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Ele Não É Meu Pai! O Herdeiro Protegido Pela Máfia.
img img Ele Não É Meu Pai! O Herdeiro Protegido Pela Máfia. img Capítulo 3 ANTES QUE O CORPO TERMINE
3 Capítulo
Capítulo 9 QUANDO O AMOR NÃO SABE SE FICA img
Capítulo 10 QUANDO O MEDO ACORDA ANTES DE MIM img
Capítulo 11 QUANDO O DIABO VOLTA AO MORRO img
Capítulo 12 QUANDO O SANGUE RESPIRA img
Capítulo 13 ANTES DO PRIMEIRO ENCONTRO img
Capítulo 14 ANTES DO PRIMEIRO TOQUE img
Capítulo 15 O QUE EU NÃO POSSO QUEBRAR img
Capítulo 16 O SILÊNCIO QUE ANDA ARMADO img
Capítulo 17 O ERRO DE CONTAR A VERDADE img
Capítulo 18 RESPIRAR DE NOVO img
Capítulo 19 ONDE ESTÁ DANUZA img
Capítulo 20 ENTRE O NOME E O FÔLEGO img
Capítulo 21 A SENHORA DA PADARIA img
Capítulo 22 O QUE EU MOVI SEM CONTAR img
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Capítulo 3 ANTES QUE O CORPO TERMINE

LARA

O chão é frio, mas meu corpo queima.

Estou deitada de lado sobre um colchão velho, afundado, fedendo a poeira antiga e suor. A bochecha gruda no tecido áspero. Cada respiração raspa a garganta. O vestido cola na pele molhada, pesado e inútil.

Minha barriga endurece outra vez.

Não avisa. Não pergunta, apenas contrai.

Um gemido escapa. Baixo. Feio. Não penso antes. Só sai.

- Respira... - Lílian está colada em mim. A mão dela aperta a minha com força demais. - Olha pra mim, Lara. Por favor.

Eu tento. A cabeça não obedece. Tudo está baixo demais. Próximo demais do chão.

Passos se aproximam, firmes, controlados e femininos.

Não correm e nem hesitam.

O tipo de passo de quem entra sabendo que manda.

Meu estômago afunda antes de eu ver.

- Então é aqui.

A voz vem limpa. Fria e sem pressa.

Forço os olhos para cima.

Danuza está em pé, intacta demais para aquele lugar. Roupa ajustada, cabelo preso, rosto arrumado. Não olha ao redor. Não avalia o espaço. Me olha direto. Como se eu fosse um problema que ela veio resolver.

- Olha só... - ela se aproxima devagar. - O meu grande prêmio.

Meu corpo tenta reagir. Não responde.

- Quem... - tento falar. Só ar.

Ela sorri. Um sorriso pequeno. Satisfeito.

- A gente se encontra de novo, Lara. - ela se agacha na minha frente. - Logo agora que você ficou... assim.

O olhar dela desce para minha barriga.

- Frágil. Inchada. Fora da proteção. - inclina a cabeça. - Exatamente como eu imaginei.

Minha mão vai para o ventre num reflexo inútil.

- Não toca... - a voz sai falhada. Pequena.

Ela ri.

- Já toca. - diz, simples. - Já decidi.

Se inclina mais.

- Esse bebê vai nascer aqui e você não vai estar lá quando ele aprender a falar.

Meu coração erra o ritmo.

- Não... - balanço a cabeça. - Não...

- Vai. - ela responde, calma. - Mas não fica. Vai sair do país. Outro nome. Outra história. Longe de você.

O mundo inclina.

- Você não pode... - a garganta fecha. - Ele é meu.

O sorriso dela some.

- Você ainda não entendeu.

A mão entra no meu cabelo de uma vez.

O puxão arranca um grito de dor. Minha cabeça é jogada para trás. A visão explode em branco.

- Não encosta nela! - Lílian se move.

Um homem surge atrás dela. Não toca. Só bloqueia.

Danuza segura meu rosto perto do dela, os dedos cravados no couro cabeludo.

- Eu esperei muito por isso. - a voz vibra, contida. - Esperei você cair.

O tapa vem rápido, o som estala antes da dor chegar.

Quando chega, queima. Não só na pele. Por dentro. Uma dor que humilha.

Meu corpo dobra.

- Para! - Lílian grita.

Eu choro. Não bonito. Não inteiro. Um choro baixo, falhado, que vaza sem controle. O ar não entra direito.

- Para de chorar. - Danuza rosna. - Guarda energia. Você vai precisar.

Ela levanta o pé.

Meu corpo antecipa o chute.

- DANUZA!

A voz corta o ar.

Outra mulher entra e não precisa gritar de novo.

- Você perdeu a cabeça? - Ela avança e segura o braço dela com força. - Já fizeram a merda de sequestrar a garota. Ela vai parir aqui, porra!

Danuza se solta, furiosa.

- Não se mete, Ane.

- Me meto sim. - Ane empurra ela para trás. - Enquanto essa mulher estiver viva, ela é problema meu.

Ouço tudo em pedaços.

- Foi o Henry... - Danuza cospe. - A ideia foi dele.

- Foi. - Ane confirma. - E ele deixou claro que não quer a Lara. Quer enfraquecer. Quer tomar a Sinclair enquanto eles sangram.

- Alguém sempre paga por querer mais do que pode. - Danuza rebate.

Meu sangue esfria.

- Quem quer ela é você. - Ane continua. - E esse bebê.

Silêncio.

- Pensa na sua filha, a Jayane. - Ane chega perto do rosto dela. - Pensa se você quer que sua filha saiba quem você é.

Danuza empalidece.

Ane a puxa pelo braço e arrasta para fora.

- Some daqui. Agora.

A porta bate.

O quarto gira.

Então vem, não como antes.

Vem rasgando.

Meu corpo se dobra sozinho. A contração me parte. Um grito explode de mim, alto, cru, sem controle.

- Lara! - Lílian cai ao meu lado, segura minha mão. - Aguenta!

Eu não aguento. Me encolho. O colchão recebe meu peso morto.

- Está vindo... - eu choro. - Está vindo...

Ane entra correndo.

- O que está acontecendo?

- Eu não sei! - Lílian grita. - Ela tá com muita dor!

Ane me olha. Sem desprezo. Sem curiosidade. Como quem reconhece perigo real.

- Levanta. Devagar.

Eu não consigo sozinha. Minhas pernas falham. Ane arranca minha roupa sem cerimônia.

- Chuveiro. Agora. Água quente ajuda a segurar.

A água cai forte. Minhas pernas tremem. Eu choro contra a parede.

- Não deixa levarem ele... - imploro. - Por favor...

Ane segura meu rosto.

- Eu não tenho poder pra prometer isso, eu sou só a mulher do chefe. - diz baixo. - Mas vou tentar.

O barulho vem primeiro.

Depois outro.

Depois muitos.

Tiros. Gritos. Fogos cortando o céu.

Ane me puxa de uma vez, me enrola numa toalha.

- É invasão! - ela grita. - Agora!

O pânico toma tudo.

Meu corpo contrai de novo. Mais baixo. Mais forte.

Lá fora é guerra.

Aqui dentro, é pior.

O pânico estoura dentro de mim.

A contração vem mais baixa. Mais pesada.

Algo quente escorre entre as minhas pernas.

Não é urina.

Não é suor.

Lílian e Ane olham.

O rosto de Ane muda antes de qualquer palavra.

- Lara... - a voz dela falha. - Tem sangue.

Meu corpo decidiu.

E ninguém perguntou se eu estava pronta.

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