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Ele Não É Meu Pai! O Herdeiro Protegido Pela Máfia.
img img Ele Não É Meu Pai! O Herdeiro Protegido Pela Máfia. img Capítulo 2 ANTES DO CHÃO ABRIR
2 Capítulo
Capítulo 9 QUANDO O AMOR NÃO SABE SE FICA img
Capítulo 10 QUANDO O MEDO ACORDA ANTES DE MIM img
Capítulo 11 QUANDO O DIABO VOLTA AO MORRO img
Capítulo 12 QUANDO O SANGUE RESPIRA img
Capítulo 13 ANTES DO PRIMEIRO ENCONTRO img
Capítulo 14 ANTES DO PRIMEIRO TOQUE img
Capítulo 15 O QUE EU NÃO POSSO QUEBRAR img
Capítulo 16 O SILÊNCIO QUE ANDA ARMADO img
Capítulo 17 O ERRO DE CONTAR A VERDADE img
Capítulo 18 RESPIRAR DE NOVO img
Capítulo 19 ONDE ESTÁ DANUZA img
Capítulo 20 ENTRE O NOME E O FÔLEGO img
Capítulo 21 A SENHORA DA PADARIA img
Capítulo 22 O QUE EU MOVI SEM CONTAR img
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Capítulo 2 ANTES DO CHÃO ABRIR

MARLON

- Ela chega em quarenta minutos.

Digo isso sem olhar para Darlan. Estou de pé, perto da mesa de reuniões, conferindo a agenda no tablet pela terceira vez, como se os horários pudessem justificar alguma coisa.

Darlan para de digitar.

Não pergunta nada.

Levanta o olhar devagar demais.

- Quem chega? - ele pergunta.

- Lara. A reunião do marketing termina agora. Restaurante perto da Sinclair.

O silêncio muda de peso.

Darlan fecha o notebook com calma excessiva. Os dedos não tremem. O rosto não denuncia nada, mas eu conheço aquele intervalo. É o segundo em que ele cruza dados antes de ouvir versões.

- Não fui informado da saída.

Engulo em seco.

- Foi uma decisão de última hora. Ela não quis pressão. Disse que seria rápido. Foi com a segurança da empresa.

A palavra empresa soa pequena demais.

Darlan se levanta.

Não anda ainda. Só fica em pé.

- Quem autorizou?

- Eu. - respondo. Rápido. Antes que ele pergunte de novo.

O olhar dele vem direto no meu. Não é raiva. É cálculo. Raiva grita. Aquilo mede danos.

- A segurança da empresa não cobre deslocamento externo sem escolta dedicada - ele diz. - Você sabe disso.

- Era um trajeto curto.

- Erros não precisam de distância. Só de brecha.

A porta se abre antes que eu responda.

Dois seguranças entram. Estão suados. Um deles segura o rádio com força demais.

- Senhor - o mais alto começa. - Houve uma abordagem no semáforo.

Meu estômago afunda.

- Relata - Darlan diz. Seco.

- Dois veículos. Fechamento rápido. Profissional. Tiraram as duas do carro em menos de vinte segundos. Tentamos acompanhar, mas eles trocaram de rota dentro da comunidade. Perdemos o visual.

O tablet escapa da minha mão antes que eu perceba.

Bate na mesa e racha a tela com um estalo seco.

Ninguém reage, eu também não.

A dor sobe pela mão quando apoio o peso nela. Ignoro.

Não foi o aparelho que quebrou.

Foi o controle.

Meu estômago revira antes que eu pense em qualquer coisa.

O número fica ecoando, vinte segundos e não sai.

É rápido o suficiente para ela não entender. Rápido o bastante para ninguém impedir.

A mão não para de tremer quando encosto na mesa. O ar pesa no peito como se algo tivesse sido colocado ali à força, e tudo que penso volta sempre para o mesmo ponto, sem saída. Não é pânico. É a certeza sólida de que eu errei e não existe gesto grande o bastante para apagar isso agora.

Ela estava no fim. Eu sabia e mesmo assim, deixei.

O peito aperta de um jeito errado, como se algo tivesse deslocado por dentro. Engulo em seco e não passa. O gosto é ácido, quente. Minha cabeça gira uma vez e para.

- Comunidade onde? - Darlan pergunta.

- Região da Laje.

O nome não vem completo. Não precisa.

Quando escuto, o chão some por um segundo.

Não é medo. É certeza.

Eu não perdi o controle da situação, eu entreguei.

Darlan pisca uma vez.

