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Ele Não É Meu Pai! O Herdeiro Protegido Pela Máfia.
img img Ele Não É Meu Pai! O Herdeiro Protegido Pela Máfia. img Capítulo 7 QUANDO O PASSADO COBRA DE NOVO
7 Capítulo
Capítulo 9 QUANDO O AMOR NÃO SABE SE FICA img
Capítulo 10 QUANDO O MEDO ACORDA ANTES DE MIM img
Capítulo 11 QUANDO O DIABO VOLTA AO MORRO img
Capítulo 12 QUANDO O SANGUE RESPIRA img
Capítulo 13 ANTES DO PRIMEIRO ENCONTRO img
Capítulo 14 ANTES DO PRIMEIRO TOQUE img
Capítulo 15 O QUE EU NÃO POSSO QUEBRAR img
Capítulo 16 O SILÊNCIO QUE ANDA ARMADO img
Capítulo 17 O ERRO DE CONTAR A VERDADE img
Capítulo 18 RESPIRAR DE NOVO img
Capítulo 19 ONDE ESTÁ DANUZA img
Capítulo 20 ENTRE O NOME E O FÔLEGO img
Capítulo 21 A SENHORA DA PADARIA img
Capítulo 22 O QUE EU MOVI SEM CONTAR img
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Capítulo 7 QUANDO O PASSADO COBRA DE NOVO

Marlon

O telefone toca, meu coração dispara, todo meu corpo reage antes de mim. Atendo sabendo que alguém pode não sobreviver àquela noite.

- Cade ela? - pergunto. - E o bebê...

- Marlon. - Davi corta. A voz é firme, curta, sem espaço. - Não pergunte. Anote!

- Fala comigo. - insisto. - Eu preciso...

- Vai sozinho. - ele diz. - Agora. Endereço chegando.

O telefone apita com a mensagem e a ligação cai.

Fico olhando para a tela como se ela fosse mudar de ideia.

Sozinho.

Pego a chave, ela cai da minha mão. Quando me abaixo, tudo gira ao meu redor. Resisto ao meu corpo e não permito ceder.

Dou partida no carro antes de fechar a porta.

O celular vibra no banco do passageiro, estico a mão sem tirar o pé do acelerador.

Ele escorrega e vai para o chão.

- Merda...

Me abaixo por um segundo.

Só um.

Quando volto o olhar para frente, a curva já está em cima de mim.

O volante parece longe demais.

O coração dispara e o carro invade a pista contrária.

Um farol explode na minha visão.

Buzina.

Freio.

O pneu grita no asfalto e o mundo gira meio segundo fora do lugar.

O carro para atravessado, o coração martelando como se quisesse sair do corpo.

O cheiro de borracha queimada entra pelo vidro aberto.

Minha mão treme no volante.

Endireito o carro aos solavancos, a respiração quebrada, o coração batendo fora do ritmo.

- Não... não agora... - murmuro, sem perceber.

O celular vibra no chão.

Não atendo.

Não consigo, a cabeça ainda gira, respiro fundo, preciso chegar...

Chego, estaciono na primeira vaga, largo a porta aberta e não olho para trás.

Entro quase correndo.

Não vejo rosto. Vejo jaleco, parede, gente passando.

- Lara Shert! - falo para o primeiro que cruza meu caminho. - Onde ela tá?!

Não espero resposta. Pergunto de novo para outro.

- Lara Shert! Minha mulher!

Ando. Volto. Viro errado. Entro em corredor que não leva a nada. Saio. O coração bate fora do ritmo. O ar não entra direito.

- Cadê a Lara?! - falo mais alto agora. - Grávida!

Ninguém responde rápido o bastante.

Procuro um rosto conhecido.

- Darlan! - chamo. - Darlan!

Nada.

Meu peito queima.

Vejo um balcão. Bato a mão.

- Lara Shert! - repito. - Diz onde ela tá agora!

Um dedo aponta, eu nem agradeço.

Vou apressado.

Repito.

- Lara Shert! Minha mulher! Onde ela tá?!

Uma mão aponta. Eu vou.

O lugar é frio. Branco demais. Silêncio duro. Não é hospital comum. É território de alguém que manda.

Corredor, outro.

Minhas pernas falham por meio segundo. Não paro. Empurro gente. Peço informação sem ouvir resposta. A garganta arde de tanto repetir o nome dela. O ar entra curto, errado. O peito aperta como se alguém estivesse fechando com uma mão por dentro. Vejo portas, vejo números.

