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Capítulo 7 Dixon Miller

- Finalmente, Burbaby! - falou Owen como se tivessem feito uma viagem longa.

Burbaby, uma charmosa cidade da Columbia Britânica onde os pais de Owen viviam e que ficava a apenas vinte minutos do centro de Vancouver. Mesmo depois de alegar cansaço e querer descansar Owen foi convencido a seguir para Burbaby aquela manhã, seus pais fariam um almoço especial para comemorar a vinda do terceiro neto deles e primeiro filho de Owen.

Chegaram a casa e foram recebidos com entusiasmo e surpresa. A sogra a abraçou com uma alegria e emoção que nunca vira antes em uma mãe recebendo uma nora. Muito diferente das suas últimas sogras. O pai de Owen, o senhor Herbert Hughes, também a recebeu calorosamente.

- Pensei que fossemos conhecer você na maternidade - brincou ele.

- Não estou tão longe de casa, pai. Claro que em nove meses eu conseguiria vir aqui ou vocês poderiam ir nos visitar.

- A nossa casa está aberta para vocês - afirmou Ellis, simpática.

O irmão se aproximou.

- Ellis esse é meu irmão, Liam.

- Que cunhada bonita você me deu, Owen! - elogiou deixando-a corada e fazendo todos rirem. - Esse bebê vai ser um sucesso com tanta beleza envolvida. Seja bem-vinda a família Hughes, Ellis. Ficamos muito felizes quando soubemos que Owen seria pai.

- Foi uma grande surpresa - emendou a sogra.

- Mas uma surpresa muito boa - garantiu o pai de Owen colocando a mão no ombro do filho. Era inegável que ele estava orgulhoso.

Apesar de estar adorando ser o centro das atenções e estar sendo muito bem recebida, se sentia desconfortável. Não que não houvesse sinceridade nas boas-vindas da família Hughes, dava para perceber que estavam de fato felizes por eles, porém havia algo estranho acontecendo, mas não sabia dizer o quê. Os olhares que direcionaram a ela e a Owen eram cheios de palavras não ditas e sentiu a garganta secar de repente.

Fitou Owen que lhe sorriu daquele jeito amável que trazia segurança a seu coração. Pôs uma mão nas costas dela e Ellis devolveu o sorriso se sentindo bem novamente.

A tarde conversava com Madison, esposa de Liam que contava a ela sobre como fora as suas duas gravidezes. As crianças brincavam em frente à casa enquanto Owen e Liam, mais afastados e relaxados em uma mesa de jardim, também trocavam algumas palavras.

Liam era alto e esguio, diferente de Owen que apesar de alto também, tinha o corpo forte e torneado. A diferença de idade entre eles não deveria ser muito grande, Owen estava no auge dos seus vinte e oito anos, então talvez Liam tivesse entre trinta e trinta e cinco.

- Está me ouvindo, Ellis? - perguntou Madison quando o olhar dela pareceu distante.

- Claro! - respondeu de imediato. - Estou sim!

A afirmação insegura fez Madison sorrir cúmplice.

- Oh! Desculpe, eu não estava. Me perdi analisando como eles são diferentes um do outro e me perguntando quantos anos de diferença eles têm?

Madison sorriu.

- Liam é cinco anos mais velho que Owen. Fez trinta e três há alguns meses. E sim, eles são diferentes, mas os dois são muito unidos. Liam sempre tenta passar isso para os nossos filhos também.

Ellis assentiu vendo as duas lindas crianças brincando e já imaginando como seria quando o seu chegasse.

- Você vai se divertir muito Ellis - disse a cunhada. - Crianças fazem os nossos dias muito divertidos.

Ellis assentiu sorrindo a agora mais ansiosa. Enquanto isso Liam e Owen conversavam sobre Dixon Miller.

- Ele me ligou ontem à noite!

- O quê? Para quê? - questionou Owen ao irmão.

- Disse que você estava com problemas, que precisava de ajuda, de alguém para conversar e fazê-lo ver a realidade. Eu acho que ele pensa que você surtou.

Owen bufou irritado.

- Ele continua te perseguindo? - perguntou, Liam.

- Sim, mas a cada vez que o encontro faço questão de lembrá-lo, sutilmente, que quero distância dele.

- Owen, tenha cuidado! Pela forma como Dixon vem lidando com tudo não me deixa outra ideia a não ser que ele sofre de algum transtorno mais sério. No início pensei que fosse só frustração, mas pelo visto existe algo mais grave nessas atitudes dele e isso pode ser perigoso. Quer se reaproximar de você a todo custo.

- Eu sei! Assim que cheguei de viagem o encontrei na minha suíte do hotel.

- Você não os avisou?

- Não, porque não achei que ele invadiria meu quarto - justificou. - Depois que Ellis chegou só reforçou a necessidade de bloquear a entrada dele em qualquer lugar que eu esteja. Só irei atendê-lo se tiver algum assunto importante a tratar comigo e precisará marcar um horário para isso.