- Quem estava com ela? - ele pergunta.

- A secretária dirigia... Lílian.

Algo passa pelo rosto de Darlan agora. Não é surpresa. É agravamento.

Ele vira de costas para mim e já está andando quando fala:

- Esquema de crise. Agora!

- Darlan... - tento acompanhar.

Ele não diminui o passo.

- Você ficou responsável pela decisão. Agora fica responsável pelo silêncio.

Dou um passo à frente antes de pensar, só um.

O maxilar trava, o impulso é físico, não lógico.

Darlan para, mas não se vira, ele sente.

Se eu disser qualquer coisa agora, não tem volta.

Engulo seco e fico onde estou.

Vinte segundos, não dá para tirar isso da cabeça.

Vinte segundos.

Minha mulher grávida, desprotegida e tudo por minha decisão.

Enquanto eu fico parado ali, tentando não pensar no que autorizei, o corpo de Lara não está esperando ninguém decidir por ela. Em algum lugar da cidade, longe das salas envidraçadas e das regras que eu quebrei, ela está sozinha no chão de um lugar que não perdoa fraqueza. E enquanto eu ainda posso escolher ficar em pé, o corpo dela talvez já esteja sendo forçado a escolher entre sobreviver... ou parir.

Se Lara não voltar...

Não existe justificativa grande o bastante.

Eu não perdi ela, eu autorizei a perda.

E a pergunta que não me larga é simples e cruel:

Quantos minutos de erro custam uma vida inteira?

DARLAN

O elevador não espera.

Enquanto desce, já estou no telefone.

- Derick. Rastreio total. Agora. Última posição, cruzamento de câmeras, sinal morto, tudo.

- Alguma janela de tempo? - ele pergunta.

- Todas. Não me interessa o passado. Me dá onde ela está.

Saio do elevador andando rápido. O hotel fica a dois quarteirões da Sinclair. Entro direto no quarto, jogo a jaqueta na cadeira, abro o notebook.

Derick retorna em menos de três minutos.

- Achei. Não foi improviso. Usaram bloqueador curto, mas erraram na triangulação final. Elas estão dentro da área da Laje. Setor fundo. Casa fixa.

A tela mostra o ponto vermelho.

Não piscando. Estável.

- Confirmação visual? - pergunto.

- Não. Mas ninguém some assim sem permissão ali.

Permissão.

- Quantos acessos? - continuo.

- Três entradas. Todas fechadas. Controle de rádio ativo.

Fecho o notebook.

- Mobiliza. Não avisa ninguém fora do meu círculo. - pego as armas, confiro o carregador. - Se ela estiver viva...

Não termino a frase.

Desço de novo. Já falando com a equipe de intervenção.

- Não é resgate. É invasão. Ninguém entra gritando. Ninguém negocia antes de eu chegar.

- Derick. Linha fechada.

- Já está.

- Ela está viva.

O ar volta aos meus pulmões de um jeito curto, contido. Não alivio. Alívio vem depois. Agora é foco.

- Estado? - pergunto.

- Crítico, mas consciente até pouco tempo atrás. Estão mantendo. Não avançaram. Ainda.

Aperto o maxilar.

- Local confirmado?

- Barraco fixo. Setor fundo. Comunicação interna por rádio amador. Código fechado. Não é lugar pra subir agora.

Fico em silêncio. Ele sabe que eu não gosto dessa resposta.

- Já falei com o Don - Derick continua. - Planta completa, rotas, recuo, contenção. Tudo criptografado. Você recebe em dois minutos.

- Autorização?

A pausa vem curta. Calculada.

- Só à noite. Se subir agora, vira guerra aberta. Eles se fecham. Ela vira escudo.

Meus dedos apertam o telefone até doer.

- Então ninguém toca em nada até escurecer - digo. - Ninguém assusta o terreno. Ninguém chega perto do barraco.

- Já orientei. - Ele hesita um segundo. - Darlan...

- Fala.

- Eles não sabem quem você é ainda.

Um canto da minha boca sobe, sem humor nenhum.

- Ótimo.

"..."

Entro no carro.

A cidade passa rápido demais.

Lara saiu do protocolo.

Lílian ampliou o risco.

Alguém autorizou isso.

Não pode.

Eles abriram o inferno sem saber quem vinha atrás.

Tocaram no que não era deles.

Quando eu sorrir, ninguém vai confundir isso com misericórdia.

A única dúvida agora é:

Quem vai estar vivo para ver o meu sorriso virar a própria desgraça?

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