins - Alexandre disse subitamente, parando no meio do hall sem se virar para mim. - Você se expôs mais do que o necessário.

​- Eu disse a verdade - respondi, parando a poucos degraus da escadaria. - Se você queria uma noiva de mentira que ficasse calada enquanto era humilhada, contratou a pessoa errada. Eu não deixo que ninguém me pise, nem mesmo seus amigos bilionários.

​Ele se virou devagar. Seus olhos cinzas estavam escuros, quase pretos sob a luz suave do lustre de cristal.

- Victoria não é minha amiga. E o mundo onde você acabou de entrar não se importa com a sua "verdade", Helena. Eles se importam com a sua fraqueza. E hoje, ao mostrar que ela pode te atingir, você deu a ela o combustível que ela precisava.

​- Ela não me atingiu! - rebati, dando um passo à frente, a voz subindo de tom. - O que me atinge é o seu desprezo. O que me atinge é o fato de você me tratar como uma ferramenta de negócios e depois agir como se eu devesse te agradecer por isso. Eu salvei sua pele naquele salão!

​- Você acha que eu não sei disso? - Alexandre rugiu, aproximando-se com uma velocidade que me fez recuar até minhas costas baterem no corrimão da escada. Ele parou a centímetros de mim, as mãos apoiadas na madeira dos dois lados do meu corpo, me cercando. - Você acha que eu não percebi como todos os homens naquela sala olhavam para você? Você acha que eu não senti como você tremia nos meus braços enquanto dançávamos?

​A respiração dele estava curta e quente contra o meu rosto. O perfume de sândalo e couro, agora misturado com o cheiro metálico da noite, estava me deixando tonta. Eu conseguia ver o latejar da veia no pescoço dele, a tensão absoluta que o dominava.

​- Você disse que eu era sua propriedade - sussurrei, sentindo meu coração martelar contra as costelas. - Propriedades não tremem.

​- Você sabe muito bem que não é apenas uma propriedade - ele disse, a voz descendo para um tom rouco e perigoso. - Esse é o problema, Helena. Você é uma complicação que eu não previ. Você é o caos que eu tentei manter longe da minha vida organizada.

​O silêncio que se seguiu foi tão denso que eu podia ouvir os batimentos cardíacos de ambos se fundindo. Alexandre baixou o olhar para os meus lábios e, por um segundo eterno, eu tive certeza de que ele ia quebrar a última regra do nosso contrato. Eu queria que ele quebrasse. Eu odiava o quanto eu queria.

​A mão dele subiu, os dedos roçando suavemente o meu pescoço antes de se enterrarem no meu cabelo, puxando minha cabeça levemente para trás. O contato fez um choque percorrer minha espinha.

- Eu deveria te mandar de volta para aquela floricultura agora mesmo - ele murmurou, o rosto se aproximando do meu. - Antes que você destrua tudo o que eu construí.

​- Então mande - desafiei, minha voz mal passando de um sopro.

​Em vez de responder, Alexandre fechou os olhos e encostou a testa na minha. Era um gesto de derrota, de alguém que estava lutando contra os próprios instintos. Ficamos assim por o que pareceu uma eternidade, suspensos entre o ódio que nos uniu e a atração que ameaçava nos consumir.

​Subitamente, ele se afastou, soltando-me como se tivesse se queimado.

- Vá para o seu quarto, Helena. Amanhã cedo temos uma reunião com os advogados para tratar da transferência da escritura da loja. Não se atrase.

​Ele deu as costas e caminhou em direção ao escritório, sem olhar para trás. Eu fiquei ali, segurando o corrimão para minhas pernas não falharem. Eu tinha vencido a batalha com Victoria, mas sentia que estava perdendo a guerra contra meus próprios sentimentos.

​Subi as escadas me sentindo mais sozinha do que nunca. Eu sabia que o contrato de 80 capítulos estava apenas no início, mas a cada página escrita, as linhas entre a mentira e a realidade estavam se tornando perigosamente borradas. E eu temia que, quando chegássemos ao fim, não sobrasse nada da Helena que entrou naquela mansão apenas para salvar algumas flores.

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