- Ellis não o conhece?

- Não, e nem vai. Se viram quando ela chegou ao hotel, eu estava indo almoçar com ele...

- Owen! - falou em tom de crítica.

- Liam, foi a única forma de tirá-lo do hotel, do contrário ficaria me rodeando a tarde toda - justificou-se. - Mas Ellis me salvou, ela chegou e não estava bem. Subimos para ela descansar e o deixei a ver navios. Foi a única vez que eles se viram e foi muito rápido. Acho que ela nem lembra dele.

- E tomara que ele também não se lembre dela.

- Aposto que não - disse seguro.

- Como eu disse, tenha cuidado. Ele não parece estar nada bem com essa distância e agora com a sua mudança. Não quero nem pensar o que vai dizer quando souber que você está seguindo em frente com sua vida.

- Eu já disse a ele que estava cuidando da minha vida - afirmou fitando Ellis apaixonadamente.

- Sim, mas ele não sabe o que há por trás desse "cuidando da minha vida". Não sabe sobre Ellis, não sabe que você será pai... É disso que falo, ele é uma pessoa frustrada, não é do tipo que quer ver alguém melhor que ele. Talvez fosse bom você falar sobre isso com Ellis, por segurança.

- Acha que o caso dele é tão grave assim?

- Não sei, precisaria tê-lo como paciente para avaliar, mas como a ética não permite e ele também já recusou ajuda, não posso afirmar nada sobre o doutor Dixon Miller.

- Estranho que um médico recuse tratamento. Ele acima de todas as pessoas deveria querer ficar bem.

- Justamente por ser um médico ele não aceita que esteja mal e muito menos que outra pessoa o "cure" de algo. Em minha opinião só essa atitude já é distúrbio demais.

Owen bufou.

- Ele não vai chegar perto de Ellis. Eu não vou permitir.

***

- Oh, meu Deus! Isso é incrível! - exclamou Ellis se jogando nos braços de Owen e beijando-o alegremente. - Meu amor, obrigada! Muito obrigada. É lindo!

Soltou-se dos braços dele andando pelo lugar e olhando para todos os lados.

- Gostou mesmo?

- Eu amei! Nunca tive um ateliê.

Owen sorriu feliz com a alegria dela. Havia alugado uma sala em uma galeria a duas ruas antes do apartamento deles em Vancouver. Com muitas lojas e boutiques de moda e perfumaria, o ateliê de Ellis chamaria muita atenção das mulheres vaidosas que frequentavam o local.

- Vou poder trabalhar muito aqui, pintar o quanto eu quiser - sonhou. - E em agradecimento, vou pintar o meu lindo, sensual e romântico... Pai do meu filho! Isso soa estranho...

Owen sorriu bem humorado.

- Você pode usar "namorado" - sugeriu.

- Ainda parece estranho - bufou escondendo o rosto no peito dele.

- Seremos marido e mulher, Ellis, é só uma questão de tempo.

- Eu sei! - suspirou afastando-se um pouco. - Não estou te pressionando.

- Ah, você está sim, mas um pouco de pressão é bom. Principalmente se for nos pontos certos - sussurrou ao ouvido dela.

- Vou adorar pressionar todos os seus pontos certo, mas antes vou desenhar você.

Ellis o guiou até a poltrona de veludo e sentou-se em frente ao cavalete separando algumas folhas brancas e um lápis em carvão.

- Você não vai conseguir me desenhar tão rápido, tenho que estar no Shangri-La daqui a quinze minutos.

- Fique quieto e mantenha o rosto erguido - ordenou.

- Sim, senhora.

Owen observava os olhos atentos de Ellis, os cabelos loiros presos no alto da cabeça com duas pequenas mechas soltas quase a frente dos olhos davam-lhe um ar jovial, mas também muito sexy. Os lábios pequenos entreabertos e os movimentos detalhados prendiam a atenção dele como ninguém jamais conseguiu. Estava tão feliz com ela ao seu lado, nunca poderia imaginar que um fim de semana se multiplicaria em meses e agora esperava que em anos, dessa vez, para sempre.

- Pare de sorrir! - reclamou ela o fazendo rir mais e levantar-se indo em sua direção. A ergueu para os seus braços e a beijou profundamente.

- Não consigo parar de sorrir quando estou perto de você ou quando penso em você. Ellis, você é minha alegria.

- E você a nossa! - afirmou colocando a mão dele em seu ventre.

Owen sorriu novamente e depois de receber um beijo se foi. Ela voltou ao seu desenho, só tinha conseguido delinear os olhos e muito mal. Teria que levar para casa e fazer lá quando Owen tivesse tempo, só usava fotografias de pessoas em último caso, gostava da emoção de pintar tendo o olho no olho de seus modelos.

- Está ficando bonito!

Ellis pulou da cadeira assustada com a voz a suas costas.

- Quem é você?

O estranho sorriu de canto.

- Me chamo, Miller - respondeu. - Dixon Miller.

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