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Uma Noite Com Meu Chefe Bilionário
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Capítulo 8 8

Hali recuou da porta como se ela a queimasse. Ela encarou a madeira, o coração martelando contra as costelas.

Ele estava mesmo lá.

Seu celular vibrou novamente.

"E.G.: Brincadeirinha. Vá dormir."

Hali soltou um suspiro que foi meio grito, meio risada. Ela jogou o celular no sofá. Ele estava brincando com ela. Ele não estava lá. Era um jogo de poder.

Ela correu de volta para o olho mágico. O corredor estava vazio.

Mas a descarga de adrenalina havia feito algo estranho: empurrou a dor por Irving para uma caixa pequena e escura no fundo de sua mente. Ela estava com raiva demais de Ezra para ficar triste por Irving.

Na manhã seguinte, Hali era um zumbi. Ela usou óculos de sol grandes no metrô. Chegou ao escritório cedo, na esperança de evitar todo mundo.

Ela passou a manhã escondida nos arquivos, organizando amostras de tecido até seus dedos ficarem empoeirados. No início da tarde, ela não pôde mais evitar o inevitável. Precisava entregar uma pilha de contratos no 40º andar. Ela entrou no elevador de serviço, grata por estar vazio.

Bem quando as portas pesadas estavam se fechando, uma mão - dedos longos, um relógio de prata pesado - disparou e bloqueou o sensor.

As portas se abriram novamente.

Ezra entrou.

Ele não estava usando gravata hoje. O botão de cima de sua camisa estava desabotoado, revelando a coluna forte e bronzeada de seu pescoço. Ele estava devastadoramente bonito, exalando um poder natural.

Ele a viu e não pareceu surpreso.

- Subindo? - disse ele, apertando o botão para o saguão.

Hali se pressionou contra a parede do fundo. - Você está me seguindo?

Ezra se virou para encará-la. - O prédio é meu, Hali. Eu estou em toda parte.

O elevador começou a descer. Então, de repente, ouviu-se um ESTALO alto vindo de cima.

A cabine tremeu violentamente. Hali gritou, derrubando os arquivos. As luzes piscaram e se apagaram. O elevador parou bruscamente, desequilibrando Hali.

Ela caiu com força, o quadril batendo no corrimão de metal.

A escuridão os engoliu.

Uma luz vermelha de emergência piscou, lançando um brilho sangrento e sinistro sobre a pequena caixa.

Hali estava no chão, respirando com dificuldade. - Meu celular... - ela ofegou.

Ela alcançou o bolso. Seu celular havia voado para fora quando ela caiu. Ela o viu caído de bruços perto das portas.

Ela o pegou. A tela estava estilhaçada. Uma teia de aranha de rachaduras obscurecia tudo. Ela apertou o botão de ligar. Nada.

- Não, não, não! - ela chorou, tocando a tela freneticamente.

Ezra estava ajoelhado ao lado dela. - Você se machucou?

- Meu celular! - Hali gritou, lágrimas brotando em seus olhos. - A evidência! Eu tinha as capturas de tela da localização dele! Eu tinha tudo!

Ezra agarrou seu pulso, sua mão grande envolvendo completamente a dela, parando seus toques frenéticos. - Esqueça o celular. Você está ferida?

Hali olhou para ele. A luz vermelha fazia seus olhos parecerem negros. - Estou bem. Mas perdi a prova. Agora não posso confrontá-lo.

Ezra soltou o pulso dela. Ele se sentou sobre os calcanhares. Olhou ao redor do pequeno espaço fechado. Sua respiração era audível. Um pouco rápida demais.

Ele se levantou, mas seu movimento foi brusco. Pressionou o botão de chamada de emergência. Estática.

- Estamos presos - disse ele. Sua voz estava tensa.

Hali olhou para ele. Ele estava segurando o corrimão com tanta força que seus nós dos dedos estavam brancos. Gotas de suor se formavam em sua testa.

- Você está bem? - ela perguntou.

- Estou ótimo - ele respondeu rispidamente.

Ele tirou o paletó do terno - uma peça sob medida de lã italiana - e o jogou no chão de metal sujo.

- Sente-se - ele ordenou. - Vai demorar um pouco.

Hali encarou o paletó. - Você vai estragá-lo.

- Sente-se, Hali.

Ela se sentou no paletó. Estava quente do corpo dele. Ezra sentou-se ao lado dela, estendendo suas longas pernas. O espaço era tão pequeno que suas coxas se tocaram.