Uma porta com um vidro.

Paro de repente, como se alguém tivesse puxado meu corpo pelo peito.

Lara está ali.

Deitada. Braços abertos. Luz forte. Muitos profissionais em volta dela, mãos se movendo rápido, entrando e saindo do meu campo de visão sem parar.

Meu estômago vira.

Dou um passo sem perceber. A mão bate no vidro antes de qualquer decisão. Forte. O som seco ecoa e eu não recuo.

Lá dentro, alguém fala mais alto. Outra pessoa responde rápido. Um corpo se inclina sobre o dela e o monitor muda o ritmo por um segundo longo. Não é alarme ainda. Mas o movimento quebra o padrão.

- Lara... - falo, mas o nome sai falho.

Ela não reage.

Nada.

Aperto os dedos contra o vidro como se isso pudesse acordar alguma coisa. Nada se mexe. Nenhum reflexo. Nenhuma resposta.

O corredor some. O resto do mundo também.

O corpo dela não se mexe, e isso é tudo o que importa.

O vidro não devolve nada.

- Marlon.

Não ouvi os passos. Darlan simplesmente está ali. Para ao meu lado, sem tocar. Olha pra frente.

- O corpo dela entrou em colapso. - diz. - Trabalho de parto. Cesárea de emergência.

As palavras passam por mim. Algumas ficam. Outras não entram.

- Não... - falo baixo. - Não de novo...

- Eu... - a garganta fecha. - Eu deixei ela sair.

Ele não responde.

- Você não estava lá.

A respiração falha. Para. Volta errada.

As mãos tremem. Tento fechá-las. Não obedecem.

O corpo inteiro quer sair daqui, agora, mas não se mexe.

Fico preso dentro de mim.

- Eu já perdi um filho. - digo, sem olhar para ele. - Faz quase vinte anos.

Darlan vira um pouco o rosto.

- Isso não é destino.

Viro pra ele de uma vez.

- Então é o quê?

- Consequência.

Lá dentro, alguém se move rápido demais. Uma bandeja passa. Um corpo se inclina sobre o dela. O monitor muda o ritmo, não é alarme ainda.

Mas também não é normal.

Meu corpo entende antes da cabeça.

Algo estoura dentro do peito.

O soco vem uma vez, a dor explode.

Não dou o segundo, não adianta.

- Você vai precisar das mãos funcionando. - diz. - Se ela sair dessa. Se o bebê sair dessa.

Encosto a testa com força demais, como se pudesse atravessar pela dor. O ar foge do peito. Não consigo puxar de volta. Do outro lado, eles correm. Do lado de cá, eu sangro e continuo do mesmo lugar.

A frase me atravessa como lâmina.

- Para ajudar a segurar. - ele continua. - Para aprender a cuidar. Para não quebrar quando eles precisarem de você.

Eu o encaro. Ódio puro. Medo puro. Tudo junto, mas ele não reage.

Viro.

- Não encosta em mim.

Ele dá um passo à frente, firme.

Lá dentro, algo muda. Gente se move rápido demais. Perco Lara de vista.

O peito aperta de um jeito errado. Acho que vou cair.

Me apoio na parede. Não fecho os olhos. Não posso.

Fico ali. Parado. Respirando errado. Esperando sem saber o quê.

Volto a olhar para o vidro.

Lá dentro, a médica fala algo rápido. Outra responde. O corpo de Lara se move um centímetro que parece quilômetro. O pano sobe. Não vejo mais nada do que importa.

Fico ali, respirando errado, preso do lado de fora, sabendo que cada segundo parado pode estar custando alguma coisa lá dentro.

- Aguenta... - murmuro. Não sei para quem.

Quando abro os olhos, Darlan não está mais ao meu lado. Ele está alguns passos atrás, falando baixo com alguém pelo rádio. Organizando. Controlando o que ainda pode.

Eu fico onde estou, imóvel, vendo a minha mulher sendo operada, assistindo atraves de um maldito vidro, sem poder me aproximar.

Meus braços sabem segurar arma, contrato, gente em crise.

Mas não sabem atravessar vidro.

Lá dentro, alguém diz um número alto demais. Outra voz responde com urgência. O monitor apita curto, rápido, e depois silencia por um segundo que parece longo demais para ser normal.

Um choro abafado atravessa a porta.

Não sei de quem.

O som corta o corredor como faca.

E se ela sobreviver... mas o som que eu ouvi agora tiver sido o último do meu filho?

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