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Uma Noite Com Meu Chefe Bilionário
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Uma Noite Com Meu Chefe Bilionário

Autor: Delilah
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Capítulo 1 1

A dor foi a primeira coisa que Hali Recife registrou.

Era uma pulsação rítmica e brutal atrás das têmporas, aquele tipo de ressaca que prometia um dia inteiro de miséria absoluta. Ela manteve os olhos fechados, recusando-se a deixar a luz da manhã agredir suas retinas.

Ela se mexeu, esperando o conforto irregular de seu velho colchão no Brooklyn, mas os lençóis sob seus dedos pareciam errados.

Eles eram lisos demais. Frios demais. Seda pura.

Ela franziu a testa, os dedos se curvando no tecido caro. O cheiro no ar também era diferente. Seu apartamento geralmente cheirava a café velho e à vela de baunilha barata que ela acendia para mascarar o odor da cidade.

Este ar cheirava a dinheiro. Era uma mistura nítida de cedro, sândalo frio e algo unicamente masculino.

Hali estendeu a mão cegamente para onde sua mesa de cabeceira deveria estar, tateando em busca do celular para ver a hora. Sua mão não encontrou madeira ou plástico.

Em vez disso, a palma da sua mão pousou em algo quente. Algo sólido.

Aquilo se moveu com o subir e descer lento de uma respiração.

Hali congelou.

Seu coração disparou contra as costelas, um pássaro frenético preso em uma gaiola. Seus dedos registraram a textura da pele, a firmeza do músculo e os pelos ásperos do peito de um homem.

Ela abriu os olhos num estalo.

O quarto era vasto, banhado pela luz cinza suave de uma manhã em Manhattan. Mas Hali não olhou para as janelas que iam do chão ao teto ou para a arte moderna nas paredes. Seu olhar estava travado no homem dormindo ao lado dela.

O rosto dele estava relaxado no sono, as linhas habitualmente duras de sua mandíbula levemente suavizadas, mas não havia como confundi-lo. O cabelo escuro, geralmente estilizado à perfeição, estava bagunçado contra a fronha branca.

Esdras Poda.

Seu chefe. O CEO da Gardner Holdings. O homem que poderia demiti-la com um estalar de dedos.

As memórias da noite anterior colidiram em sua mente como um maremoto. O baile de gala beneficente. As bandejas intermináveis de champanhe que ela consumira para entorpecer o tédio. A viagem de elevador onde o ar de repente se tornara rarefeito demais. O calor da mão dele em sua cintura. A maneira como a porta da suíte da cobertura clicou ao fechar, selando seu destino.

O pânico, frio e avassalador, inundou suas veias. Ela parou de respirar.

Isso era uma catástrofe. Isso era o fim de sua carreira. Se Irvim descobrisse...

Irvim.

Ela apertou os olhos com força. Ela ligara para ele três vezes na noite passada. Ele não atendera. Foi por isso que ela bebeu o champanhe. Foi por isso que ela estava aqui.

Ela tinha que sair. Agora. Antes que ele acordasse.

Hali moveu-se com uma lentidão torturante, afastando-se do calor do corpo dele. Seus membros pareciam pesados, não cooperativos. Ela balançou as pernas para fora da cama, os pés afundando em um tapete de pelúcia que provavelmente custava mais do que seus empréstimos estudantis.

Ela olhou em volta procurando suas roupas.

Seu vestido, uma peça vintage que ela mesma alterara para parecer alta costura, estava jogado em uma pilha perto da porta.

Estava arruinado. O zíper estava estourado, o tecido rasgado na costura. Uma memória visceral das mãos de Esdras arrancando-o dela passou por sua mente, fazendo seu rosto queimar.

Ela não podia usar aquilo. Ela estava nua, presa na cova do leão, sem armadura.

Um som do outro lado do quarto a fez pular. A porta do banheiro se abriu.

Hali agarrou o lençol de seda e puxou-o até o queixo, rastejando para trás até que suas costas bateram na cabeceira da cama. Ela se sentia como um animal encurralado.

Esdras saiu do banheiro.

Ele estava acordado. Alerta. Não havia sono em seus olhos, apenas uma clareza aterrorizante. Ele usava uma toalha preta baixa nos quadris, gotas de água agarradas aos ombros largos e descendo pelas cristas definidas de seu abdômen.

Ele se movia com uma graça rígida e controlada. Sua presença preenchia o quarto, sugando o oxigênio do ar.

Ele olhou para ela. Sua expressão era ilegível, os olhos escuros varrendo-a enquanto ela agarrava o lençol. Ele não parecia envergonhado. Ele não parecia arrependido. Ele parecia estar em uma reunião de diretoria.

- Bom dia, Hali. - Sua voz era um rugido baixo, áspera pelo sono, mas firme.

Hali abriu a boca, mas nenhum som saiu. Ela limpou a garganta, a voz trêmula quando finalmente falou.

- Sr. Poda. Eu... isso foi... eu preciso ir embora.

Esdras não respondeu imediatamente. Ele passou pela cama, seu movimento fluido, porém cuidadoso, em direção ao enorme closet. Ele desapareceu por um momento e voltou segurando uma capa de roupa e uma caixa.

Ele os colocou no pé da cama.

- Vista isso - disse ele.

Hali olhou para o logotipo na caixa. Chanel. Ela olhou de volta para ele, a confusão lutando contra o pânico.

Esdras encostou-se na cômoda, cruzando os braços sobre o peito nu.