Ele fechou os olhos e inclinou a cabeça para trás contra a parede de metal. Seu peito subia e descia rapidamente.

- Você é claustrofóbico - Hali percebeu em voz alta.

Ezra não abriu os olhos. - Não seja ridícula.

- Você é. Você está suando.

- Fale comigo - disse Ezra com os dentes cerrados. - Apenas... fale. Sobre qualquer coisa.

Hali olhou para ele. O CEO invencível estava apavorado.

Ela começou a falar. Falou sobre as amostras de tecido que havia organizado. Falou sobre a máquina de café do 12º andar que sempre vazava. Falou sobre seu gato que fugiu quando ela tinha sete anos.

Ela falou pelo que pareceram horas, embora talvez tenham sido apenas quarenta minutos. A respiração de Ezra lentamente se acalmou. Sua mão, que estava fechada em um punho em sua coxa, relaxou.

De repente, um rangido metálico veio de cima. O alçapão no teto se abriu. Um feixe de lanterna cortou a penumbra vermelha.

- Sr. Gardner? É da manutenção. Temos um sistema de roldanas.

Ezra abriu os olhos. Ele olhou para Hali. Seu olhar era intenso, despindo-a por completo.

- As damas primeiro - disse ele.

Ele se levantou e ofereceu as mãos a ela. Entrelaçou os dedos para criar um degrau.

- Pise nas minhas mãos - disse ele.

Hali hesitou. - Suas mãos...

- Faça isso.

Ela pisou nas palmas dele. Ele a ergueu sem esforço, sua força a surpreendendo. Ela se esticou e agarrou a borda da escotilha aberta. A equipe de manutenção a puxou para cima.

Ela subiu para o topo da cabine do elevador, e depois para o piso aberto do 39º andar.

Ela se virou para ajudar Ezra.

Ele se içou. Mas, ao passar a perna pela borda, sua perna direita fraquejou.

Ele gemeu, um som baixo e gutural de dor, e desabou para a frente.

Hali o segurou.

Ele era pesado, um peso morto contra ela. Eles bateram na parede de concreto do poço de manutenção. O rosto de Ezra estava enterrado no pescoço dela, sua respiração irregular.

- Eu te segurei - Hali sussurrou, amparando-o.

Ezra se afastou dela imediatamente. Ele se encostou na parede, recusando-se a colocar peso na perna direita. Seu rosto estava pálido.

- Estou bem - ele disse entre dentes.

- Não está, não - disse Hali. Ela olhou para a perna dele. Através do tecido da calça, não conseguia ver nada, mas a maneira como ele se portava gritava agonia.

- Temos que usar as escadas - disse o cara da manutenção. - Os elevadores estão todos parados.

Ezra olhou para as escadas. Era um lance para cima até o 40º andar. Para ele, parecia o Everest.

- Apoie-se em mim - disse Hali. Ela passou por baixo do braço dele, envolvendo sua cintura com o braço.

Ezra olhou para ela. Parecia que queria afastá-la, manter sua imagem. Mas a dor estava vencendo.

Ele deixou seu peso se acomodar sobre ela.

- Obrigado - ele sussurrou.

Eles subiram as escadas lentamente. Passo. Respiração. Passo. Respiração.

- Sua perna... - Hali perguntou baixinho. - O que aconteceu?

- Uma lesão antiga - disse Ezra, com a voz tensa. - Em outra vida.

Hali não insistiu. Mas quando a perna da calça dele subiu um pouco com um passo, ela vislumbrou seu tornozelo. A pele era retorcida, marcada por relevos irregulares e feios de tecido cicatricial que pareciam muito piores do que qualquer fratura simples.

Eles chegaram ao 40º andar. Finley estava lá, com uma expressão o mais perto de pânico que Hali já o vira.

- Ezra! - Finley correu para a frente, pegando o outro lado de Ezra.

- Estou bem - disse Ezra, endireitando-se e afastando os dois. Ele ajeitou a camisa, tentando recuperar a compostura.

- Compre um celular novo para a Sra. Andrews - ordenou Ezra, sem olhar para Hali. - O último modelo. Restaure os dados da nuvem dela imediatamente.

- Eu não preciso... - Hali começou.

- É uma questão de acidente de trabalho - Ezra a interrompeu. - Faça.

Ele mancou em direção ao seu escritório particular naquele andar, batendo a porta ao fechá-la.

Hali ficou ali, coberta de poeira, com o coração doendo. Não por seu celular quebrado. Mas pelo olhar de agonia absoluta nos olhos de Ezra.

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