- Dados os eventos da noite passada, e minha posição, precisamos discutir o caminho a seguir.

Hali piscou. - O quê?

- Casamento - disse Esdras. A palavra pairou no ar, pesada e absurda.

Hali soltou uma risada sufocada. Era um som histérico. - Como é?

O rosto de Esdras permaneceu impassível.

- Um escândalo envolvendo o CEO e uma assistente júnior seria prejudicial ao preço das ações, especialmente com uma aquisição de marca vital e confidencial atualmente em fase de negociação sensível. Um casamento repentino, no entanto, pode ser manipulado como um romance avassalador. Isso estabiliza o conselho. Resolve a crise de relações públicas antes que ela comece.

Hali olhou para ele. Ele estava discutindo a noite deles - uma noite em que ele a tocara de maneiras que a faziam queimar só de pensar - como se fosse um item em um relatório trimestral.

- Isso é insanidade - sussurrou Hali. - Eu não vou me casar com você pelo preço de uma ação.

Esdras inclinou a cabeça ligeiramente. - É um contrato. Um acordo comercial. Você será compensada.

- Eu tenho namorado - Hali deixou escapar.

A temperatura na sala pareceu cair dez graus. Os olhos de Esdras se estreitaram, uma centelha de algo perigoso passando por eles.

- O diretor criativo - disse Esdras, seu tom desdenhoso, como se referisse a um erro administrativo menor. - Ele é um obstáculo, mas dificilmente intransponível.

- Sim - disse Hali, erguendo o queixo, tentando salvar algum fragmento de dignidade. - Irvim Lodo.

- Ele não atendeu suas ligações ontem à noite - afirmou Esdras. Não foi uma pergunta.

Hali estremeceu. - Isso não significa...

- Vista-se, Hali. - Esdras desencostou da cômoda e virou as costas para ela, caminhando em direção à máquina de café no canto da suíte. - O carro está esperando lá embaixo.

Hali observou as costas dele, os músculos se movendo sob a pele. Ele a estava dispensando. Ele soltou uma bomba e depois a dispensou.

Ela agarrou a caixa e a capa de roupa e correu para o banheiro, trancando a porta com dedos trêmulos.

Ela se apoiou no mármore frio da pia, encarando a si mesma no espelho. Seu cabelo estava um desastre. Seus lábios estavam inchados. Havia marcas vermelhas em seu pescoço e clavícula, evidências inegáveis da boca de Esdras.

Ela abriu a torneira e jogou água fria no rosto, esfregando com força, tentando lavar a memória das mãos dele. Não funcionou.

Ela abriu a capa de roupa. Era um terno de tweed, uma silhueta clássica da Chanel, mas com um corte moderno e ousado. Era da próxima coleção. Nem tinha chegado às lojas ainda.

Ela o vestiu. Serviu perfeitamente.

Um calafrio percorreu sua espinha. A cintura, o busto, o comprimento da saia. Servia assustadoramente bem - talvez fosse um tamanho de amostra padrão, ou talvez ele apenas tivesse um olho estranhamente preciso para proporções.

Ela afastou o pensamento. Ela não queria saber.

Ela abriu a caixa. Roupa íntima. La Perla. Renda preta. Também do tamanho dela.

Ela se vestiu rapidamente, as mãos tremendo tanto que mal conseguia fechar os botões. Sentia-se como uma boneca que ele havia vestido. Ela enfiou o vestido arruinado na lixeira, incapaz de olhar para ele.

Quando saiu do banheiro, Esdras estava sentado em um sofá de veludo, uma xícara de café preto na mão. Ele gesticulou para uma segunda xícara na mesa.

- Beba. Você vai precisar.

- Não - disse Hali. Ela pegou sua bolsa do chão. - Estou indo embora. Nós vamos fingir que isso nunca aconteceu. Eu vou trabalhar, e serei uma assistente júnior, e você será o CEO, e nunca mais falaremos sobre isso.

Ela caminhou em direção à porta, os saltos afundando no carpete.

- Hali - a voz de Esdras a parou. Era baixa, mas exigia obediência. - Fugir não resolve problemas.

Ela parou, a mão pairando sobre a maçaneta. Ela não se virou.

- Resolve este aqui.

Ela puxou a porta e saiu para o corredor. Estava vazio. Ela praticamente correu para o elevador, apertando o botão repetidamente como se isso o fizesse chegar mais rápido.

Quando as portas se abriram, ela entrou e se encostou na parede espelhada, fechando os olhos. Seu coração batia tão forte que doía.

O elevador desceu, os números em contagem regressiva. 40... 30... 20...

Quando as portas se abriram no saguão, ela manteve a cabeça baixa, usando o cabelo como escudo. Ela andou rápido, ignorando o porteiro, empurrando as portas giratórias para o ar fresco da manhã.

Ela respirou fundo, pensando que tinha conseguido. Ela estava livre.

Um Maybach preto e elegante encostou no meio-fio, bloqueando seu caminho. A janela traseira desceu suavemente.

Finley Escudo, chefe do jurídico da empresa e braço direito de Esdras, estava no banco do motorista. Ele olhou para ela com um sorriso profissional e educado que não alcançava seus olhos.

- Srta. Recife - disse Finley. - O Sr. Poda me instruiu a levá-la para casa.

Hali congelou. Ela olhou para a esquerda, depois para a direita. Não havia táxis. O metrô ficava a três quarteirões. Ela estava usando um terno de cinco mil dólares que não era dela.

Ela estava encurralada.

            
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